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Escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, A Vila é um projeto mal entendido e ignorado por muitos que o assistiram. Ele seguia a carreira com longas que foram sucesso de público e crítica como Sinais e Sexto Sentido e as pessoas foram ao cinema esperando ver um filme com uma virada na história que surpreendesse a todos. Mas não foi isso o que aconteceu.

A Vila tem uma história simples e muito bem construída. Temos uma comunidade que vive em uma vila e as pessoas que residem ali vivem reclusas sem poder passar dos limites traçados. Há um bosque que os cerca e marca o início de um território ‘hostil’. Boatos dizem que há criaturas “Aquelas de Quem Não Falamos” vivendo ali e quem entrar lá estará provocando esses seres.

Cansado de viver na vila, Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) deseja ultrapassar esse limite e seguir um caminho rumo ao desconhecido. Há ainda Noah Percy (Adrien Brody) e Ivy Walker (Bryce Dallas) dois amigos que vivem se aventurando pelo lugar, ela é cega e ele tem problemas mentais.

Os líderes locais citam o perigo e os riscos que ele irá fazer todos da vila passar caso ultrapasse esse limite. Então se reúnem com outros anciãos e com outros moradores para decidir se autorizam ou não Lucius a ir embora por conta e risco. Ele não os houve e decide seguir seu caminho, eis que algo acontece com ele e acaba por se ferir gravemente. Então Ivy, a garota cega e que está apaixonada por Lucius irá até a cidade em  busca de remédios. Essa cidade seria muito longe e seu trajeto perigoso já que as criaturas poderiam atacar a qualquer momento.

A garota segue o rumo do bosque proibido e acaba por chegar à cidade. O mais interessante é que esse bosque na verdade é uma reserva florestal com muros longos ao seu redor para que ninguém entre no local. A lição de moral é que todos estavam na vila porque os anciãos tiveram uma vida conturbada do lado de fora da reserva, foram vítimas da violência e com medo da vida como ela é e acabam criando seu próprio mundinho livre da violência e da maldade do mundo real.

Essa é a história de A Vila. Como todos sabemos o final é surpreendente e original e não é um filme fácil de se entender. Muitos simplesmente odiaram sem se questionar o que era tudo aquilo que presenciaram. É um dos filmes mais inteligentes de Shyamalan, como disse muitos esperavam um filme de terror a moda antiga com monstros matando todo mundo e um final que fosse ao estilo do sexto sentido. Ao colocar uma personagem cega M. Night na verdade está criticando a falta de visão da sociedade, ao ouvir a verdade dos anciãos como se fosse a verdade absoluta e como sabemos nenhuma verdade é absoluta.

Dentre os assuntos abordados estão: o medo do desconhecido e a alienação da população em não querer discutir o fato de não poderem sair de lá, os usos de uma ameaça externa para controlar uma população e de uma falsa verdade para manipular os mesmos. Shyamalan faz uma crítica interessante. Quando nos mudamos para uma casa a primeira coisa a fazer é construir muros nela justamente para nos separar do mundo exterior, a mesma coisa quando mudamos para um condomínio fechado ou um apartamento.

Quanto ao elenco ele foi muito bem escolhido. Bryce Dallas e Joaquin Phoenix já haviam trabalhado anteriormente com o diretor e ambos estão ótimos nesse longa, ela como cega e ele como a pessoa que quer sair da vila para conhecer o mundo além do bosque. Há ainda Adrien Body que faz bem o papel do homem perturbado apaixonado por Ivy.  A Vila lembra muito a série Wayward Pines também dirigida por ele e que abordava esse tema de ficar preso a um lugar e não pode sair dele e do poder que um grupo impõe a todos os outros moradores.

A Vila (The Village, EUA – 2004)

Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Adrien Brody, Bryce Dallas, Jesse Eisenberg, Joaquin Phoenix, Sigourney Weaver, M. Night Shyamalan
Gênero: Drama, Mistério, Suspense
Duração: 108 minutos

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