» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Joguei Crisis Core pela primeira vez logo após seu lançamento no ocidente. Como fã de Final Fantasy VII, simplesmente não poderia deixar passar o jogo que revela os acontecimentos anteriores aos do game original. Com o passar dos anos voltei mais algumas vezes e terminei o jogo novamente. Agora, para escrever esta crítica, tirei o pó de meu PSP e mergulhei novamente na história de Zack Fair. À princípio a ideia era somente lembrar os pontos principais do game, mas tudo o que bastou foi sua sequência de abertura para me motivar a jogá-lo, na íntegra, novamente.

A primeira coisa que nos chama atenção quando ligamos o game é sua trilha sonora. Desde a tela inicial, onde escolhemos entre um novo jogo ou continuar de um save point, já escutamos o tema de Crisis Core, seu leitmotif. É uma música melancólica, com o piano como instrumento principal, que se encaixa perfeitamente com o tom da obra. Quem jogou FFVII pode adivinhar parte da trajetória dramática do game em questão.

O jogo abre com uma cutscene com belos gráficos em CGI  – não é o que vemos durante os momentos jogáveis, mas ainda assim são um colírio para os olhos. Com gráficos surpreendentes vemos Zack Fair, o protagonista, em cima de um dos trens da cidade de Midgar. Sua missão é eliminar tropas Wutai disfarçadas. Após passarmos para os gráficos de jogabilidade, Zack pergunta ao seu superior: “por que estamos enfrentando tropas Shinra?” – com a progressão do game entendemos a referência/ ironia desse fato.

Com o término da apresentação, passamos a ouvir uma música familiar, um arranjo de Opening – Bombing Mission de FFVII, refletindo o paralelismo entre esse princípio e o de Final Fantasy VII, desde já somos colocados em um combate/ tutorial. Uma voz feminina anuncia Activating Combat Mode e Zack saca sua espada. Como isso funciona em Crisis Core? Quem jogou Kingdom Hearts ou Ni No Kuni irá sentir uma certa familiaridade. A mecânica nada mais é que um RPG de turnos disfarçado de jogo de ação. Devemos escolher o comando a ser realizado e quase instantaneamente veremos a ação ser concretizada. Os comandos disponíveis variam entre: ataque normal, magia, ataque especial e item. Esses podem ser customizados através das materias (pequenos orbes que contém uma habilidade), adquiridas ao longo do jogo.

Ao fim da primeira batalha acabamos ficando frente a frente com um inimigo mais ameaçador – um Behemoth, recorrente na franquia. Nesse ponto podemos atentar a alguns detalhes da mecânica do jogo, que acabam dando um tom maior de jogo de ação: é possível esquivar, bloquear e nos movimentar livremente pelo campo de batalha. O posicionamento é importante – inimigos recebem mais dano se atingidos pelas costas e sua sobrevivência muitas vezes depende disso, tornando a experiência consideravelmente mais tática.

Não pretendo entregar mais a história de Crisis Core, ou suas muitas surpresas e referências ao game original. Mas anteriormente citei o caráter de seu tom. O game inicia com uma narrativa leve, mas que logo vai se encaminhando para uma verdadeira melancolia. É efetivamente um jogo sobre a amizade e perda. Com a progressão da narrativa enxergamos que nem mesmo Sephiroth é um vilão nessa história e sim uma das maiores vítimas.

Como o título sugere, é em Crisis Core quando tudo começa a dar errado. A gigantesca companhia elétrica, Shinra, passa a ser percebida pelo que ela é, os SOLDIERs descobrem sua origem, o incidente de Nibelheim ocorre, dentre diversas outras crises. O que mais chama atenção no game, contudo, é a evolução dos personagens que estão no epicentro desses problemas. Zack, mesmo mantendo sua personalidade otimista, acaba adotando uma postura mais séria conforme amadurece. De soldado da Shinra, ele descobre toda a verdade por trás da companhia e, com o tempo, toda a história se torna uma grande luta pela liberdade.

A riqueza do roteiro, contudo, não se encontra somente no personagem principal. Angeal, Genesis, Sephiroth, Cissnei, Lazard, são apenas alguns dos diversos personagens apresentados e bem trabalhados ao longo da narrativa. Esse êxito no desenvolvimento é também fruto da sensação de passagem de tempo que é muito bem transposta pelo game. Ele inicia sete anos antes de Final Fantasy VII e termina aonde o original começa.

Além da história principal o jogo também oferece diversas missões opcionais, que podem ser acessadas nos save points. Essas não só contribuem para avançar em níveis o personagem, como para a obtenção de melhores itens. E como funciona o level up no game? Durante as batalhas, no canto superior direito da tela, existe uma espécie de caça níqueis com três slots, chamado DMW (Digital Mind Wave). Cada um deles gira números de 1 a 7, cada qual com seu retrato. Quando os três 7s se alinham o personagem passa de nível. Parece sorte, mas, obviamente, é tudo baseado na sua progressão na história e o número de combates pelos quais passamos.

Além disso o DMW garante diversos bônus ao jogador quando dois números são alinhados, além de avançar o nível da materia quando três números idênticos aparecem juntos (que não sejam 7). De fato parece um sistema complexo e randômico demais no início, mas com o tempo é fácil de se acostumar e dá um elemento de surpresa aos combates, mesmo que as chances sejam afetadas pela jogabilidade.

Crisis Core, porém, não é um game perfeito. Ele possui um único, porém marcante, problema. Após algumas horas de jogo ele acaba soando repetitivo – fruto do combate que poderia ser mais fluido ou totalmente a base de turnos. Ainda assim, isso não é o suficiente para se deixar o jogo de lado, já que a vontade de jogá-lo novamente certamente irá retornar após algumas horas ou minutos.

Grande parte desse replay se deve, também, à emblemática trilha sonora de Takeharu Ishimoto, responsável, também, pelas músicas da série Dissidia. Ishimoto faz belo uso de algumas das composições de Nobuo Uematsu, as remixando a fim de encaixá-las perfeitamente na atmosfera do game. Não podemos desconsiderar, claro, as faixas originais, como o já citado tema do game, The Price of Freedom ou Truth of the Project, tocada durante a épica cutscene de luta entre Angeal, Genesis e Sephiroth.

No fim, Crisis Core é, definitivamente, a melhor entrada da Compilação de Final Fantasy VII, contando uma história rica, com personagens aos quais nos importamos desde o início. Conta com uma trilha sonora nada menos que fantástica e amplia, com maestria, o universo de FFVII e pode ser jogado individualmente, sem ser necessário ter passado pelo game original, embora certamente será melhor aproveitado por aqueles que jogaram. Ouso dizer que funciona como a melhor porta de entrada para o universo de FFVII. É um game obrigatório para qualquer um que deseja conhecer uma ótima narrativa.

Crisis Core: Final Fantasy VII
Desenvolvedora: Square Enix
Lançamento: 13 de Setembro de 2007
Gênero: Rpg de ação
Disponível para: PSP

Comente!