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Joguei Final Fantasy X-2 pela primeira vez logo após ter acabado o primeiro game. O choque foi imediato. Nos primeiros minutos já vemos uma Yuna cantora de J-Pop, com direito a dançarinos coreografados de fundo. Fica aquela sensação de estranhamento, de que há algo fora do lugar. Felizmente, de fato há uma coisa errada: o que vemos não é a summoner de Final Fantasy X, e sim uma impostora.

Quando a verdadeira Yuna, enfim, aparece é impossível não conter o alívio, ainda que alguns elementos estranhos permaneçam. Antes, contudo, de mergulhar nesses aspectos, vamos a um breve resumo dos eventos do game. Ele se passa dois anos após a destruição de Sin – Yuna, juntamente de Riku e um protótipo de Lulu, Paine, são sphere hunters. Quem já jogou o primeiro game se sentirá um tanto familiarizado neste setor, mas em FFX-2 há uma pequena diferença: as dress spheres. Basicamente elas garantem habilidades específicas ao portador, além de mudar sua aparência.

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Obviamente tais esferas influenciam diretamente o novo sistema de combate do jogo. Diga adeus às ótimas batalhas do primeiro game e receba de volta o active time battle, mecânica recorrente da série, introduzida em Final Fantasy IV. O que diferencia a batalha de X-2 são justamente as dress spheres, que permitem a mudança de classe dentro da batalha – uma evolução do sistema de Jobs de FFIII, que acaba funcionando como desdobramento da mecânica do game anterior, substituindo os inúmeros membros da equipe por classes internas de cada personagem. Há, porém, um gigantesco problema: todas as vezes que efetuamos a mudança somos forçados a assistir uma cutscene à la Sailor Moon das heroínas mudando sua roupa, o que acaba tornando a batalha incrivelmente tediosa, especialmente depois de horas e mais horas de jogo.

A progressão de personagens também voltou à maneira antiga. Vemos novamente os levels em detrimento da sphere grid. Mais uma mudança desnecessária e que acaba piorando o game, tirando de nós toda a liberdade e fluida progressão oferecida pela mecânica de Final Fantasy X. As habilidades, por sua vez, são ganhas através das batalhas e utilização de cada dress sphere. No fim, a intenção, claramente, foi a de simplificar o game, mas acabou tirando grande parte da identidade da décima entrada da franquia, não fugindo muito de um JRPG como outro qualquer.

Os problemas, infelizmente, não se limitam à mecânica das lutas e a progressão – a história de X-2 dificilmente prende o jogador. Ao longo da trama vamos descobrindo mais detalhes sobre a Machina War, que levou a destruição de Zanarkand, mas o desenvolvimento não é bem construído e nos leva a crer que o game inteiro foi feito somente para expandir o final de seu antecessor, através de um final especial (algo que não precisava ser feito de forma alguma, FFX terminou no momento preciso, de maneira extremamente dramática). Existem, é claro, os elementos fan-service, que nos mostram alguns dos personagens e localizações do primeiro game. Tudo isso acaba garantindo leves toques de maior profundidade a esse universo, mas nada que, de fato, justifique a existência dessa continuação, que, a cada hora de jogo, mais parece uma estratégia de lucrar ainda mais em cima de um dos títulos de melhor venda da série de games.

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Os gráficos, por outro lado, não deixam a desejar e representam uma clara melhoria em relação ao primeiro jogo, tanto nas cutscenes quanto nos momentos jogáveis em si. O trabalho de dublagem também melhorou, embora isso já fosse esperado, já que FFX foi o primeiro da franquia a apresentar vozes. Ainda no setor do som, algo que decepciona é a trilha sonora de Noriko Matsueda e Takahito Eguchi, que não apresenta sequer uma faixa memorável. Tampouco há a reutilização de músicas do antecessor, um claro desperdício das melodias compostas por Nobuo Uematsu, Masashi Hamauzu e Junya Nakano.

Final Fantasy X-2 não está à altura de seu antecessor. É uma experiência inteiramente dispensável e enfadonha, que não vale sequer pelo seu final secreto, já que tira grande parte do impacto do desfecho de Final Fantasy X. A mecânica de dress spheres é interessante, porém mal utilizada, especialmente quando se trata da dinâmica dentro dos combates. Nos primeiros minutos do game já fica a sensação de que ele foi feito somente para aproveitar o sucesso do anterior.

Final Fantasy X-2
Desenvolvedora: Square
Lançamento: 13 de Março de 2003 (Japão), 18 de Novembro de 2003 (EUA)
Gênero: Rpg de Turnos
Disponível para: PS2, PS3, PS4, PC

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