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Pessoalmente, eu nunca fui fã da premissa do arco “Injustice” de virar o Superman para o lado mal, indo contra tudo o que o icônico personagem sempre lutou e representou. Claro, heróis brigam entre si a todo momento. Mas tendo o Superman como líder de um regime assassino não era uma ideia que me pegou de primeira.

O segredo para a aceitação foi a qualidade da narrativa. A NetherRealm – também responsável pela série Mortal Kombat – descobriu a fórmula para se aliar mecânica e roteiro de forma coesa. Jogos de luta nunca foram exemplos de histórias bem contadas – com raras exceções – por conta da necessidade incessante da inserção de batalhas como única forma de controle dos personagens e baixo apelo de cutscenes.

A trama tem início logo depois dos eventos do primeiro jogo. Superman está preso e Batman, com o auxílio de poucos resistentes, buscam proteger a Terra de ameaças ao passo que caçam os aliados do Azulão. É durante essa crise que Brainiac, aqui responsável pela explosão de Krypton, chega com o objetivo de absorver todos os conhecimentos e informações disponíveis já coletadas pelo planeta, causando uma gigantesca destruição.

De cara, um conflito de ideias é estabelecido para gerar a proverbial divisão de alguns dos heróis: o Superman deve ou não ser solto para ajudar na luta contra Brainiac devido a seu elevado nível de poder? Enquanto Batman resiste, Mulher-Maravilha, Ciborgue e Adão Negro não pensam duas vezes antes de tentar libertarem o azulão.

O que se segue é uma narrativa muitíssimo bem estruturada, dividia em capítulos, onde um personagem ou uma dupla – esses com opção de escolha entre os dois lutadores – avançam com as batalhas. Quase todos possuem um arco e conflitos que engrandecem suas personalidades. Personagens menores que não ganharam destaque no primeiro game ou nem sequer apareceram tomam as vezes aqui de forma orgânica como Arlequina – aqui tendo superado a paixão pelo Coringa, o que nos permite conhecer um novo da lado da vilã, Nuclear, Besouro Azul, Senhor Destino e, principalmente, Supergirl, que chega à Terra anos após ter presenciado a destruição de Krypton e tem de lidar com o fato de seu primo ter se desvirtuado dos valores da casa El. 

Somente no final, a trama dá uma leve escorregada ao se apoiar em conflitos repetitivos e manjados e soluções fáceis ou apressadas demais para alguns pontos específicos do roteiro.

O sistema de combates foi ainda mais aprimorado, deixando tudo mais acessível, com algumas alterações bem vindas e outras necessárias para não quebrar a lógica de batalha de determinados lutadores. Personagens com baixo apelo de força física, por exemplo, não são capazes de pegarem e acertarem o oponente com objetos pesados do cenário. O modo de ataque ou defesa também é dividido. Há os personagens que se beneficiam do combate mais próximo, com ênfase nas lutas corporais, como Batman ou Flash, os que utilizam do combate à distância como Mulher Maravilha com seu laço e escudo ou Arqueiro Verde com seu arco e flechas e personagens que misturam ambos como o Aquaman e Ciborgue. O cenário está com mais elementos interativos e há uma novidade que pode ocorrer ou não no meio das batalhas dependendo de sua barra de vida que trata-se do sistema Confronto, onde ocorre uma aposta da barra de especial em que o vencedor recupera vida e o perdedor agrega mais dano. 

Falando em especial, eles estão ainda mais diversificados, criativos e memoráveis. Fazer com que o Flash volte no tempo para a era dos dinossauros, Supergirl leve o oponente para o espaço em uma chuva de meteoros, Capitão Frio crie um tornado gélido e Aquaman um ciclone com tubarões pela primeira vez é absurdamente gratificante. As cutscenes não ficam muito atrás com cenas de batalhas grandiosas, momentos cheios de fanservices, com destaque especial para uma luta em plano sequência entre Flash e Flash Reverso que, confesso, me deixou ainda mais ansioso para ver algo do tipo no filme solo do herói.

O componente de multiplayer oferece um pacote generoso de modos, dessa vez com a novidade do Multiverso – leia-se por Torres Vivas, só que de Injustice – podendo ser apreciado offline ou online com desafios diários com a possibilidade do auxílio da entrada em uma Guilda para variar as recompensas e desafios. Os modos clássicos versus não ocasionaram em nenhuma queda de conexão. Há também o novo sistema de equipamentos, em que personagens após as batalhas recebem Caixas-Maternas que tornam possível a customização visual e de combate. A novidade pode não funcionar para a maioria já que nem todos os equipamentos ou modificações visuais são facilmente desbloqueáveis dependendo do nível do jogador, tendo de ficar acumulando atributos repetidos ou cozinhar alguns até subir de nível.

As dublagens não poderiam estar melhores. Mesmo com alguns problemas de sincronização labial, o trabalho geral de veteranos como Guilherme abrigos e Márcio Seixas é quase impecável em tonalidade e imposição, garantindo forte personalidade a todos os ícones desse universo. É raro, em um game, eu preferir a dublagem nacional frente a original, mas aqui, trata-se de uma daquelas exceções dignas de serem conferidas.

Os gráficos estão belíssimos. Os jogos da produtora só vieram a impressionar, realmente, no aspecto gráfico, a partir de Mortal Kombat X e aqui, realizando seu melhor trabalho e um dos melhores da geração, mostra que, definitivamente, encontrou seu lugar no pódio. O trabalho de detalhamento dos cenários e da modelagem dos personagens é impressionante. Seja com os cabelos da Mulher-Maravilha, as capas de Superman ou Supergirl ou a pelugem de Grodd , tudo é extremamente fluido e bem renderizado. A taxa de quadros se manteve estável durante toda jogatina, na campanha e no multiplayer. Com os momentos de gameplay correndo lisos a 60 quadros por segundo e as cutscenes a 30 fps, mantendo o impacto do aspecto cinemático.

Injustice 2, se não é perfeito em seu roteiro, ao menos ocupa o merecido lugar na lista de melhores histórias – dentro e fora dessa mídia – estrelando esses personagens. É uma aula de como tratar e retratar esses ícones através de conflitos relevantes com arcos bem traçados e definidos para cada um deles ao passo que nunca se esquece da natureza de seu produto, dando máxima atenção a estrutura de jogatina e detalhamento gráfico. Desde já, aguardo ansiosamente pela terceira investida da série que não demonstrou, até agora, nenhum sinal de desgaste. Mais injustiça, por favor.

Agradecemos pela cópia gentilmente cedida pela Warner Games para a realização dessa análise.

Desenvolvedora: NetherRealm Studios
Publicadora: Warner Bros. Interactive Entertainment
Plataformas: Android/iOS/PlayStation 4/Xbox One/PC
Data de lançamento: 16 de maio de 2017.

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