» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Como você irá passar seus dias finais? Essa é a chamada para o capítulo final da trilogia Final Fantasy XIII e não poderia refletir melhor o que este jogo oferece. Lightning Returns é uma incessante corrida contra o tempo, similar a The Legend of Zelda: Majora’s Mask, mas com seus elementos únicos e uma sensação ainda mais desesperadora. O mundo está acabando e temos apenas treze dias para completar a história.

Se você teve a oportunidade de jogar a demo, irá se sentir familiarizado com o início do game. Começamos na cidade de Yusnaan, uma metrópole repleta de luzes e festividade, que está a comemorar o Banquete do Fim dos Tempos. Lightning adentra o palácio do chamado ‘Patron’ e lá encontra ninguém menos que Snow. Mas algo parece diferente: ele não é a mesma figura otimista com a qual já estamos acostumados, e logo um combate estoura entre os dois antigos companheiros. Ao mesmo tempo uma nuvem negra surge no lugar, distorcendo o espaço-tempo, uma nuvem que chamam de caos e junto dela aparecem inúmeras criaturas hostis. Desde esse ponto já podemos sentir claramente a noção de passagem de tempo muito bem construída pela Square Enix – realmente parece que anos e anos se passaram dentro daquele universo.

Entramos, então, na primeira luta do game e desde já somos apresentados à nova mecânica dos schemas – uma interessante variação do ótimo paradigm shift. Nesse novo modo de combate controlamos apenas Lightning que, por sua vez, pode alterar entre diferentes modos de ataque totalmente customizáveis – de quebra, cada um desses modos de ataque são definidos por roupas variadas da personagem, que acaba trazendo um dos elementos mais divertidos do game: coletar todos os uniformes.

analise-lightning-returns-final-fantasy-xiii

Não ouso dizer que é um melhor sistema que o de FFXIII, devido a qualidade deste, mas é tão tático quanto e ainda mais frenético, sem deixar o elemento da diversão a desejar. O combate, que se desenrola em tempo real, sem turnos, é, sem dúvidas, a melhor qualidade de Lightning Returns e ele sozinho consegue prender o jogador do início ao fim do game.

Porém, nem tudo são flores no encerramento dessa saga: o problema do desenrolar da história do capítulo anterior se mantém, deixando o jogador ainda mais confuso. Há ainda um agravante: o jogo soa como uma grande sidequest, ao ponto que sua narrativa nos dá tanta liberdade, que parece não estarmos contribuindo para o desenrolar da trama. Ainda assim, o que prende os fãs da franquia na história é a aparição dos personagens passados, incluindo, mas não limitado a Snow, Hope e Vanille.

Ofuscando esses defeitos, contudo, está o sistema de passagem de tempo atrelado às sidequests. Como dito anteriormente, o mundo irá acabar em treze dias, isso graças ao caos gerado pela morte da deusa Etro em FFXIII-2. Com isso, cabe a Lightning salvar a alma de um grande numero de pessoas “boas” e colocá-las na Ark (uma arca de Noé tecnológica). Para coletar essas almas precisamos completar as quests e sidequests do jogo. Há ainda um agravante: devido ao avanço do caos, o mundo só irá aguentar mais seis dias. Para adiar a destruição para a data inevitável é preciso completar o máximo de objetivos possível.

Parece muita exploração da nossa heroína de cabelos cor de rosa? Não se preocupe, ao ajudarmos as pessoas também melhoramos os atributos como ataque, defesa, vida, etc – essa é a forma de level up do game. Para que servem as lutas então? Além de coletar itens-chave e habilidades, após cada batalha ganhamos gil (a moeda de Final Fantasy) e EP, pontos que são utilizados em habilidades especiais, como pausar o tempo por alguns instantes.

analise-lightning-returns-final-fantasy-xiii

Mas realizar tais tarefas não consiste no simples falar com um npc e seguir os pontos no mini-mapa. Para começar, as quests aparecem de acordo com o horário, geralmente dividido entre 6h-18h, 18h-00h e 00h-06h, podendo haver variações. O tempo flui em todos os locais fora das batalhas, cutscenes e menus. Isso gera uma sensação única em Lightning Returns, que não é tão intensa nem mesmo em Majora’s Mask: a de urgência. Nenhum segundo pode ser desperdiçado, o jogo pede que cada ação seja calculada, a fim de obtermos o melhor resultado possível. Somado a isso, os objetivos raramente são mostrados no mapa o que exige que o jogador efetivamente pense para completá-los, ao contrário do simples “ande até lá”. Impossível não lembrar dos primeiros Final Fantasy, que seguiam o mesmo formato e não eram tão misericordiosos com os jogadores.

Aproveitando essa reminiscência dos primeiros jogos da franquia, a trilha sonora também apresenta um tom de dinamismo semelhante ao que foi introduzido em FFIV. Permita-me explicar: o quarto jogo da série introduziu uma trilha que se adaptava de acordo com o que ocorria na tela, em detrimento daquela música constante dos anteriores. Em Lightning Returns temos músicas que variam de acordo com o horário, local, drama e tipo de luta, garantindo um grande acervo de musicas em toda a duração do jogo. Algumas dessas são inéditas e outras trazidas de volta de FFXIII e FFXIII-2.

No fim, o capítulo de encerramento da trilogia iniciada em Final Fantasy XIII definitivamente não será do agrado de todos. Tal aproveitamento requer que o jogador tenha ao menos jogado os dois anteriores. Dado sua merecida chance, contudo, Lightning Returns prova ser uma aposta ousada, inovadora e bem sucedida da Square Enix, nos entregando uma ótima variação do sistema de paradigmas de FFXIII. É um game que permite grande liberdade do jogador ao mesmo tempo que o prende dentro de uma grande nostalgia, o que nos faz voltar à pergunta: como você irá passar seus dias finais?

Lightning Returns: Final Fantasy XIII
Desenvolvedora: Square Enix, TriAce
Lançamento: 21 de Novembro de 2013 (Japão), 11 de Fevereiro de 2014 (EUA)
Gênero: Rpg
Disponível para: PS3, Xbox 360, PC