Não há dúvidas que a Nintendo voltou com tudo com o seu novo console, o Nintendo Switch. Após anos sofrendo com vendas baixas e pouco interesse do público e das empresas third-parties na era do WiiU, a Big N deu a volta por cima e se reinventou mais uma vez, mostrando um console híbrido, oferecendo uma experiência de jogos de console de mesa e a praticidade de jogá-los em qualquer lugar. Mas o sucesso da empresa vai muito além do console em si, e 14,86 milhões de unidades não foram vendidas à toa. Então, qual foi a fórmula da companhia para se sair bem no primeiro ano de vida do Switch?

Estratégias de mercado

Em primeiro lugar, a Nintendo finalmente aprendeu com os seus erros do WiiU e conseguiu vender de forma simples e direta a proposta do console desde o seu anúncio. Se lembrarmos bem, o WiiU era confundindo como um periférico do Wii original, já que em poucas propagandas era visto o videogame em si, com o foco apenas no seu GamePad. No caso do Switch, a história foi outra, com o anúncio já mostrando as diferentes possibilidades de interação que o jogador teria com o console, jogando conectado na TV ou de forma portátil, e com ou sem os Joy Cons conectados na tela. Apesar de menos poderoso que os concorrentes PS4 e Xbox One, a empresa soube imediatamente como ajustar o Switch no mercado, colocando um preço de lançamento convidativo, com o valor de $299,99.   

Com uma ideia simples, o videogame também não foi vendido apenas como um videogame para crianças ou um público casual. Com um sistema visualmente mais neutro do que o WiiU e o Wii, debochados como produtos frágeis devido ao material dos controles e o visual simplista, a Nintendo conseguiu acertar com o Switch, sendo aprazível tanto para as crianças quanto para os adultos, que podem levar o videogame para uma festa (e se alguém tem dúvida de que isso acontece, já presenciei alguns momentos assim) ou viagens de longa duração. É impossível ignorar que a característica portátil deu o charme fundamental para o sistema, criando a deixa para uma reação em cadeia de sucesso do console.

A procura voraz do videogame pelos consumidores e a forma como a Nintendo lida com tal escassez também foi uma estratégia válida. Nos primeiros meses, não havia chances de encontrar casualmente um Switch disponível nas prateleiras das lojas. Filas para novas levas de estoque e encomendas eram a única possibilidade de encontrar o aparelho. A escassez proposital que a empresa se utiliza desde seus primeiros videogames é uma forma de chamar ainda mais atenção do público.

Jogos para todos

Outro fator foram os próprios games. A Nintendo não brincou no serviço no primeiro ano do console e lançou uma linha invejável de títulos aclamados pela crítica e público. O primeiro foi o revolucionário The Legend of Zelda: Breath of the Wild, que deu o pontapé inicial saindo no lançamento do videogame. Na época, todos queriam comprar o console junto com a nova jornada de Link, criando assim uma procura gigantesca pelos dois produtos. As notas 10 em vários sites especializados e o 97 no Metacritic também colaboraram para um interesse gigantesco pelo título, conseguindo até mesmo superar as vendas do próprio console no primeiro mês, com 2.74 milhões de unidades de Switch vendidas em comparação com as 2.76 milhões de Breath of the Wild.

E provavelmente os números cairiam após o sucesso e a curiosidade inicial dos consumidores nos próximos meses, mas a empresa continuou chamando a atenção devido a constantes atualizações e suporte de jogos, fossem indies, remasters e, é claro, exclusivos. O Nintendo Direct, formato em vídeo que a empresa criou para anunciar futuros títulos para suas plataformas, entregava atualizações constantes e importantes para o público ávido por mais jogos no console, oferecendo promessas e atualizações de futuros títulos na medida certa.

O apoio dos desenvolvedores independentes foi essencial. Com a praticidade de produzir títulos para o Switch, diversos jogos indie foram e estão sendo lançados para o console. Os tais Nindies, como a Nintendo intitula tal categoria em sua loja online, deram um espaço confortável para os desenvolvedores divulgarem seus títulos. Com o Switch sendo um intermediário entre consoles e portáteis, jogos mais simples são mais convidativos para o público casual do que em consoles de grande porte, como o PS4 e o Xbox One.

Indo na onda dos remasters, a empresa teve a inteligente decisão de trazer títulos da geração anterior. E com o atrativo de poderem ser experimentados de forma portátil. Tanto exclusivos (Mario Kart 8), até títulos third-parties (Skyrim, Doom e L.A. Noire, por exemplo) chamaram a atenção de um público que a empresa tinha perdido nas últimas gerações. Um público hardcore que desejava ter experiências mais adultas e complexas, além de reviver pérolas da geração anterior em qualquer lugar.

Splatoon 2, ARMS e 1-2 Switch, apesar de não terem feito tanto sucesso quanto Zelda, conseguiram manter uma leva constante de exclusivos ao longo de 2017. Mas, para fechar o ano com chave de ouro, tivemos o rei dos exclusivos da Nintendo: Super Mario Odyssey, o título que consolidou o sucesso arrebatador do console, se posicionando até agora como o jogo mais vendido do Switch, com 9.07 milhões de unidades vendidas. Após um ano com tantos títulos e um constante fluxo de exclusivos de qualidade, colocando dois de seus maiores jogos em boa parte das listas de melhores do ano da mídia especializada, a empresa finalmente reconquistou o coração dos gamers.

Olhando para o futuro

O Nintendo Switch teve um ótimo início, com a Nintendo colocando todas as suas cartas na mesa para disparar as vendas do console em seu primeiro ano. Apresentando muito bem a proposta simples e direta do videogame, junto com uma line-up matadora de títulos, a empresa pode respirar aliviada com seu primeiro lançamento de sucesso em quase uma década. Porém, ainda é cedo para saber se ela vai conseguir manter o bom momento do Switch. Desafios à frente a aguardam, como a implementação de um serviço online pago com o Nintendo Switch Online, o retorno do Virtual Classic para o console, e o decisivo apoio das empresas third-parties (além dos desenvolvedores independentes) para manter uma biblioteca de games ativa e constante, enquanto seu público aguarda pelo próximo grande exclusivo must-buy. Afinal, manter o interesse do público é a chave para o sucesso na guerra dos videogames. E no horizonte, enquanto uma nova geração de consoles já pode ser avistada, a Nintendo deve estar bem armada para a tempestade que virá mais cedo ou mais tarde.

P.S.: Enquanto no Brasil, ainda estamos a ver navios, com a Nintendo oficialmente fora do país e jogos de Switch vendendo a preços inacreditáveis em lojas paralelas. Quem sabe o sucesso do console lá fora não incentive a Nintendo voltar para as nossas terras tupiniquins.

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