Ao longo de toda a franquia, tivemos expansões valiosas sobre como funcionam os xenomorfos. Somente com base no cânone principal, já dá para entender muita coisa sobre a biologia das criaturas, porém muita informação também é fornecida pelo universo expandido. No embalo do ótimo Alien: Covenant, decidi fazer esse artigo para entendermos melhor como funciona a biologia do tão chamado “organismo perfeito”.

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Ciclo de Vida

Sem a menor sombra de dúvidas, o alien é o monstro mais completo em termos biológicos, comportamentais e de outras características que o Cinema de ficção científica já ofereceu. Os xenomorfos aparentemente não possuem grandes pretenções, além de garantir seu amplo domínio no ecossistema. Não é por acaso que muita gente os compara com insetos que vivem em comunidade como abelhas, formigas ou cupins.

Porém, seria muito tranquilo caso fossem insetinhos como esses que conhecemos aqui na Terra. Os aliens são extremamente agressivos e conseguem infernizar sua vida mesmo estando solitários como em Alien: o Oitavo Passageiro e Alien³.

Como é bem conhecido, o ciclo de vida do alien é bastante perturbador. Primeiro, é preciso que uma Rainha deposite ovos contendo facehuggers (o primeiro estágio de vida do xenomorfo) até que um hospedeiro desafortunado acabe despertando o parasita.

Os ciclos de vida das criaturas vistas no cinema até Prometheus.

Intencionalmente, os roteiristas, Ridley Scott e Giger alinharam o visual do facehugger para misturar as gônadas de ambos os sexos. O modo como se acopla no hospedeiro, rapidamente e à força, visa remeter a um estupro. Já nessa fase, a criatura apresenta seu perigosíssimo sangue de ácido molecular. A função dele é simples: um mecanismo de defesa poderoso. Consegue matar tanto o hospedeiro e quem ousar retirá-lo da incubação.

Após algumas horas depois de ter implantado a larva do xenomorfo (chestburster), o facehugger morre permitindo que o hospedeiro desperte para experimentar a verdadeira agonia de “parir” um filhote indesejado. Após estourar e matar o hospedeiro (pode ser humano ou animal), a larva cresce rapidamente, em questão de horas, trocando sua pele por um exoesqueleto de silicone polarizado (material muito resistente).

Eis que então surge o xenomorfo em toda sua glória violenta e perversa o que nos leva até o próximo tópico. Aliás, até agora não algum material canônico que revele o que acontece com o bicho durante toda a sua vida adulta ou se pode assumir outras funções dentro da comunidade.

A Rainha Alien é a criatura mais importante dentro da hierarquia apresentada nos filmes, mas ela é apenas a terceira mais importante no universo expandido.

O Xenomorfo e sua Hierarquia

Através dos filmes, é perfeitamente compreensível como funciona a hierarquia da ordem social dos bichos. O principal responsável em expandir o universo além da conta é o gênio James Cameron com Aliens, o Resgate. Enquanto em Alien, o xenomorfo que vemos é o Drone, um operário – na versão do diretor, podemos ver Dallas e Brett colados nas paredes da Nostromo para serem impregnados por facehuggers (isso se tivessem ovos a bordo), em Aliens vemos os chamados Warriors, os soldados da hierarquia de castas dos aliens.

Os guerreiros fazem exatamente o que vocês imaginam: protegem o ninho da Rainha de quaisquer ameaças. Assim como os drones, eles podem sequestrar vítimas para reprodução de novos xenomorfos, mas aparentemente não tem capacidade de produzir a gosma que cola as vítimas nas paredes – isso é função dos operários.

Também existem os Praetorians, guardas de elite da Rainha. Eles são um pouco mais inteligentes e conseguem dar comandos simples para os outros tipos de xenomorfos. Também tem a habilidade de criarem um casulo próprio para virar uma nova Rainha caso a original morra. Esse tipo de xenomorfo é apresentado no universo expandido de Alien.

E obviamente também temos as Rainhas. Uma para cada ninho, é a criatura mais importante dessa hierarquia apresentada no cânone cinematográfico. É gigantesca e consegue produzir ovos com pré-determinações para qual casta de xenomorfo que irá nascer, inclusive uma nova Rainha – como visto em Alien³ com o royal facehugger.

A Rainha é a criatura mais inteligente, além de conseguir expressar sentimentos complexos a ponto de negociar com humanos para proteger suas crias. Seu design é tão sensacional que até mesmo Giger reconheceu em entrevista que a produção havia feito um bom trabalho, mesmo sem seu conselho estético para a concepção.

O Drone visto em Alien³. Também conhecido como Runner.

Herança Genética

Como ficou provado em Alien³, os xenomorfos também herdam significativa quantia de DNA do hospedeiro original. Isso acaba definindo muito de sua locomoção, além de outras habilidades. Por exemplo, nos dois primeiros filmes, víamos o alienígena assumindo posturas bípedes a todo momento por carregarem a carga genética de humanos.

No terceiro filme, o drone que aterroriza Ripley e os detentos de Fury 161 sai de um cachorro ou boi (depende do corte que você assistir). Logo, ele é se locomove nas quatro patas, é muito mais rápido, violento e ainda tem a capacidade de cuspir ácido (algo inédito até então). Essa versão foi batizada de runner xenomorph dentro do cânone oficial da franquia.

Em termos de filme, pouco mais foi revelado até agora, mas sempre fica entendido que o xenomorfo herdará a carga genética do hospedeiro – até os Predadores servem como hospedeiros dando origem ao terrível Predalien de AvP 2.

Toda a glória da mandíbula faríngea

Habilidades e Alimentação

Os xenomorfos são como baratas assassinas do espaço. Extremamente resistentes a climas e condições adversas, a criatura consegue aguentar longos períodos de tempo sem precisar se alimentar. Tanto que raramente vemos esses bichos comendo humanos, mas se preocupando em utilizá-los como hospedeiros para perpetuar a espécie. Durante toda a franquia, vimos apenas o runner comer uma de suas vítimas em Alien³.

O sangue ácido é usado como arma seja por automutilação, mutilação durante brigas ou através de uma cusparada que nem ouso imaginar como funciona. A força física, obviamente, é destacada conseguindo levantar humanos sem o menor problema, além da cauda que sempre possui pontas afiadas similares a facas.

Sua maior arma, com certeza, é a famigerada mandíbula faríngea. O lançamento da língua é tão forte que quebra crânios e metais sem o menor esforço. Essa mordida é o movimento de assinatura de assassinato dos bichos (raramente vemos dilacerações ou uso de garras nas matanças). É especulado que a pressão exercida durante o ato seja de 6000psi.

A comunicação entre xenomorfos é um campo ainda pouco explorado. Alguns dizem que se comunicam telepaticamente, através de ultrassons ou por feromônios. As criaturas não emitem calor e sempre mantém a temperatura de seu corpo igual à do ambiente que estão localizadas permitindo certa camuflagem para sensores térmicos, além de permitirem sua sobrevivência em qualquer clima. Os aliens também conseguem sobreviver no vácuo do espaço por tempo considerável.

Esse é o Warrior, visto em filmes como AvP e Aliens. A diferença está no formato do crânio com ranhuras, ao contrário do Drone que possui doma lisa.

O crânio do xenomorfo também tem sua razão de ser tão gigantesco. Ao longo dos lados da estrutura, existem várias câmaras que vibram ao menor sinal de alteração na atmosfera do ambiente. Isso o torna um caçador nato que consegue espreitar suas presas, preferindo ataques sempre pela retaguarda, surpreendendo a vítima. Eles também possuem órgãos vestigiais fotossensíveis utilizados principalmente para conseguir enxergar outros seres de sua própria espécie, já que seus receptores termais nunca notariam seus semelhantes por conta dessa biologia singular.

Segundo o universo expandido, a violência da matança de um xenomorfo também é relacionado com a captação de ferômonios do medo que ele capta em um ambiente. Aparentemente o cheiro os deixa excitados ou profundamente irritados, enfim, causa um efeito adverso. Por isso que vítimas aterrorizadas possuem as piores mortes nos filmes como Lambert que aparentemente é violada sexualmente pela criatura. Mortes rápidas são garantidas por presas que não tem ciência de que estão sendo caçadas.

Isso também explica por que os xenomorfos nunca atacam sintéticos. Como os androides não exalam odor algum, eles não afetam o comportamento da criatura – a menos que entrem em confronto direto. Apenas a Rainha destrói um sintético em toda a franquia, mas a “morte” de Bishop mais se assemelha a um ato de vingança ou de ira.

Graças a toda essa receptividade sensorial, as criaturas têm uma fraqueza sonora. Através de pulsos ultrassonoros de baixa frequência, é possível deixa-la em um estado hipnótico que basicamente a adormece.

O Xenomorfo de Alien: Covenant

A criatura vista no novo filme também tem sua parcela de peculiaridades que o distinguem do xenomorfo dos outros filmes. Ao contrário do design biomecânico da criatura (o que já deve indicar que David, de alguma forma, colocará mais características suas nas próximas experiências), esse xenomorfo tem um look mais orgânico e magricela, além de ser mais persistente e violento. Os traços biomecânicos são muito sutis, músculos são mais proeminentes, mas não hipertrofiados.

Também há o diferencial de não possuir a fase larval do chestburster. Assim como o runner de Alien³, esse xenomorfo já nasce com os membros totalmente desenvolvidos. A principal diferença entre esse variante e o normal continua sendo o comportamento persistente. Batizado como “protomorfo” pro alguns fãs, a criatura não opta por manter sua integridade física a todo custo. Os dois aliens, mesmo machucados, não desistem da presa e até chegam ao ponto de se machucarem como o alien que cabeceava o vidro do cockpit do cargueiro de Tennessee.

Por enquanto isso é o que sabemos da biologia do “organismo perfeito”. Recomendo muito a leitura do artigo do bicho no wikia de fãs muito mais fissurados na mitologia de Alien do que eu conseguirei ser em uma vida inteira. Você pode ler esse conteúdo interessantíssimo Aqui. 

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