Os Últimos Jedi está finalmente chegando e não há melhor hora para rever os oito filmes de Star Wars, a dúvida que sempre fica, porém, é a seguinte: ordem cronológica ou de lançamento? Aqui nesse post eu irei explicar que a melhor maneira não é nenhuma dessas duas e sim uma terceira, que consiste em: Rogue One, IVVIIIII, VI e VII. Isso mesmo, sem o Episódio I! Alguns já devem conhecer esse esquema, é chamado de Machete Orderidealizado por Rod Hilton, e ele coloca as seis obras de forma que a narrativa toda gire em torno da jornada de Luke e a ascensão/ queda do Império. Como essa ordem foi elaborada antes do lançamento de Rogue One O Despertar da Força, demos uma adaptada a fim de incluir esses dois filmes mais recentes.

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Antes de começarmos, porém, vamos contemplar as duas outras possibilidades.

Ordem de lançamento (IV, V, VI, I, II, III, VII, Rogue One)

Assistir Star Wars da maneira como ele foi originalmente lançado cria uma evidente ruptura na narrativa da saga. Primeiro acompanhamos a história de Luke Skywalker, vemos como ele se tornou um Jedi e derrubou o Império. Logo em seguida, voltamos ao passado e descobrimos como a galáxia chegou a tal ponto, como Anakin Skywalker se tornou Darth Vader, somente para, depois, retornarmos ao futuro e novamente ao passado.

Ouso dizer que essa é a ordem que mais diferencia  as trilogias, sentimos como se estivessem muito distantes uma da outra e o pior: assistir a trilogia original e logo após a nova apenas nos faz enxergar mais os deslizes de George Lucas, especialmente considerando A Ameaça Fantasma.  Isso, é claro, sem falar na aparição de Hayden Christensen como fantasma da Força na edição especial de O Retorno de Jedi, que não faz o menor sentido para quem não assistiu a trilogia nova ainda!

Considerando os novos filmes lançados pela Disney, esse eterno vai e vem quebra completamente a fluidez da saga e mais serve para confundir do que qualquer outra coisa!

Ordem cronológica (I, II, III, Rogue One, IV, V, VI, VII)

Do ao VI, a saga assume um contexto bastante diferente. Não se trata mais da história de Luke e sim de Anakin, como ele se tornou um Jedi, caiu e foi redimido – a jornada do herói do personagem em questão é a que ganha maior destaque e isso acaba ofuscando a de seu filho, que, pessoalmente, considero muito mais interessante. Basta enxergarmos, Vader é o clássico caso do anjo caído, enquanto Luke era um zé ninguém que quase entrou para a academia imperial, passou a fazer parte da aliança rebelde, quase caiu para o lado negro e, no fim, destruiu o Império.

O conflito interno do personagem, gostemos dele ou não, é muito interessante e garante uma notável profundidade a ele. Assistir Star Wars com o foco em Vader certamente não é algo ruim, mas tira nosso enfoque de aspectos cruciais dentro do universo em questão, como a luta pela liberdade almejada pela Aliança Rebelde. Acima disso tudo, para quem é completamente “virgem”, essa ordem estraga totalmente a revelação de que Darth Vader é pai de Luke! E sim, quando eu assisti O Império Contra-Ataca, com meus seis anos de idade, eu não sabia disso, é um choque monumental.

A “Machete Order” (Rogue One, IV, V, II, III, VI, VII)

Chegamos, enfim, à maneira que mais faz sentido em termos de narrativa, especialmente considerando a nova trilogia. Começando por Rogue One, conhecemos, desde cedo os horrores do Império, as chacinas cometidas pelos imperiais e à respeito da luta pela Liberdade, travada pela Aliança Rebelde. A figura de Vader é apropriadamente estabelecida como uma de ameaça, medo, encaixando perfeitamente com o início do Episódio IV.

Já em Uma Nova Esperança, com uma trama bastante simples, a luta da Rebelião continua, passamos a enxergar Rogue One como o perfeito prólogo dessa história, que, então estabelece Luke Skywalker como o personagem central de toda a saga. A batalha de Yavin ganha um peso ainda maior e o tom mais pessimista de Rogue One é substituído por um de esperança. Continuar para O Império Contra-Ataca, após esse filme, é um caminho mais do que óbvio.

O Império Contra-Ataca termina, somos deixados com um dos maiores cliffhangers da história do cinema, Luke descobre que Vader é seu pai, Han é congelado e levado para o Palácio de Jabba e somos deixados nessa expectativa conforme o filme se encerra com a frota rebelde se distanciando. Tudo isso é resolvido em O Retorno de Jedi, mas antes de irmos para lá, agora que descobrimos quem é Vader, vamos ter um flashback e descobrir sua história – um detalhe interessante é que a nave médica no final de O Império Contra-Ataca é vista indo para a esquerda, o que narrativamente falando pode simbolizar uma jornada para o passado, justificando um flashback, isso sem falar no momento contemplativo de Luke e Leia que olham para a galáxia pela janela.

Voltamos, portanto, ao Episódio II. Por que II e não I? Simplesmente porque A Ameaça Fantasmanão acrescenta NADA de útil à saga e ainda nos livramos de Jar Jar Binks e um podracing extremamente longo. Mas por que o Episódio I nada acrescenta? A resposta é simples, todas as informações ou acontecimentos de destaque dele podemos extrair direto de sua continuação.

No início de Ataque dos Clones já sabemos que Anakin é aprendiz de Obi-Wan, aliás, já sabemos disso desde Uma Nova Esperança (mais um motivo pelo qual é importante começar por ele). Padmé é colocada como senadora da República logo no texto de abertura. O Chanceler Palpatine também é introduzido nas cenas iniciais, junto do conselho jedi com Yoda e Windu. O romance de Anakin e Amidala ainda é revelado logo no princípio e se torna muito mais fácil de aceitar quando temos nossa imaginação para construir o que veio antes e não um filme que mostra que ela é uma grande pedófila. Mesmo a vida de escravo de Ani é revelada através de um diálogo com Watto, o que já estabelece a personagem de sua mãe e justifica a ira do Jedi posteriormente.

O posterior, A Vingança dos Sith, é o caminho óbvio, finaliza o flashback mostrando a queda de Skywalker. Aqui encontramos o que poderia ser considerado único defeito dessa “Machete Order” – na cena do parto de Padmé, descobrimos que Luke é irmão de Leia, o que estraga a revelação do Episódio VI. A verdade, porém, é que a revelação apenas é transferida para o Episódio III e trabalhada novamente no último filme da saga. O final, com Owen e Beru olhando para os dois sóis de Tattooine cria um vínculo direto com a trilogia original e nos transporta de volta para O Retorno de Jedi.

Assim, após assistir a criação do Império e como Anakin foi manipulado, vamos para o desfecho. O interessante é que, colocando os episódios III e VI lado a lado temos os dois clímax da saga juntos, além de ter o início e o fim do Império próximos um do outro. O mais importante do flashback, contudo, eu diria que é o distanciamento que ele cria entre O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, que permite uma maior sensação de passagem de tempo, que nos faz acreditar mais no crescimento de Luke (que se torna um cavaleiro jedi), dá o tempo para a criação da nova Estrela da Morte e, é claro, o tempo para Han ficar preso na carbonita. O término da saga, então, cumpre sua função de mostrar como a liberdade foi restaurada e como Luke superou as tentações do lado negro, redimindo seu pai e acabando com o Imperador.

Mas, é claro, que com os novos filmes a saga está longe de ser encerrada. E como O Despertar da Força se encaixa nisso tudo? Após deixarmos Luke no final de O Retorno de Jedi, era de se esperar que o Império acabasse por ali. Mas não é o que acontece, conforme vimos no Episódio VII. É o caminho mais natural, portanto, assistir O Despertar após O Retorno, ele continua a história e de imediato coloca o paradeiro de Luke como grande mistério – em outras palavras, a saga continua girando em torno do Skywalker!

Considerações finais

Naturalmente não há uma ordem certa para se assistir Star Wars, esta que apresentei aqui é apenas a que considero melhor. Vale a pena a experiência! Antes de encerrar, contudo, preciso dar uma sugestão: procurem assistir as versões de cinema da trilogia original – velhos VHS, DVDs ou até mesmo alguns fan-edits. Uma delas, particularmente interessante, é a Harmy’s Despecialized Edition, que recria as versões originais com som e imagens remasterizadas. Com isso, nos livramos do NOOOOO de Vader em O Retorno de Jedi e Hayden Christensen como fantasma da Força no desfecho.

Que a Força esteja com vocês!

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