Hacker (2015)

Dirigido por Michael Mann

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Esse filme é um daqueles casos onde NUNCA vou conseguir entender o ódio que recebeu e recebe até hoje por vários, já o que temos aqui é um perfeito espécime do bom cinema do estilo de cinema que podemos receber de Michael Mann. Que diferentemente de seu último filme antes desse, Inimigos Públicos, onde o diretor parecia mostrar ter um certo afastamento emocional da história e de seus personagens o que resultou em vários sendo vazios e um filme quase frio apesar de suas qualidades, aqui vemos exatamente o contrário com o diretor fazendo exatamente o filme que quer e por isso vemos que consegue funcionar tão bem.

Um bom e velho thriller de espionagem em escala mundial, que só por isso já garante um grau de entretenimento a ser encontrado, costurando uma trama política tão atual e relevante, revestido de todo o toque de autor que Mann consegue implementar em seu estilo visual e narrativo único. Que para muitos pareceu ser um mero caso de estilo sobre substância, que sim tem MUITO estilo e mais substância do que pode aparentar ter à uma primeira vista.

 

Estilo esse denotado na direção inspiradíssima, onde apenas vemos o velho diretor mais moderno que nunca, ao mesmo tempo se reformulando e evoluindo seu estilo técnico e visual notável no BELÍSSIMO uso de cores e luzes capaz de estourar os olhos com Mann usando e abusando da excelente fotografia de Stuart Dryburgh.

Junto de um uso BRILHANTE de câmera ‘hand-held’ nas brutais e tensas cenas de ação, onde parece que quando estas acontecem no filme o mundo de seus personagens parece tremer com a violência e o perigo tomando conta do momento, com uma energia enervante. Que culmina em um clímax absolutamente tenso, ouso dizer que não temos um clímax tão soberbo assim em um filme do Mann desde Colateral ou até do próprio Fogo Contra Fogo. Se algum dia houver uma cena de ação ruim em um filme de Michael Mann você com certeza não estará assistindo um filme dele.

E seus personagens complexos e cheios de camadas alimentam mais esse pacote, todos que apesar de suas perfeições aparentes não passam de perdidos no mundo mas amantes fervorosos de seu trabalho. Com o Hathaway de Chris Hemsworth sendo um perfeito representante do protagonista “MichaelManniano”, com sua crise existencial e perseguido pelos seus pecados, com o amor sendo sua ancora para se manter vivo num mundo coberto insaciável pela violência que ele pode cometer.

Talvez no final seja uma questão do antigo “ame ou odeie”, afinal esse é o estilo do cinema de Michael Mann, e ele está aqui mais autoral do que nunca fazendo exatamente um filme que ele queria com seus personagens abalados pela sua realidade e uma instigante trama tão atual e moderna que é habilmente dirigida do inicio ao fim com paixão, e só por isso já merece uma forte recomendação minha!

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