O Gângster (2007)

Dirigido por Ridley Scott

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Eu gostaria muito saber o que aconteceu com o Ridley Scott desse filme? O que aconteceu com este diretor que dirige cada espaço de centímetro de seu filme com um esmero de mestre; uma montagem precisa e fluída; uma cinematografia polida, e comanda um elenco nada menos que fantástico em praticamente todas as cenas. Realizando aqui um digníssimo épico drama de crime policial com todo o seu louvor!

Claro, nada vai tirar o mérito do velho diretor de ter realizado obras fantásticas no passado (e uma ou outra ainda hoje), mas desde a década passada Scott vem em uma montanha russa de qualidade em seus filmes podendo surpreender com ótimas surpresas como Os Vigaristas, Perdido em Marte, Falcão Negro em Perigo; ou fracas bagunças como Hannibal, Robin Hood, Exodus  e Um Bom Ano, entre outros medianos.

A coisa mais importante nos negócios é a honestidade, integridade, trabalho duro … família … nunca esquecer de onde nós viemos.

E este infelizmente esquecido e até subestimado filme consegue ser sim uma dessas suas ótimas surpresas, e porque não um de seus melhores filmes?! Talvez o filme tenha se sucedido tão bem exatamente por ter caído nas graças de ter um roteiro de Steven Zaillian, um dos melhores do ramo à anos, e só tende a comprovar minha teoria do quão bom Scott pode se transformar e demonstrar ser um exímio diretor quando tem um bom roteiro ao seu lado, como é exatamente o caso bem aqui!

Em uma narrativa que destrincha anos da história americana e de uma sociedade dominada e regida pelo crime, base mãe de muitas vidas e destruidora de outras. Onde a moral está sempre presente e em jogo, mas com a violência sempre prestes a tomar liderança. Em um palco de guerra entre a justiça e o mundo do crime que ressoa um clash de o Poderoso Chefão versão afro-americana blaxploitation com o Frank Lucas de Denzel Washington dominando na liderança, misturado junto com um thriller policial com a moral e justiça sempre em jogo com Richie Roberts de Russel Crowe como o homem viciado em seu trabalho e sem fuga emocional da mesma, estrutura digna dos melhores filmes de Michael Mann.

Sabe, você é o que você é nesse mundo. E isso pode ser duas coisas: Ou você é um alguém, ou você é um ninguém!

Onde a deveras longa duração reflete as proporções épicas que a guerra dos egos toma, e com certeza pode não agradar a todos, mas Scott garante em dirigir do inicio ao fim seu filme com uma energia incontrolável em seus momentos de brutalidade e um ritmo sempre preciso em cima do ótimo roteiro de Zaillian que realiza uma captura histórica fidedigna e realista, junto de um ilustre elenco brilhando com ambos excelentes Denzel e Crowe, ainda abrindo espaço para curtos mas ótimos Chiwetel Ejiofor e Josh Brolin.

É apenas na mais resumida definição, um excelente filme sendo feito na melhor forma madura, dramática, intrigante e cinematográfica possível, e que só mostra o excelente diretor que Ridley Scott pode ser quando quer!

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