Informações técnicas

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Distribuição: Fox
Duração: 136 min
Discos: 2
Embalagem: Steelbook
Luva: Não
Preço: R$ 99,90

Vídeo

Razão de aspecto: 2.35:1
Resolução: 1080p
Codec: MPEG-4 AVC (23.88 Mbps)

Áudio

Inglês: DTS-HD Master Audio 7.1 (48kHz, 24-bit)
Português: Dolby Digital 5.1 (640 kbps)
Espanhol: Dolby Digital 5.1 (640 kbps)
Francês: Dolby Digital 5.1  (640 kbps)

 

DISCO 01

O Filme

★ ★ ★ ★ ★ 

Mais do que uma história sobre garras de adamantium, clones, palavrões e sequências de ação violentas, Logan é uma obra intimista que se propõe a realizar um dos estudos de personagem mais complexos já realizados dentro do subgênero dos filmes de super-heróis. É mais do que compreensível que o título do longa seja justamente esse, pois o que vemos aqui não é uma aventura sobre Wolverine, mas o capítulo derradeiro da jornada de Logan enquanto ser humano (e mutante).

Desta vez, reencontramos o anti-herói vivido por Hugh Jackman como um sujeito diferente daquele visto na franquia X-Men: se lá tínhamos um indivíduo carrancudo, irreverente e bruto, mas que mesmo assim exibia uma bondade altruísta no fundo de seu âmago, aqui temos uma pessoa alquebrada, torturada pelo passado e que, em função disso, há muito abandonou qualquer interesse em ajudar o próximo, fazendo o possível para sobreviver e cogitando a possibilidade de tirar a própria vida. Resta saber, porém, o que conduzirá esta figura atormentada e desfigurada à redenção: será que Logan vai reencontrar seu espírito heroico ou passará o resto de sua existência abaixo da triste sombra de quem foi?

Desde a menina capaz de reativar o altruísmo do anti-herói até o clone que serve como uma representação de tudo aquilo que Wolverine pode ser em seus piores momentos, Logan é uma produção ambiciosa e dirigida por James Mangold não como uma obra explosiva e repleta de cenas de ação megalomaníacas ou vilões extravagantes, mas como um drama tocante e diferenciado. Corajoso ao se distanciar completamente dos demais capítulos da série X-Men, dos dois Wolverine e de DeadpoolLogan não é um “filme de super-herói” como estamos acostumados a ver, mas ainda assim traz como maior qualidade o fato de ser um filme sobre um herói.

Logan: Sem Volta

★ ★ ★ ★ ½

Assistir a este documentário é uma experiência curiosa para os que, como eu, já passaram horas discutindo Logan com seus amigos cinéfilos: tudo aquilo que conversamos é confirmado pela própria produção do filme, comprovando que os vários acertos da obra não foram “acidentes benignos”, mas frutos de uma carpintaria dramática brilhante. Lembram-se de quando comentamos que Logan inicialmente mantém distância de qualquer instinto altruísta a fim de evitar tragédias? Ou de quando falamos sobre o significado do destino do herói? Ou de quando percebemos como a aparência teoricamente “indefesa” de Laura se opõe à sua selvageria impressionante?

Pois bem, tudo isso é comentado pelos envolvidos na produção de Logan e pelo próprio diretor James Mangold – que, por sinal, parece ser um sujeito bastante ambicioso enquanto contador de histórias, já que realmente propõe abordagens dramáticas complexas e se esforça para evitar qualquer clichê que pudesse tirar a força da obra ou transformá-la em algo artificial. A intenção aqui não foi criar um “filme de super-herói” como vemos a cada dois ou três meses, e isto fica perfeitamente claro durante este documentário – e o comprometimento de Mangold com essa proposta ousada é tão aparente que passei a acreditar ainda mais que Wolverine Imortal foi uma obra controlada mais por executivos de um estúdio do que por um diretor com liberdades criativas.

Da trilha sonora melancólica até a concepção de um universo futurista dentro de uma ótica mais próxima e realista (afinal, o mundo real não parece mudar tanto assim em doze anos), Sem Volta ainda encontra tempo para emocionar o espectador lembrando que Logan marcou a última participação de Hugh Jackman como o querido Wolverine, fazendo jus a um filme que mereceu todo o cuidado demonstrado pela empenhada produção.

Cenas deletadas e estendidas

★ ★ ★ 

Verdade seja dita: Logan é ótimo do jeito como está, sem tirar nem pôr. Embora seja interessante ver algumas passagens adicionais, nenhuma é realmente indispensável – e algumas, inclusive, prejudicariam o filme, como aquela ambientada no meio da belíssima sequência do jantar e que traz Charles Xavier dizendo que Logan matou uma mulher amada no passado (aquele momento inteiro serve para aliviar a tristeza presente no resto da projeção, então eliminar este descanso para retornar à tragédia imediatamente seria injusto). A cena mais relevante dentre as deletadas é aquela onde um dos mutantes brinca com bonecos de Wolverine de Dentes de Sabre, acordando Logan e perguntando se “o que está nas revistas aconteceu mesmo?” (uma cena bonitinha, mas que serve apenas para ressaltar o que já era óbvio).

Trailers

★ ★ ★ ★

Quando o primeiro trailer de Logan foi disponibilizado na Internet, todos foram pegos de surpresa pela abordagem que aquele material entregava. Ao som da depressiva versão que Johnny Cash criou de Hurt, o vídeo era montado de maneira dinâmica e prometia um tom melancólico, trágico e diferente do que estávamos acostumados a ver em X-Men. Depois, veio o segundo trailer, reforçando o clima de tristeza e desesperança através de uma música que, novamente, tinha tudo a ver com o que era mostrado: Way Down We Go, da banda Kaleo. Não parecia um filme de super-herói, mas um drama ambicioso e intimista. E o fato do resultado final ter sido este é uma prova de que os trailers cumpriram o seu dever com honestidade (só não precisavam ter mostrado as garras de X-24, a mão de Logan se enfraquecendo ao segurar a de Laurie ou a imagem de dois personagens diante do que parecia ser uma cova).

DISCO 02

Logan Noir

★ ★ ★ ★ ½

Apesar do fanatismo incondicional que mantenho pelo universo de Mad Max, não morri de amores pela edição Black and Chrome onde George Miller relançou Estrada da Fúria em preto e branco. Além de descartar momentos belíssimos que foram conquistados graças a uma pós-produção cuidadosa (como as cenas noturnas que criavam um contraste impressionante entre o azul marinho e o laranja), Mad Max: Black and Chrome simplesmente não acrescentava nada ao filme enquanto linguagem cinematográfica, soando dispensável apesar do planejamento feito por George Miller.

Em contrapartida, o mesmo não pode ser dito a respeito de Logan Noir: estendendo a decisão estética encontrada pelo material de marketing, que investiu em estilosas imagens em preto e branco desde o começo da divulgação do filme, a versão “descolorida” de Logan merece aplausos graças ao cuidado com que foi feita. Não, não se trata de um processo simples onde um filtro foi jogado em cima de um arquivo para remover suas cores; nota-se que o ocorrido aqui foi um verdadeiro trabalho entorno da fotografia da obra, fazendo um jogo de sombras fabuloso e realçando o contraste entre tons fortes tanto de preto quanto de branco.

O resultado disso é uma sucessão de imagens belíssimas que merecem ser admiradas por um bom tempo – e se Mad Max: Black and Chrome me fez sentir falta das cores onipresentes na versão original, Logan Noir me pegou de surpresa logo em sua primeira cena, quando percebi que a falta do belíssimo reflexo do roxo no rosto do protagonista não pesou tanto quanto eu imaginava. Além disso, existe também um ótimo trabalho nas sequências ambientadas à noite, que surgem surpreendentemente claras e inteligíveis.

De todo modo, o mais intrigante em Logan Noir é a contribuição que a técnica preto e branco exerce narrativamente: ao adotar um estilo estético que remete a itens antigos (e ao próprio passado do Cinema enquanto linguagem), esta nova versão potencializa o aspecto trágico dos personagens, deixando ainda mais evidente o sentimento de nostalgia que conecta Logan e Xavier aos velhos tempos e a dor que ambos sentem ao sofrerem as consequências daquelas épocas antecessoras. Assim, o filme passa a soar como algo mais condizente com o passado, o que tem tudo a ver com os arcos dramáticos dos heróis.

Remetendo ao Cinema noir constantemente (algo que o próprio título da obra faz questão de enfatizar), Logan Noir é mais do que um mero caça-níqueis; é uma novidade que utiliza uma ferramenta (no caso, a fotografia em preto e branco) para enriquecer tematicamente uma obra que já era digna de aplausos em sua edição colorida – e pode até não ser necessariamente melhor do que a versão original (afinal, as cores quentes do deserto e os tons refrescantes da floresta continuam me atraindo bastante), mas vale a pena ser apreciada sem sombra de dúvida.

CONCLUSÃO

Este é um item indispensável para qualquer colecionador de Blu-rays ou filmes de super-heróis. Há, porém, uma falha grave que deve ser apontada: mesmo presente em ambos os discos, os comentários em áudio de James Mangold ficam praticamente sozinhos no meio do conteúdo geral, já que não há legendas em nenhum idioma para acompanhar este bônus. É um tropeço desagradável e frustrante, mas que felizmente surge menor em meio a tantos méritos discutidos ao longo deste texto – e é excelente que a Fox tenha lançado o filme em steelbook, dando continuidade a uma tendência que chegou ao Brasil com Velozes & Furiosos 6 e que vem se tornando cada vez mais presente desde que a saga Star Wars foi disponibilizada com essas embalagens. O acabamento da edição de Logan, aliás, é irresistível, algo que, junto com o bom preço de R$ 99,90 (levando em conta que os steelbooks são fabricados fora do país), torna este lançamento mais que recomendável.

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