O CONCEITO

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. O primeiro filme a receber esse formato foi Power Rangers que conseguiu dividir a opinião da equipe do site gerando a tempestade perfeita para testarmos o formato. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece! 

Atenção aos spoilers.

LADO A

Por Kevin Castro

O VISUAL IMPECÁVEL

Não há dúvidas: Guardiões da Galáxia Vol. 2 é o filme mais bonito da Marvel Studios. A fotografia do novo filme de James Gunn é simplesmente impecável, fazendo com que outros departamentos técnicos como a de direção de arte e maquiagem, brilhem – literalmente. A ambientação é muito bonita e bem construída, fazendo com que a verve cósmica da Casa de Ideias seja elevada. Os personagens aqui possuem muito mais presença, se comparados ao primeiro filme, a variação de entre entre diversos seres demonstra-se distinta. Em seus últimos filmes, neste aspecto, o estúdio vem desapontando, comprimindo o uso de cores mais fortes. Agora, com o erro corrigido, esperamos o melhor da vindoura Guerra Infinita e do MCU como um todo.

O MITO, JAMES GUNN

Sabemos como os estúdios de Hollywood vem interferindo cada vez mais no processo criativo. Bem, cada caso é um caso, e discutir se isto é bom ou ruim necessitaria uma conversa mais abrangente, mas Guardiões 2 é um exemplo de como uma única mente pensante funciona mais do que muitas. Quem acompanha de perto a carreira de James Gunn, sabe como este artista é bem peculiar: nunca procurou ser complexo em seus textos, mas ao contrário opta pela simplicidade. O que não é nem um pouco ruim. É esta simplicidade que faz Gunn ser um dos maiores nomes do gênero blockbuster nos dias de hoje, o diretor simplesmente dá uma aula. Sua direção é a melhor de filmes de heróis dos últimos tempos, demonstrando uma mão firme em todas as sequências. Em vários aspectos, sua dedicação é refletida ao longo da película. Seu amor por este universo é evidenciado assim quando a sessão é terminada. Gunn Rules!

EGO, O MELHOR VILÃO

O conjunto de bons vilões do MCU é bem escasso. Para alguns, o único realmente de certa qualidade neste universo é Loki, que rouba a cena em todos os filmes que aparece com seu carisma e imprevisibilidade. No entanto, finalmente somos presenteados com um vilão à altura: Ego, O Planeta Vivo, interpretado pelo grande Kurt Russel. O filme inicia-se com um flashback bem interessante, com o personagem e a mãe de Peter Quill, Meredith, ainda jovens. O roteiro de de Gunn não demora para voltar com o personagem em cena, dando assim um bom tempo de desenvolvimento. Ego é reapresentado como uma figura paterna arrependida, disposto a corrigir seus erros, a criar uma relação melhor com o filho. Mas ao desenrolar da história a frieza do personagem é exposta. Mesmo com o tom leve do filme, é impossível não se sentir chocado com tamanha crueldade quando ele revela, por exemplo, ter causado o câncer de Meredith. Mesmo que o objetivo de Ego seja controle e mais poder, algo comum em personagens do tipo, seus planos são muito bem desenvolvidos, e este vínculo forte com Quill, o torna tão singular.

Os PERSONAGENS

Preciso confessar algo, por mais que eu rasgue elogios a Guardiões da Galáxia Vol. 2, não sou um grande fã de seu antecessor. Não há dúvida de que os personagens já no filme de 2014 eram carismáticos, porém, tirando algumas cenas do final deste, sempre senti falta de um elemento a mais, que causasse algum vínculo maior. O foco sempre foi Peter Quill, e aqui continua sendo, porém com ressalvas… A equipe, obviamente, encontra-se melhor estabelecida, a relação entre eles é mais forte. Um exemplo desta melhora trata-se de Nebula, antes apenas uma personagem para cenas de ação, agora é melhor aprofundada fazendo-nos entender todo o ressentimento por Gamora. Gunn ainda introduz Mantis, como ferramenta para transpor detalhes mais introspectivos de terceiros – quem acaba mais sofrendo com isto é Drax, através de um ótimo Dave Bautista. Groot, claro, é o mais icônico e querido por todos, sua participação não deve ser desconsiderada. Há também a ótima parceria entre Yondu e Rocket Racoon, que possuem a melhor sequência do filme em minha opinião. O primeiro, com certeza, é o que sofre maior destaque, com uma morte que sintetiza muito bem o amor recatado por Quill. Aliás, que cena memorável… e a carga deste momento é mantida com maestria posteriormente.

A TRILHA SONORA

Após Guardiões da Galáxia, criou-se uma pequena tendência incluir na trilha sonora músicas clássicas de rock e pop, no entanto, nenhum filme ainda soube utilizar o artifício tão bem. Na verdade, foi-se aplicado de maneira banal o método – vide o péssimo Kong: A Ilha da Caveira e o confuso Esquadrão Suicida. Ao contrário de seu antecessor, o Awesome Mix Vol. 2 é mais discreto, incluindo artistas não tão conhecidos pelo público, e James Gunn e Tyler Bates acertam em cheio na seleção, incluindo grande canções que contribuem para a história. A faixa original para o filme, “Guardians Inferno”, cuja primeira parte trata-se de um instrumental com uma mistura de duas décadas: o soul dos anos 70, com uma batida estilosa de guitarra, tilintar de pratos seguido de um ataque na caixa, e o techno music oitentista com o apoio vocal de David Hasselhoff. Emblemático!

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