O CONCEITO

» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

Atenção aos spoilers.

LADO B

Por Pedro Guedes

PERSONAGENS INACREDITAVELMENTE RASOS

Dizer que os personagens de Alien: Covenant são rasos, apáticos ou incapazes de conquistar a empatia do público seria um tremendo de um eufemismo. Os heróis que surgem durante o filme não são sequer definidos por características simplistas; não, eles simplesmente são adereços cênicos que servem para mover a trama de vez em quando. No fim da projeção, constatamos que não sabemos praticamente nada sobre a maioria dos personagens, nem mesmo os aspectos mais óbvios de suas personalidades – sabemos apenas que Billy Crudup é o líder antipático e que Katherine Waterston se esforça para ser uma nova Ripley. Fora isso, os únicos que contam com algum conceito além do básico são os androides vividos por Michael Fassbender; que, mesmo assim, é desenvolvido de maneira terrivelmente superficial. Para piorar, o roteiro ocasionalmente joga uma ou outra frase sobre John Denver ou O Fantasma da Ópera acreditando que isso é o suficiente para compor uma química entre os personagens.

A DIREÇÃO DE RIDLEY SCOTT

Em 1979, Ridley Scott deu origem a um terror sofisticado e com um ritmo calmo que aproveitava essa falta de pressa para pegar o espectador de surpresa, assustando o público de forma legítima e calculada com eficiência. Agora, peguem a cena onde uma criatura sai do peito de John Hurt e comparem com a hilária sequência onde o xenomorfo sai das costas de um personagem em Alien: Covenant (e que é marcada pela presença da tripulante mais estúpida e desastrada que já vi na vida). Quando um momento se propõe a ser amedrontador e acaba despertando risadas involuntárias, é porque algo está muito errado – e, no caso, isto é fruto da direção de Ridley Scott, que conduz o filme com uma preguiça digna de um cineasta genérico e que se limita a copiar o que o responsável por Alien – O Oitavo Passageiro havia feito há 38 anos.

ROTEIRO DESASTROSO

Se Prometheus deixava uma série de pontas soltas e prometia que estas seriam resolvidas numa futura continuação (o que, por si só, já é algo problemático), Alien: Covenant desrespeita o público e abandona todos os questionamentos levantados pelo antecessor. E mais: se o conceito de “criação que quer se transformar em Criador” poderia soar interessante, o filme opta por abordar essa ideia de maneira superficial e decepcionante. Além disso, o que dizer sobre as explicações excessivas, como a elaboração de uma segunda origem possível para o xenomorfo? Para completar, o roteiro é mal estruturado a ponto de incluir dois finais. Você não leu errado: “dois”; “finais”.

A FRANQUIA ESTÁ CLARAMENTE DESGASTADA

É inegável que Alien – O Oitavo PassageiroAliens – O Resgate são obras excepcionais – e mesmo sem ser um bom filme, Alien³ tinha um propósito compreensível para existir: encerrar a jornada de Ripley e complementar ainda mais sua trajetória materna. Depois disso, vieram clones, crossovers com Predador, explicações desnecessárias, discussões sobre a origem da vida e etc, resultando numa sequência de filmes que tendem a piorar cada vez mais. Alien: Covenant deixa claro que já está na hora de parar com a franquia ou então inová-la de forma decisiva, pois parece que não há mais o que ser contado. Existem várias situações que são meras reciclagens de outros eventos já vistos na série, desde a concepção do suspense até a elaboração de cenas como as que trazem os tripulantes explorando planetas desconhecidos ou agindo dentro de suas espaçonaves. Até mesmo a solução final que os personagens encontram para o perigo é a mesma que víramos em capítulos anteriores!

alien covenant novo trailer

É UM FILME ESTETICAMENTE ABORRECIDO

Quando eu me lembro de Quarteto Fantástico (a versão de 2015) assistindo a um filme, é porque algo está errado de novo. Isto ocorreu aqui: a fotografia é sem graça e escura demais, como se tentasse conferir seriedade ao projeto investindo numa paleta de cores sem vida; os efeitos visuais estão anos luz da perfeição que havia em Prometheus (um dos poucos acertos daquele longa), tropeçando especialmente na criação dos alienígenas digitais horrorosos; a trilha sonora só atrai quando resgata os temas que Jerry Goldsmith compôs para o filme de 1979; e o design de produção é competente, mas nada diferente do que já podemos prever de um exemplar da franquia Alien. Trata-se, em suma, de uma obra esteticamente desinteressante, pouco inspirada e que parece ter sido feita nas coxas.

Clique Aqui para ler o Lado A!

Comente!