O CONCEITO

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

Atenção aos spoilers.

LADO B

Por Miguel Forlin

Um filme genérico

Sei que Mulher Maravilha é importante tanto por ser o primeiro longa metragem  da maior heroína de todos os tempos (o filme de 1974 foi feito para a televisão) quanto pelo fato de também ter sido o primeiro filme de super herói dirigido por uma mulher, a cineasta norte americana Patty Jenkins. No entanto, tirando isso da frente e se restringindo a uma análise mais crítica, o que se tem é uma história de origem banal, idêntica à de inúmeros outros filmes, na qual a heroína vai descobrindo o seu papel e importância aos poucos, além de uma direção genérica de Jenkins, sem grandes atrativos técnicos ou narrativos. Não é ruim, mas o espectador já viu esse mesmo filme em outras oportunidades. A única diferença é que o protagonista era um homem.

Cenas de ação e efeitos especiais ruins

Há quem goste, mas é muito difícil defender algumas das opções estéticas feitas por Patty Jenkins em Mulher Maravilha, principalmente, no que diz respeito às cenas de ação. No entanto, talvez seja uma injustiça culpá-la, uma vez que essas cenas são idênticas às compostas por Zack Snyder em seus filmes. É impossível não enxergar nas câmeras lentas e na estilização excessiva o dedo indevido do cineasta responsável por atrocidades como O Homem de Aço e Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça. Para piorar, a maioria dos efeitos usados no longa são muito ruins, deixando claro para o espectador a sua natureza digital. Em certos momentos, parece que estamos acompanhando um jogo de videogame.

Vilões fracos e caricatos

É evidente que Allen Heinberg, o roteirista de Mulher Maravilha, tinha a intenção de criar vilões caricatos que beirassem o cartunesco, mas também é evidente que ele errou na dose. Em nenhum instante o público sente que os personagens interpretados por Danny Huston (Ludendorff) e Elena Anaya (Dr. Maru) são ameaçadores ou capazes de proporcionar algum risco à vida de Diana (Gal Gadot). A única reação que eles conseguem gerar é o escárnio. Além disso, para justificar a luta final do personagem com Diana e um recurso narrativo pífio (a impressão de que Ludendorff é Ares, o deus da guerra), Heinberg teve de recorrer a um pó que o transforma em um super ser. Mas, no que consiste esse pó, ele não sentiu a menor necessidade de explicar.

A revelação final é extremamente previsível

O objetivo do roteiro era tornar a revelação final da história em um elemento de choque. Porém, todos que assistem ao filme sabem logo de cara que Ares não é Ludendorff (embora o filme faça questão de insistir nesse desengano) e sim o Sr. Patrick (David Thewlis). Afinal de contas, nunca um estúdio de Hollywood bancaria o salário de um ator do calibre do inglês David Thewlis para interpretar um personagem tão insignificante quanto o Sr. Patrick. Sendo assim, era claro que a história reservava algo a mais para o experiente intérprete. Como a grande maioria o conhece de outros carnavais, a maior surpresa do filme acaba se tornando um fiasco gigantesco.

Luta entre Diana e Ares é cafona e risível

Além de conter uma mudança de postura abrupta por parte de Diana (ela vai do ódio ao amor pela humanidade numa questão de segundos), a cena de luta entre Diana e Ares é cafona e risível. Como respeitar um vilão que profere frases de efeito no meio de uma batalha ou achar edificante o momento em que a protagonista se defende dos ataques enquanto caminha e fala sobre diversas coisas? Em Mulher Maravilha, poucos elementos se mostram tão equivocados quantos aqueles que estão presentes nessa cena.

Clique AQUI para ler o Lado A

Comente!