O CONCEITO

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

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O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

Atenção aos spoilers.

LADO B

Por Miguel Forlin

Um dos piores vilões de todos os tempos

Liga da Justiça tem dividido as opiniões, mas se há algo com que todos concordam é a precariedade do Lobo da Estepe (Ciáran Hinds), o grande vilão do longa. Tanto nos filmes da Marvel quanto nos da DC, os antagonistas costumam ser figuras unidimensionais e pouco marcantes. No entanto, quase sempre existe uma tentativa de lhes dar uma motivação ou profundidade psicológica. Já em Liga da Justiça, não há nada disso. Ele surge e age e o público não sabe de onde ele veio e o porquê de suas ações. Para piorar, de sua boca saem apenas frases feitas e o CGI usado para trazê-lo à vida é um dos piores vistos nos últimos anos. 

Alívio cômico, o seu nome é Barry Allen

No cinema, o humor sempre é uma força poderosa. Todavia, para ser funcional, ele precisa surgir naturalmente na narrativa, ainda mais quando se trata de um alívio cômico. Caso contrário, obtém-se algo parecido com o que acontece em Liga da Justiça. Embora surja em cena protagonizando um momento dramático, Barry Allen (Ezra Miller) passa o restante do filme fazendo piadas e arregalando os olhos sempre que é dito ou acontece algo que lhe surpreende. A forçação é tanta que o público chega a se acostumar com isso. Toda vez que o personagem aparece, é impossível não esperar que saia dos seus lábios alguma piada infame e desnecessária. 

Um roteiro mal desenvolvido

Devido ao fato de que três dos seis membros da Liga da Justiça não tinham sido apresentados ao público, o longa que os reuniu pela primeira vez teve de dedicar parte da narrativa às suas respectivas introduções. Isso fez com que o roteiro recorresse a um medley óbvio e simplista no primeiro ato, quase do mesmo nível daquele visto em Esquadrão SuicidaAlém disso, como a metragem enxuta era uma exigência do estúdio, todas as situações dramáticas abordadas na história se resolvem rápido demais. Não há conflito ou dramaticidade. Tudo o que aparece é apenas um pretexto para a próxima cena.

Falas e diálogos expositivos

Apesar de existiram informações que só podem ser transmitidas verbalmente, uma das regras básicas do cinema é a de que, caso o seu filme não use a fala como objeto de discussão ou um elemento especial dentro da narrativa (as adaptações teatrais e os filmes de Manoel de Oliveira foram as primeiras coisas que me vieram à mente), a maior parte do conteúdo deve ser transmitida através da imagem. Em Liga da Justiça, essa noção é completamente desrespeitada, mas não pelos motivos corretos e sim por pura preguiça criativa. Tudo o que está acontecendo externamente ou no interior dos personagens é verbalizado. 

Adeus, personalidade

Inegavelmente, nenhum filme do Zack Snyder é desprovido de personalidade. Cada uma de suas obras contém uma marca autoral, o dedo de um sujeito preocupado em desenvolver um estilo e uma visão de mundo particulares. Assim, por mais que desgoste de boa parte de sua filmografia, admiro a ambição e ousadia com que os filmes são feitos. Liga da Justiça, por sua vez, embora seja assinado pelo diretor, deixa claro que foi realizado de acordo com as exigências comerciais do estúdio. Na maior parte do tempo, o que há por trás do longa é o emprego indiscriminado de uma fórmula. Curiosamente, a mesma que a editora adversária usou para adquirir imenso sucesso. Admissão de fracasso mais vergonhosa que essa não existe.

Clique AQUI para ler o Lado A.