O CONCEITO

Dia vs Noite, TWD vs GOT, DC vs Marvel, BvS vs Guerra Civil, Xbox vs Playstation, Flamengo vs Fluminense, Android vs iOS, McDonalds vs Burger King, Nerd vs Nerd, Fanboy vs Fanboy.

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O multiverso nerd é pautado por discussões intermináveis e, geralmente, extremamente redundantes. Mas com toda a certeza a gente adora aquela treta cósmica para provar que um lado é melhor que o outro – mesmo que o único convencido na discussão seja você mesmo. Analisando essa treta tão peculiar, decidimos trazer um pouco desse espírito “saudável” de discussão para o nosso site.

Sejam bem-vindos ao Cine Vinil! Calma, antes de soltar os cães nos comentários, entenda nossa proposta. Os discos de vinil foram um dos itens mais amados para reprodução de arquivos sonoros. Sua grande peculiaridade eram os lados A e B. O lado A era utilizado para gravar os hits comerciais das bandas, músicas mais populares. Enquanto o Lado B era mais voltado para canções experimentais ou mais autorais.

No caso, nos inspiramos pelos lados opostos do mesmo “disco” – de uma mesma obra. Serão dois artigos: o Lado A, que contém a opinião positiva, e o Lado B, com a versão negativa. Os autores, obviamente, serão distintos, e escolherão 5 pontos específicos da obra para justificar seus argumentos.

Explicado o conceito, nós lhes desejamos aquela ótima discussão para defender o seu lado favorito! Quem ganhou? Lado A ou Lado B? Que a treta perfeita comece!

Atenção aos spoilers.

LADO B

Por: Leandro T. Konjedic

 O FILME É INÚTIL

É triste esperar 10 anos por um filme-evento cujos acontecimentos de maior incidência dramática envolvendo algumas mortes bem impactantes serão desfeitos no filme sucessor ao fechar a quadrilogia. Não somente bota em xeque a credibilidade do Universo Cinematográfico da Marvel como tira todo o peso e relevância de um terceiro ato – ou até antes – que renderia arcos excelentes para os personagens sobreviventes. Convenhamos, não é a primeira vez que o MCU brinca com as mortes de mentirinha; entretanto, a hora de se arriscar e limar alguns integrantes que estão cumprindo hora extra seria essa. Infelizmente, os mais importantes deles já estão com seus próximos filmes solo confirmados, invalidando qualquer possibilidade de terem sobrevivido. São duas horas e trinta minutos de um filme que será anulado.

HUMOR DESMEDIDO

Que as produções do Universo Cinematográfico da Marvel carecem de medição da dosagem de humor é amplamente reconhecido. Desde Homem de Ferro 3, quando começaram os exageros, não pararam mais. Em Guerra Infinita não é diferente. Há blocos inteiros apenas dedicados a uma piada ou uma sucessão delas sem propósito narrativo ou como muleta de definição e desenvolvimento de personagens. Personagens antes centrados agora são usados exclusivamente como alívio cômico como o Bruce Banner de Mark Ruffalo – emburrecido, mais complacente, com uma atuação pouca inspirada e acompanhado de uma carga de humor mal escrita e que não lhe pertence.

DESEQUILÍBRIO DE TONS E PERSONAGENS

Devido ao ponto anterior, o longa pena em se conter com um tom geral mais coerente. São diversos os momentos dramáticos mas igualmente abundantes as tiradas cômicas. Não há um equilíbrio respeitável e a obra a todo momento parece lutar com si mesmo para definir uma identidade. Já a respeito dos mais de 40 personagens que prometeram, era evidente que uns recebessem mais destaque do que os outros. Todavia, alguns que fizeram parte de eventos centrais do MCU são completamente resguardados para escanteio e mais da metade do elenco simplesmente não possui algo de revelante com o que trabalhar.

SUBTRAMAS FILLER E CONTRADIÇÕES

Em mais de duas horas e meia de projeção, era esperado que a trama se centrasse nos eventos principais de forma direta e objetiva devido aos 10 anos de construção com antecedência. O que não esperávamos era que fôssemos presenciar uma side quest do Thor em busca de uma nova arma para direcionar seu poder para assim ter uma chance contra o Titã Louco. Em Ragnarok, havia ficado estabelecido que o Deus do Trovão não mais necessitava de um artifício físico para lhe ajudar com sua conjuração de raios ou voo, mas foi a primeira decisão do personagem de Chris Hemsworth depois do primeiro encontro com Thanos. Um arco inteiro jogado fora. Enquanto isso, não vimos o que ocorreu com Xandar.

ROTEIRISMOS E A SÍNDROME DO BLOCKBUSTER MODERNO

Desde ausências injustificáveis de personagens até sumiços repentinos de asgardianos (Valquíria, Korg e Miek) e sintomas de misericórdia ou burrice por parte do vilão – que evita a todo custo durante as batalhas usar os poderes mortais fornecidos pelas Jóias conquistadas. O roteirismo em uma produção dessa escala dentro do gênero é essencial, a não ser quando ofende a inteligência do espectador e o obriga a exaurir todo o restante de suspensão de descrença em nome de cenas de ação viciadas e uma história mais palatável. A síndrome do blockbuster moderno está igualmente impregnada nos diálogos expositivos – que repetem informações dadas em pelo menos 6 filmes da franquia – e na mediocridade de encenação das cenas mais megalomaníacas. A falta de tato cinematográfico continua e as refilmagens e cortes várias linhas narrativas anunciadas anteriormente comprova o interesse mercantil em comprometer lógica, substância e momentos silenciosos poderosos – como o de Thanos na dimensão das Almas que dura segundos – em nome de um produto mais apropriado para consumo rápido. Um produto gigante mas burro.

Clique aqui para ler o Lado A.

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