Lado A

Por: Raphael Klopper

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O Estudo de Personagem

Uma coisa bem notável na filmografia de Christopher Nolan até antes dele se desventurar aqui na sua versão do Batman, é como ele gostava de mergulhar no psicológico de seus protagonistas e desvendar o embate moral e as emoções em povorosas que cada um carrega dentro de si. Assim havia sido com Amnésia e Insônia e é aqui em seu Bruce Wayne/Batman. E pela primeira vez na história do cinema, vimos e entendemos o personagem de Bruce Wayne, sua trágica história, seus traumas e medos. E através disso, compreendemos as suas reais e profundas motivações para se tornar o vigilante mascarado vestido de morcego que tanto conhecermos e amamos, e aqui simpatizamos e torcemos por ele a todo o tempo!

A História Definitiva

E é assim meus amigos que se realiza a perfeita história do vigilante morcegão. Sem nunca precisar recorrer a ser esteticamente e narrativamente leal à tudo dos quadrinhos ou voltar a pegar emprestado dos (bons) elementos passados do herói no cinema, Nolan buscou e criou aqui, com louvor, história mais leal e que melhor definiu o Batman no cinema. Desde suas origens que ressoam de forma perfeita a aura de Batman Ano Um de Frank Miller; seu intenso confronto contra o crime organizado de Gothan ao lado de seu fiel aliado, o Comissário Jim Gordon, que lembra fortes traços de O Longo dia das Bruxas de Jeph Loeb; seu embate violento com seu nêmesis, o Coringa, que carrega o perfeito e psicótico espírito de Piada Mortal de Alan Moore; e sua épica conclusão mordaz que traz elementos certeiros da Queda do Morcego em seu brutal confronto com Bane, e o retorno à sua vestimenta de herói após um exílio vindo de Batman: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Em outras palavras, quem diria que os filmes mais cinematográficos do Batman conseguiria ser um dos mais quadrinhescos ao mesmo tempo?! É assim que se cria uma narrativa tão coesa e ao mesmo tempo tão leal ao espírito dos clássicos quadrinhos do herói.

Os Maiores Vilões em suas definitivas encarnações!

Dizer que o Batman tem o maior leque melhores vilões que um super-herói já teve é apenas ressaltar o óbvio. E Nolan se mostrou tão ciente disso ao por em vida alguns dos melhores vilões do Morcegão em tela como se tivessem sido retirados dos quadrinhos e apenas sendo aprimorados para o nosso mundo real. Balbuciar sobre o Coringa de Heath Ledger é dizer o que todos já sabem, é o Coringa definitivo, um dos maiores vilões da história dos quadrinhos se tornou um dos maiores (e com certeza o maior) vilões do gênero de super-heróis e ouso dizer de todo o cinema graças a uma performance não menos que extraordinária. Mas os outros encarnados merecem o devido destaque! Como o sábio mentor extremista de Ras Al-Ghul de um excelente Liam Neeson; o psicótico e tenebroso Espantalho de Cilian Murphy; O trágico e idealista psicótico Duas Caras de Aaron Eckhart; o mercenário, gênio e intimidador Bane de um soberbo Tom Hardy. Onde todos eles se tornam a antítese perfeita de seu herói, assim como nos quadrinhos, todos são seu exato oposto e por isso são tão temíveis e memoráveis!

Os Melhores Intérpretes

Infelizmente pra muitos, a única performance que se destacou na trilogia foi o já mencionado grandioso Coringa de Heath Ledger. Mas o elenco que fora reunido aqui não passa de ser simplesmente maravilhoso e onde cada um encarna seus personagens com extrema convicção emocional e psicológica de cada um. Desde o elenco coadjuvante de luxo com Gary Oldman encarnando de cabo a rabo o Comissário Gordon em todo seu convicto senso de justiça; e Michael Caine sendo um dos Alfreds mais calorosos e fortemente conectado dramaticamente com a jornada de Bruce, e ao mesmo tempo um dos mais linguarudos sempre com tiradas cômicas certeiras e possuindo um certo ar de mistério sutil em relação a seu passado, que só tornam seu personagem ricamente complexo e Caine o intérprete de forma simplesmente soberba. E claro, Christian Bale com sua voz de câncer como Batman, que embora se justifique como um disfarce de sua voz de Bruce Wayne de forma realista, talvez seja o único elemento fraco em uma performance nada menos que ótima. Um Bruce Wayne quebrado e traumatizado, que usa de seus medos como arma contra o crime e injustiça que tanto despreza, e usa da figura de seu Batman como um símbolo de justiça e esperança. Pode não ser a encarnação definitiva, mas é uma capaz de conquistar forte empatia emocional de seu público e nos permitir se investir nessa épica jornada do início ao fim!

A Adaptação pé no chão

“Muito sombrio; depressivo; se leva a sério demais”, são alguns dos constantes pitacos que ouço direcionados até hoje para a trilogia de Nolan, e para outros filmes da DC que beberam da mesma fonte. Mas eis algo tão corajoso e bem realizado que Nolan criou aqui para sua adaptação do herói, e que redefiniu por anos a forma de contar histórias nos filmes do gênero até hoje! Se aproximar de nossa realidade, mas sem perder o lado fantástico nas dosagens certas. É o equilíbrio perfeito em todos esses fatores realizados aqui. De um lado cremos na existência de um Batmóvel tão foda como o Tumbler, e seus outro derivados como o Bat-Pod, e do outro acreditamos como uma pessoa como Bruce Wayne conseguiu aprender as habilidades fantásticas para se tornar o vigilante mascarado. E em volta disso, construiu a tonalidade perfeita, e diversificada, ao longo da trilogia. Começando com uma história de origem dramática em Batman Begins, indo para um thriller Noir ala Michael Mann em Cavaleiro das Trevas e finalmente um digno épico em Cavaleiro das Trevas Ressurge. Sendo sim sombrio em sua aura dramática pesada em vários momentos, mas sem nunca perder seu senso de diversão garantido boas e certeiras tiradas de humor acompanhado de algumas excelentes e eletrizantes sequências de ação. É a perfeição dos filmes de super-herói que tantos almejam.

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