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Para começar a falar sobre esse filme especial e sobre o porque ele é tão especial, devemos encarar como ele surgiu na forma de um ponto culminante na carreira de um dos melhores diretores de todos os tempos, o senhor Steven Spielberg, você já deve ter ouvido falar. 

Conhecendo o histórico da filmografia do diretor até antes de A Cor Púrpura em 1985, Spielberg era o jovem promissor talento apenas conhecido pelos seus grandes sucessos comerciais, filmes que já fazem parte da memória pop cultural de forma instantânea. Um filme sobre a caça um tubarão monstruoso selvagem serial killer; um onde o François Truffaut e o Richard Dreyfus se comunicam com aliens usando notas musicais; dois filmes sobre um professor arqueólogo porradeiro que caça tesouros e usa chapéu de cowboy; uma história de amizade entre um menino e um ET de poucas e fofas palavras; exemplos bem familiares, não?!

Porém, mesmo tendo recebido tanto sucesso financeiro e elogios das críticas ao longo dos anos com esses filmes, tirando seu enorme deslize com 1941 – Uma Guerra Muito Louca, Spielberg nunca fora visto como um diretor com seriedade artística. Apenas um ótimo diretor comercial com brilhantes habilidades de agradar e conquistar o público, e nada mais que isso. Com certeza era algo que o próprio Spielberg tinha noção, e que apesar da sobriedade amedrontadora presente em sua estreia com Encurralado; e a triste história real do seu subestimado Louca Escapada; sem falar da intensa brutalidade empregada em Tubarão e Indiana Jones: Templo da Perdição; Spielberg sabia que precisava mais do que tonalidades fortes visuais em seus filmes para que ele pudesse comprovar sua maturidade como cineasta, e a sua chave para isso foi a ousada adaptação da amada obra de Alice Walker, A Cor Púrpura.

A trama gira em torno da triste história de vida de Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem cujo pai a estuprava ainda na adolescência e depois deu seus dois filhos à venda para outras famílias. E mais tarde, deu a sua mão em casamento para o Sinhô Albert (Donald Glover), um cruel e esnobe senhor de terras que começou a trata-la feito uma escrava, cuidando de seus filhos arruaceiros, tomando conta de sua casa como empregada doméstica e a noite sendo usada como objeto sexual. Até que sua irmã mais nova Netie foge de casa e vai morar com Celie e seu novo marido, onde as irmãs lutam para se manterem unidas até que o Sinhô tenta estuprar Netie que lhe machuca nas partes íntimas, o enchendo de raiva e separando abruptamente ambas irmãs. E com o passar dos anos, Celie vive uma vida de servidão e abusos como sua rotina diária, apenas observando a vida e o tempo dos outros a sua volta passar, sem que nenhuma esperança ou fé lhe sejam possíveis crer. Isso até a chegada da amante do Sinhô, Shug Avery (Margaret Avery) cuja personalidade e sentimentos prometem talvez mudar a vida de Celie.

Uma história de completude dramática complexa e cheia de camadas a se atingir, de fato. Mas esse nem sequer foi o maior desafio para Spielberg como diretor e artista para com a realização de A Cor Púrpura. Apenas tentem se por em seu lugar e imaginem o quadro da situação: Spielberg sendo um homem branco judeu magricelo se propondo a realizar a adaptação de uma obra escrita por uma mulher negra, Alice Walker, que explora um retrato de gerações atrás de gerações de árvores genealógicas familiares, dominadas por uma cultura de subserviência ditadas pela propagação da raiva e o ódio. De brancos para negros, de pais para filhos, de maridos para esposas, de homens para mulheres. A repreensão negra, cultura machista ignorante, a defloração moral do meio familiar e da integridade religiosa. Tudo isso, sendo espelhado nessa pequena comunidade rural negra no Sul dos EUA, que formam o palco da vida de Celie. E foi esse palco, esse quadro e essa história alegórica de uma cultura, que foi a chance de Steven Spielberg mostrar seu alto valor artístico como cineasta. 

Apenas imagino o quanto Spike Lee deve ter se contorcido com esse filme, ainda mais depois do mesmo já ter dito que se sentiu ofendido com Amistad, outro divisório filme de Spielberg focado em temas da cultura e história negra. Afinal isso hoje seria visto como um verdadeiro ultraje certo? Um diretor homem branco dirigindo uma história de uma mulher negra, envolvendo a exploração de todas as temáticas sócio-culturais inimagináveis que o rico livro de Walker desmembra de forma soberba. Mas, antes de qualquer outra divagação de identidade étnica por aqui, permita-me de que, antes de qualquer coisa, estamos falando de um dos diretores mais competentes e profissionais de todos os tempos, trabalhando até hoje. Então, no mínimo do mínimo das hipóteses do que poderia acontecer, é que teríamos com A Cor Púrpura uma fiel e respeitosa adaptação da obra de Walker. Mas, graças aos talentos do diretor, temos tudo isso e muito mais, com esta bela história sendo contada por um dos maiores contadores de história do cinema!

A Cor Púrpura de Steven Spielberg!

Um lema recorrente de Spielberg, sempre foi de que se há uma boa história, ela merece ser contada! E ele com certeza fincou isso em prática aqui no seu primeiro longa dito adulto e dramático. Mas embora o material fonte lhe rendesse essas fortes temáticas a serem exploradas, Spielberg não conseguiu escapar de constantes críticas que o perseguem até hoje, sobre sua adocicada da história. Praticamente, amenizando as várias brutalidades impostas à Celie no livro de Walker, e amenização de outros elementos de cunho íntimo (e sexual). E de fato, Spielberg talvez ainda não estivesse maduro o suficiente como diretor para tocar em certos elementos com tanta precisão requerida como Alice Walker tocou no livro. Porém, isso não o impediu de ser absolutamente fiel ao espírito e essência da obra original, sem desvirtuar-la de nenhuma forma aqui.

Ao adaptar a história de Walker a partir de seu ponto de vista como diretor, e colocando o público inteiramente no lugar de observador à partir do olhar de Celie, vemos a história se desenrolar sempre pela ótica de sua protagonista e vemos como Spielberg constrói o universo da personagem, não só como uma visão de mundo do negro americano, mas também a de um mundo matriarcal vivendo na presença da repreensão e violência patriarcal. Uma cultura dominada pelos desígnios ignorantes de falsa superioridade masculina no meio familiar, idéias movidas à crueldade que passam de geração para geração. A história de Celie se torna uma perfeita representação de várias outras tantas histórias similares que alguém já deve ter ouvido ser contada por avós, mães, tios ou tias. Que envolvem essa forma de violência já tão impregnada na natureza humana, onde ambos Spielberg e Walker parecem querer mostrar o berço desta como uma causa colateral do meio em que vivem. Onde a repreensão a comunidade negra, em um país predominantemente branco, se perpetuava firme e forte.

Só nesse meio temático de formato alegórico, já dá pra perceber como Spielberg não desvia seu olhar nem um pouco das ações degenerativas presentes na história. De caráter racial, como quando seguimos Celie em uma simples ida cotidiana na mercearia, onde o vendedor branco trata o cliente branco como alguém da família, e trata a cliente negra com desdém e grosseria; ou como um simples desentendimento verbal ocasiona na violentação e prisão de uma das principais personagens do filme, Sofia (de uma soberba Oprah Winfrey em sua estreia no cinema), em uma cena sufocante e dolorosa, mas precisa em mostrar a sensação abusiva e injusta de uma repreensão racial pública. E de caráter íntimo e familiar representado em, praticamente, tudo de ruim que acontece a Celie.

A cena em que Celie e sua irmã Netie são separadas aos socos e empurrões do Sinhô, é um dos momentos mais crus e dolorosos de se assistir que Spielberg já filmou, onde de cara é quase impossível conter lágrimas de dor. Quando Netie grita em voz seca e derramando lágrimas sem parar: POR QUÊ?! POR QUÊ?! – nos perguntamos a mesma coisa! Por quê tanta maldade?! Por quê tanto ódio?! Isso só se torna ainda mais doloroso por nos sentirmos tão próximos de Celie, com Spielberg nos colocando em seu lugar do início ao fim em seu sofrimento. E permitam-me enaltecer como as duas jovens atrizes, Desreta Jackson como a jovem Celie e Akosua Busia como Netie brilham nessa cena. Com Spielberg nunca deixando de mostrar ser um expert em extrair ótimas performances de atores juvenis.

Por essa forma, de colocar o público aos olhos da protagonista, é porque digo que o filme passa longe de soar piegas ou maniqueísta em suas emoções dramáticas. A partir do momento em que compreendemos como e quem é Celie, sentimos a jovem inocente e pura de coração que é. E Whoopi Goldberg apenas destrói em cena. Pena que a atriz é só meramente reconhecida hoje pelo seu enorme carisma e afiada no humor, e pouco notaram sua grande afinidade com o drama. Dando vida a sua Celie com imensa graciosidade e inocência brilhando em seu olhar (a perfeita personagem Spielbergiana), transmitindo tantos sentimentos em sutis expressões e esboços de sorrisos que falam mais que mil palavras. Nos fazendo sentir todos os seus sentimentos de amor e tristeza, tudo entregue e transmitindo de forma inteiramente verdadeira! E sua jornada de vida se transporta do livro para o filme tal e qual.

O desdobramento de uma personagem passando pelas provações de uma vida sofrida e dominada, que consegue sua libertação, moral e espiritual, movida ao amor e fé que encontra na humanidade flamejante das mulheres presentes na sua vida. Onde Deus é tudo que se forma à sua volta, mas que não consegue enxergar, assim como a cor púrpura, tão presente na vasta natureza e poucos conseguem enxergar. E que, assim como Celie, como nós, só querem ser amados, e é graças ao amor, puro e verdadeiro, que conseguem se fortalecer!

Não é a primeira vez que vemos a natureza sendo usada como uma metáfora visual e alegórica em contrapartida ao que se reflete na construção dos personagens, algo que o diretor sempre buscou beber de seu mestre John Ford. Mas Spielberg tudo isso tão carregado de sentimentos altruístas, como se ele estivesse possuído pelo espírito do bem e do amor, onde é impossível não se encantar em algum momento.

No que se refere à história de Celie, é sua descoberta aos poucos da valorização do que é bom e verdadeiro em um mundo cercado de maldades e injustiças. Que toma forma de uma evolução na valorização íntima com as pessoas de seu meio – as mulheres nesse caso. Apenas note no filme como cada uma das personagens femininas iniciam seus relacionamentos com um conflito causado pela figura do homem – Sofia se enfurecendo com Celie por ela ter dado o mesmo conselho do Sinhô para seu filho Harpo (Willard E. Pugh) de esbofetar Sofia para que ela lhe obedecesse; ou quando Sofia inicia uma luta no bar de Harpo após a sua nova amante Squeak (Rae Dawn Chong) lhe esbofetear, e mais tarde se tornam amigas; ou Shug Every que quando conhece Celie a trata com o mesmo desdém que o seu pai e o Sinhô a tratavam, como uma empregada escrava inútil e constantemente a implicando conotando ela como feia, e mais tarde se tornam confidentes íntimas em uma forte relação de amor e amizade.

Onde cada uma das mulher em volta da vida de Celie se tornam uma força inspirativa para ela em diferentes formas, mas todas movidas pelo mesmo sentimento do amor e da fraternidade. Sofia que não se deixa abalar por nenhuma forma de intimidação, masculina ou não; Shug com seu espírito livre e aberta à amar a todos sem repudia ou preconceito algum; e sua irmã Netie que início preferia morrer do que se separar de Celie, e ao longo do filme mesmo ausente, sua presença se torna quase que espiritual, o amor em volta de Celie. E poderia ser esse amor também a presença de Deus que sempre lhe pareceu impossível e invisível?! Mas é exatamente a força que a permite se levantar após anos de sofrimento e vivendo praticamente como uma escrava.

Infelizmente por esse fator, no engrandecimento da figura feminina em sua união pelos sentimentos e igualdade, em contrapartida ao sofrimento causado pela figura masculina, há quem venha dizer que, tanto no livro quanto no filme, a figura do homem é completamente demonizada, algo que é excuso dizer que não poderia estar mais errado! De fato vemos como principal exemplo o constante sofrimento de Celie vindo do Sinhô, mas ele próprio não é uma figura completamente vilanizada em sua caracterização ao longo do filme. Tanto em ambas as obras, Walker e Spielberg mostram que, mais uma vez, que as figuras masculinas, como o Sinhô e até de seu filho Harpo, e seus atos de cunho machista, são frutos infelizes de um tratamento patriarcal carregado de frieza e ódio, que se propagaram por gerações à fio, com pequenos resquícios que infelizmente ainda podemos encontrar hoje em dia.

E Donald Glover convence em cada centímetro de seu personagem de forma soberba, criando um olhar de cachorro sem dono que vive feliz nas frivolidades da vida, mas desperta um espírito de frieza e intimidação quando impõe ameaça para cima de Celie, mas sempre revelando uma carga de sentimentos frustrados e acabados quando divide a cena com Shug sua paixão, ou seu enraizado cruel e asqueroso pai Senhor Johnson (Adolph Caesar). No final, ele é uma figura tão triste e trágica quanto qualquer outra, mas que não escapa de uma possível redenção. E como um grande ator desses continua subestimado até hoje nunca compreenderei!

O Amadurecimento de um prodígio

Delineações temáticas tão fortes e complexas como essa, transportadas fidedignamente do livro de Walker, que só provam como em A Cor Púrpura foi um grande passo alternativo, mas sempre em frente, na carreira de Spielberg. Mostrando ser muito mais do que só um perito em criar filmes entretenimento de (rica) qualidade para agradar ao público, mas também um diretor com aptidão de contar uma trama adulta e tocar em temas sociais e universais sem aparente dificuldade alguma, e que só viria a crescer nessa sua veia de versatilidade autoral e madura em seus filmes. Sabendo sim dosar aqui muito bem seus momentos dramáticos pesados com seus momentos de leveza, uma marca que quase nunca largou Spielberg de fato, mas que não atrapalha em nada o resultado final aqui.

Afinal sim ele hoje constantemente se arrisca em seus novos projetos, sempre imprevisíveis, e já mostrava querer fazer algo diferente de tudo que já tinha feito antes aqui. Mas não tão completamente diferente quanto você pode pensar. Foi sem dúvidas seu filme mais maduro e adulto até então, mas que ainda continha sua notável assinatura em todos os cantos. Esse é o momento em que os mais críticos e cépticos com o diretor dirão que essa assinatura se refere à amenização do material fonte sendo posto na tela, ou outras constantes críticas que Spielberg sempre foi vítima.

Uma delas sendo a de que ele sempre teve um aparente problema na ‘continuidade’ de seus filmes. A forma como a narrativa e o ritmo fluem e etc. E ouso dizer que isso é uma forma um tanto preguiçosa de enxergar a forma em que os filmes de Spielberg são construídos. Parecem ignorar o fato de que o dito cujo sempre foi um diretor extremamente visual, deixando muito da composição de sua mise en scene, dos cenários e da conectividade entre as performances de seus personagens, e A Cor Púrpura não é uma exceção a regra! A amarração de continuidade cênica do filme não é feita através de uma certa lógica contínua na narrativa, afinal é a história de uma quase vida inteira sendo contada aqui. E Spielberg deixa que cada momento e cena seja costurada através dos sentimentos que cada cena transmite e amarra uma atrás da outra do início ao fim graças à hábil montagem de Michael Kahn.

Deixando a história de Celie sendo contada através de sutis transições de tempo. Com cada início de um novo capítulo sendo feito através da mudança de estações; uma simples mudança de silhueta na sombra de uma pessoa ou o estado visual da casa ou da icônica caixa de correio que parece se tornar um espectro vivo que traz boas e más notícias – tudo sendo habilmente criado de forma visualmente rica graças a excelente fotografia de Allen Daviau, que dá quase um tom barroco vivo ao visual do filme. Onde as cores são capturadas de forma extremamente exata e rústica, e gritante em saturação por certos momentos, seguindo a exaltação das cores e os planos sempre movimentados e operáticos de Spielberg.

Com o Sul Americano onde Celie e os outros personagens vivem ficando parecido quase que algo falso em suas características visuais. Quase parecendo algo tirado de um storyboard de um filme da Disney, ou na melhor definição, quase fazendo parecer ser um mundo separado do nosso. A Oz, a Tara ou a Casablanca de Spielberg que se torna o palco vivo e quase surreal fantasioso onde os personagens habitam e vivem suas histórias.

Aliás, qual a melhor forma do que contar uma longa história do que se não usando a música?! Pois é, é por isso que insisto em dizer que A Cor Púrpura é, de várias formas, o musical indireto que Spielberg fez! E não sei se é algo que muitos já notaram, mas o Musical sempre foi um gênero que Spielberg sempre flertou em fazer de várias maneiras diferentes ao longo de sua carreira. As ações coreografadas em sincronia e timing de 1941 se inspirava demais nos filmes de Gene Kelly e Fred Astaire; ou a icônica introdução de Indiana Jones: Templo da Perdição que é um perfeito número musical por definição. Enquanto aqui, encontramos vários exemplos de números musicais distintos que Spielberg cria aqui.

Um de forma bem sutilmente escondida como a cena entre Celie e Shug onde a cantora faz a jovem se libertar de sua vergonha e despertar seu desejo sexual, que se desenrola cheia de uma animação nostálgica e infantil em um silêncio quase poético. Ou as duas sequências com músicas sendo propriamente cantadas, uma performada ao belo som de Sister, talvez a canção que melhor simbolize a união feminina das personagens dentro do filme de forma tão alegre e romântica. E a outra se tratando de minha favorita, a belíssima God is trying to tell you something, uma verdadeira e digna sequência musical no “clímax” do filme que serve de grande catarse emocional para a fascinante personagem de Shug Avery, e é possível que te faça escorrer umas lágrimas no meio do grande sorriso esboçado no rosto que essa cena irá você fazer. Não é nenhum John Williams, mas o grande Quincy Jones cumpre o seu trabalho de compositor aqui lindamente!

O Trabalho de um verdadeiro cineasta!

Acredito piamente que um filme como esse nunca seria feito nos dias de hoje. “Porquê não seria um diretor branco e de visão florida a adapta-lo?!” – alguns revoltosos poderão questionar. Não. Apenas por exatamente ter-se presente hoje em dia na indústria, essa constante preocupação de ter representatividade racial e cultural no cinema sendo feita de forma digna, fiel e respeitosa. Optando assim que apenas cineastas negros possam dirigir filmes voltados à temas da cultura negra e apenas cineastas mulheres possam dirigir filmes voltados à temáticas de cunho feminino, e por assim em diante. Um intuito de louvável feito, sem dúvidas, e vários talentos por detrás das câmeras apareceram e receberam devido destaque.

Mas sinto que assim, a busca por um talento de verdade dentro do ramo artístico, e humano, do cinema, se perde aos poucos. Spielberg não precisou ser negro ou mulher para que pudesse contar aqui uma profunda história sobre ambos. Apenas se usou de seu prodígio talento, como grande entendedor de cinema e do espírito humano, para que pudesse contar essa história. Não só sobre a cultura negra e o mundo das mulheres, mas sim a jornada de uma mulher, que lutou as tristezas e sofrimento do seu dia a dia, que aprendeu o que é amor e fé verdadeiras no que é bom que pode ser encontrado no mundo, e para que pudesse um dia novamente reencontrar com sua irmã. Com o seu infinito amor que as permitiu vencer os ódio que as separou, e as fez se unir novamente no final. Exatamente como o mesmo amor com qual o livro foi escrito e esse filme foi feito.

A Cor Púrpura (The Color Purple, EUA – 1985)

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Menno Meyjes baseado na obra de Alice Walker
Elenco: Whoppi Goldberg, Donald Glover, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Akosua Busia, Willard E. Pugh, Adolph Caesar, Rae Dawn Chong, Desreta Jackson, Dana Ivey, Laurence Fishburne, Leonard Jackson, Bennet Guillory
Gênero: Drama
Duração: 154 min

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