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Ficamos um bom tempo sem Freddy Krueger nos cinemas. Havíamos visto sua figura pela última vez em 2003, com Freddy vs. Jason, mas não tínhamos um filme de A Hora do Pesadelo desde 1996, com Novo Pesadelo. Remake era a escolha ideal para a produtora Platinum Dunes, ainda mais pela recepção calorosa ao novo Sexta-Feira 13. Adotando a política do “sombrio e realista”, Samuel Bayer parte para recontar o mito de Krueger em seu próprio A Hora do Pesadelo.

É exatamente a mesma trama do original, o que certamente facilitou o trabalho dos roteiristas Wesley Strick e Eric Heisserer. Temos início com o aparente suicídio de Dean Russell (Kellan Lutz), um sonâmbulo que vinha se privando do sono por um medo incontrolável. Seus amigos logo começam a experienciar pesadelos similares com a figura de um homem queimado com luva de garras, que eles logo descobrem ser o misterioso Freddy Krueger (Jackie Earle Haley), um sujeito que de alguma forma está ligado ao passado de todos eles.

Vamos ser honestos: Freddy precisava de uma reinvenção sombria. Nos últimos filmes, como vimos, sua figura estava mais associada à de um palhaço do que a de um serial killer sádico, então faz sentido que a Platinum opte por redescobrir o terror de Krueger. Isso já é nítido na estilizada fotografia de Jeff Cutter, que equilibra bem os tons quentes e frios para a estética dos sonhos, além de ser predominante sombrio por toda a projeção. A decisão de transformar Krueger em um pedófilo (enquanto no original era “apenas” um assassino de crianças) também revela-se forte e incômoda, e a performance de Jackie Earle Haley é sensacional em sua abordagem mais agressiva e com humor negro pontual, funcionando também graças à maquiagem que se aproxima mais de queimaduras reais e dos elementos dramáticos que traz de seu trabalho em Pecados Íntimos; onde também interpretara um pedófilo. Definitivamente tem presença, ainda que não se aproxime da figura icônica criada por Robert Englund.

Infelizmente, não há muito mais que seja capaz de salvar o filme. Samuel Bayer revela-se um diretor sem imaginação, incapaz de enxergar como as habilidades de Krueger poderiam render imagens e situações espetaculares, limitando-se a estragar momentos icônicos do original com efeitos digitais capengas; especialmente quando temos a imagem do assassino tentando sair da parede ou quando Kris (Katie Cassidy) é morta enquanto “voa” pelo quarto. Quase todos os ataques são baseados na vítima sozinha em um ambiente sombrio, uma leve perseguição e olhando para atrás apenas para encontrar Freddy e um efeito sonoro exagerado para um jump scare artificial. Não é surpresa que Bayer nunca mais tenha dirigido um filme após o resultado.

Bayer também não faz ideia do que fazer com o elenco. Todos sabemos hoje que Rooney Mara é uma ótima atriz, mas não temos nenhum indício de que a intérprete de Lisbeth Salander sairia daqui, já que da vida a uma Nancy inexpressiva e moribunda. Kyle Gallner como o amigo Quentin se esforça, mas seu personagem é tão interessante quanto… Bem, qualquer um dos outros jovens chatos e sem personalidade do filme. Thomas Dekker, Katie Cassidy e o banana Kellan Lutz são todos rostos descartáveis. Confesso que a situação tediosa aqui faz sentir saudade dos esterótipos dos anos 80, com a jovem promíscua e o valentão jogador de futebol.

Esta nova visão para A Hora do Pesadelo parte de uma premissa apetitosa e com gigantesco potencial, mas desaba por não mirar mais alto em suas intenções, além de sofrer com uma direção horrorosa. Jackie Earle Haley honra o suéter, mas Freddy Krueger merece um destino melhor.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, EUA – 2010)

Direção: Samuel Bayer
Roteiro: Wesley Strick e Eric Heisserer, baseado nos personagens de Wes Craven
Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara, Kyle Gallner, Katie Cassidy, Thomas Dekker, Kellan Lutz, Clancy Brown, Connie Britton
Gênero: Terror

Duração: 95 min

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