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É inevitável começar a falar sobre esse pequeno divisor de águas da carreira de Steven Spielberg, sem vir a citar a bela e triste história por trás de sua criação e produção, envolvendo o nome de ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Stanley Kubrick. Um certo famosinho diretor, cujos filmes talvez nem precisem ser citados para serem reconhecidos, a maioria destas sendo obras de forte caráter complexo, por vezes frio, soturno, e violento e sádico em seus grandes momentos. Certo senhor esse com tais peculiaridades que, aparentemente, há anos ansiava em fazer sua própria versão da história de Pinóquio para os cinemas, só que envolvendo inteligência artificial e andróides escravos de humanos. E ele parecia confiar bastante em seu grande amigo íntimo, o próprio Steven Spielberg, que pudesse vir à dar vida para essa obra.

Depois de anos, após várias trocas de ideias e conversas entre ambos os diretores criando essa história juntos, constantemente um pedindo para o outro dirigir enquanto o outro produzia, só foi logo após o triste falecimento de Kubrick em 1999 que se tornaria a missão de Spielberg cumprir a promessa de um amigo, e trazer finalmente A.I.: Inteligência Artificial à vida.

Logo após o seu único filho ter entrado em um coma aparentemente incurável, o casal Mônica (Frances O’Connor) e Henry Swinton (Sam Robards) decidem integrar à um novo projeto para testar um inovador tipo de androide Meca, com um sistema avançado que lhe permite ter sentimentos como um humano, principalmente o amor. Ao “adotarem” David (Haley Joel Osment), Mônica se apaixona pelo seu ‘mais novo filho’ e resolve ficar e criar o jovem androide, agora programado para amar a mãe incondicionalmente (e irreversivelmente). Mas quando Martin Swinton (Jake Thomas), o filho do casal milagrosamente acorda do coma, alguns tristes eventos se sucedem na relação entre “irmãos”, que obrigam a família a devolver David para seus fabricantes. Sabendo o que iria acontecer com seu mais novo filho, Mônica se recusa a devolvê-lo a fábrica e o abandona no meio de uma floresta para que ele não seja destruído. Iniciando assim uma longa jornada de David em busca do amor de sua ‘mãe’ através de buscar se tornar um “menino de verdade”.

Sequer imaginar dois diretores com estilos tão completamente diferentes como Kubrick e Spielberg se juntarem em um único projeto talvez seja, particularmente até, um sonho cinéfilo que deixaria qualquer fã de ambos os diretores se intrigarem para verem o possível resultado. E essa junção com certeza é a característica que mais atrai as atenções para o filme tantos anos depois, mesmo que ainda não tenha recebido o status de um clássico cult como tanto merecia. Pois infelizmente esse não é um dos filmes de Spielberg que mais agrada a opinião geral. Com alguns o chamando de extremamente bizarro, sem sentido, ou o clássico: “Kubrick teria feito melhor”, desmerecendo o trabalho de Spielberg e o resultado final da obra como um todo.

Mas claro, isso parte da opinião individual de cada um sobre se o filme funciona ou não, e se Spielberg realmente conseguiu dirigir um filme de Kubrick. Essa crítica tente a tentar responder de que sim!

Um Filme de Stanley Kubrick

Spielberg tinha mesmo o cargo aqui de ser o entalhador Geppetto da situação, e poder trazer o sonho de Kubrick à realidade. Mas a pressão não o parecia intimidar, tanto a dedicação com a promessa feita para o amigo, quanto ao encantamento que a história de A.I. lhe traziam, tudo isso inspirou ao diretor a realizar a obra em questão. Com o argumento original de Kubrick se baseando na curta história Super-Toys Last All Summer Long de Brian Aldiss, e Steven Spielberg ter dito que era uma das melhores histórias que ele já teve em mãos. E contando o fato de que a trama segue um protagonista criança onde sua ótica de inocência e pureza ditam o percurso de sua história aqui, tudo conspirava mesmo para um filme que parecia seguir os moldes do estilo e essência de Spielberg. Bom, pelo amor menos no papel.

Isso é um filme de Kubrick antes de tudo, então todas as suas ideias e temas complexos que a história pode despertar estão sim presentes, onde tudo é apresentado através da ótica de Spielberg, com o próprio aqui assinando o roteiro, no intuito de preservar a visão original de Kubrick e todas as informações que tinha recebido do próprio ainda em vida.

Desde Contatos Imediatos do Terceiro Grau que Spielberg não escrevia o próprio roteiro o qual também dirigia, sem contar claro as inúmeras reescritas de roteiro que o próprio nunca quis receber crédito, mas ele surpreende por criar mesmo uma narrativa que segue os moldes de Kubrick: a dialética elegante e quase coordenada entre os atores seguindo as falas do roteiro frase por frase, a continuidade cênica seguindo uma intercalação quase teatral, para quem já é familiar com os filmes de Kubrick verá que está tudo aqui. O que talvez não esteja tão presente, ou pelo menos não com a mesma força, são as diversas questões interessantíssimas tocadas pela história, que ficam talvez um tanto superficiais e sem aprofundamento necessário por certos momentos, sendo entregues até com uma certa dose de inocência, óbvio fruto do traço de Spielberg.

Porém, é justo dizer, sem certo endeusamento, de que as ideias e histórias de Kubrick conseguiam transcender a forma base de seus filmes. Ele foi, sem exagero, um dos mais magistrais criadores de mundos e universos de personalidade própria dentro de seus filmes, ao ponto de conseguir nos fazer crer nas regras estabelecidas desse universo e compreender tudo pelo que os personagens viviam e passavam ali, e Spielberg captura essa característica muito bem aqui. Um mundo onde os Mecas são vistos e tratados como meras coisas e objetos do poderio humano, onde suas possíveis emanações de sentimentos ou opiniões próprias eram ignoradas ou tratadas com desdém. E por esse modo, os temas conseguem se apresentar de forma intrigante e alçar a atenção do espectador.

O poder de criar alguém à sua própria imagem o faz tomar automaticamente um papel de Deus em meio da sociedade? Seria a ciência do poder criar androides um novo tipo de religião e culto? É possível criar o amor? Ou melhor, o que seria o amor? E o amor ou o ato de amar torna o ser mais humano? Ou seria sua ausência? Ou o eleva para algo além disso?

Alguns dos exemplos de questionamentos existencialistas e criacionistas que surgem ao longo da narrativa, que até ousam desafiar as leis robóticas de Asimov de comando e ação, tudo se decorrendo em um palco futurista no limiar do pós apocalíptico, onde androides e humanos a qualquer momento podem estourar em uma possível guerra civil, tudo entregue com um texto Kubrickiano e uma direção de aura fantasiosa das graças de Spielberg.

Até o uso daquela narração em off (aqui com direito aqui à voz de Ben Kingsley) de personalidade intrusiva e explicativa, marca recorrente dos filmes de Kubrick desde seus primórdios (O Grande Golpe, Barry Lyndon), é empregada aqui por Spielberg com um uso bem pontual. Não só como homenagem ao estilo do amigo diretor, como também um meio de inserir na história um toque de fantasia bem sutil e funcional. Um dos vários indícios de fantasia que Spielberg emprega ao longo do filme. Costurando tudo isso aos três atos chaves da história de David.

Complexo de Pinóquio

Spielberg, e também Kubrick, se mostram bem inteligentes ao dividirem a história de David em um rico desenvolvimento e estudo de personagem conforme sua jornada. Desde seu “nascimento” ao ser programado para amar à Mônica e somente a ela, até à sua viagem que o leva buscar pelo amor de sua mãe, a única coisa que ele busca e  acredita.

Com a primeira parte (e talvez a melhor do filme) focando na exploração o lado sentimental dos personagens e o contraste que eles tem com o sentimento “artificial” do menino. Assumindo a característica de um drama doméstico centrado no conflito interno entre os sentimentos prestes a estourar dos personagens frente ao problema que os atormenta, revelando a claustrofobia íntima de filmes como Lolita ou De Olhos Bem Fechados como exemplos. Um cenário, como dito antes, onde estamos compreendendo as leis desse universo, e somos submetidos a ver David sofrer injustiças e situações de desentendimento tortuosas causados pelo seu invejoso e cruel meio irmão Marty, e ocasionando depois seu abandono por Mônica.

Cena particular essa que realmente revela um alto nível de complexidade moral e emocional que só Kubrick poderia ter evocado tão bem, e Spielberg também claro, apenas pela ponta do conflito focando exatamente no amor entre uma mãe e um filho. O amor de Monica por David é transparente e verdadeiro desde sua primeira cena juntos, mas ao mesmo tempo ele é visto e considerado uma “coisa”, um objeto inanimado nesse mundo, então compreende-se à certa altura do filme, a dura atitude de abandono de David por parte de Mônica, mesmo que isso claramente parta o seu coração. O que não deixa de ser uma atitude moralmente e emocionalmente dúbia e ambígua, assim como é nas obras de Kubrick. E facilmente uma das cenas mais dolorosas e cruas que Spielberg já filmou, uma situação que quase lembra um cenário da história O Cão e a Raposa ou João e Maria.

Com a própria situação de David criando um sutil paralelo com o intrigante personagem do ursinho Teddy, o robozinho andróide falante que o acompanha para todos os lados, o suposto “grilo feliz” dessa história. Onde a dor em ver Teddy sofrer de desdém e zombarias o filme inteiro é tão dura quanto, se não mais, com a situação de David, revelando uma dose quase cínica de humor tragicômico que só Kubrick poderia ter pensando em um personagem/adereço que é muito mais profundo do que se pode pensar.

Enquanto a segunda parte se torna uma jornada de David por esse universo futurista em busca do seu propósito, acreditando que se encontrar a fada azul da história do Pinóquio no qual Mônica contava para ele e Martin, ele poderá se tornar um menino de verdade e assim Mônica passará a amá-lo igualmente ao seu filho. Uma espécie de Odisseia de Homero moderna com David sendo Ulisses querendo retornar para os braços de sua amada, neste caso sua mãe. E uma epopeia pela vida que até pode lembrar em partes com a jornada perambulante de Alex em Laranja Mecânica (com direito à uma tomada frente à um carro em alta velocidade que lembra à icônica cena do dito filme). E também é onde somos introduzidos ao incrível personagem Gigolô Joe de Jude Law, que ajudará o menino em sua busca, primeiramente recorrendo ao “Doutor Know”, uma espécie de Mágico de Oz cibernético (com a ilustre voz de Robin Williams).

Já a terceira e última parte, se torna um clímax que eleva verdadeiramente o protagonista em sua viagem para um cenário inexplicável e desafiador, tanto para ele quanto para o público, em níveis novamente complexos e fortemente questionadores. Que lembra em suas nuances “artísticas” uma aura quase surreal, o clímax de 2001 Uma Odisseia no Espaço. Com a viagem pelo espaço de lá podendo ser aqui o aprisionamento de David nos confins do mundo enquanto clama em frente à imagem quase religiosa da fada azul pelo seu desejo se tornar realidade. Assim como com Pinóquio, a prisão dentro da baleia é para David uma prisão no infinito tempo que ele não pode recuperar.

Coincidentemente a parte mais polêmica e divisora de opiniões de ambos os filmes, principalmente com A.I., que até hoje é acusado de ser um final piegas e maquineísta na forma com que busca finalizar a história com um suposto tom feliz após David ser salvo do gelo e se ver 2000 anos no futuro, sendo-lhe entregue a chance de poder rever sua mãe uma última vez. Culpando à Spielberg por ter se apropriado e interferido na visão de Kubrick, sendo que a mesma visão ditava exatamente a grande reviravolta que o terceiro parte final do filme traz para a jornada de David. E não é nem um pouco um final completamente feliz como todos pensam, e sim um que talvez suscite ainda mais questões. Tudo isso se resume, novamente, à David e sua força como personagem que move a história.

Por mais que aparente, David está longe de ser um personagem Spielbergiano. Sua inocência e pureza de um ser criança evidenciam claramente o porquê de Kubrick confiar tanto na visão de Spielberg para contar essa história, mas a essência do personagem em si carrega uma ambiguidade e frieza características de um digno personagem Kubrickiano.

Sua capacidade de amar e sentir o amor pode até ser encarado como um possível “egoísmo” de sua parte, já que ele não sente o mesmo por mais ninguém pois foi programado para tal. Até mostra resquícios de empatia para com Gigolô Joe, mas apenas porque ele pode leva-lo em sua missão, e trata o pobre Teddy com tanto desdém e sem gratidão quanto os humanos tratam qualquer Meca. O que levanta a pergunta, se sua porta para se tornar humano seria o amor pela sua mãe ou por exatamente absorver a frieza humana como parte de sua natureza?!

E em contrapartida, seria a personalidade tão leal de Teddy apenas pura subserviência programada em seu ser androide ou puro e verdadeiro amor pelo seu “mestre” e amigo. Sendo assim, tudo confirma o que Gigolô Joe diz para David à certa altura do filme sobre como o mundo vai sucumbir em sua própria arrogância: “No final, tudo que permanecerá, seremos nós!”.

Teddy, junto dos mecas futuristas que trazem a mãe de David brevemente à vida (e que por alguma razão pessoas pensaram na época esses serem aliens), se tornam os seres evoluídos, a nova raça após a extinção humana. O que confirma de certa forma então, o fato de que David consegue mesmo no final realizar o seu sonho de se tornar um menino de verdade ao sucumbir à um sono profundo ao lado de sua mãe, por mais ambíguo e bizarro que a situação e os seus personagens possam ser, e por mais sutilmente trágico o final disfarçado de feliz possa parecer.

Ao mesmo tempo que é algo verdadeiramente recompensador de tantas maneiras, as emoções não são gratuitas e sim puramente genuínas, tudo comandado pelo amor intenso de um filho por uma mãe e o olhar puro de Spielberg que não resiste em preencher o filme com tanto coração e sua suposta marca “maniqueísta”.

Stanley e Steven

Enquanto um é completamente pessimista, tinha uma visão fúnebre e cínica do mundo, e o outro é o dito manipulador de emoções de primeira qualidade. Uma mistura de estilos que fica claramente visível ao longo do filme. E só comprova como Spielberg se mantém fielmente à visão original de Kubrick e procura aqui seguir seu estilo à todo o momento.

Conseguindo emular muito bem aqui a técnica visual de Kubrick por vários momentos: a iluminação vívida esbranquiçada, a profundidade de campo dos cenários num estilo quase teatral, os enquadramentos traçados com perfeição. Mas peca em não conseguir dar um ritmo mais lento e contemplativo que Kubrick sempre empregava em seus filmes, optando aqui por uma montagem mais convencional e não muito mais criativa como poderia para a história.

Mas nem tudo se perde. Spielberg ainda consegue se arriscar em alguns belos ângulos de câmera, como por exemplo a primeira cena de jantar de David, onde a tomada é de cima, por dentre o lustre de luz. Com o ângulo deixando David enquadrado dentro do lustre, enquanto Mônica e Henry ficam fora do lustre, mostrando o isolamento do menino. Ou quando Mônica prepara o café e a câmera enquadra nos olhos curiosos de David, revelando um olhar de constante inocência e observação, e com o toque certo de caricatura bizarra.

Fazendo assim mais uma vez, um ótimo proveito da fotografia de Janusz Kaminski, realizando aqui um de seus melhores trabalhos junto de sua parceria com Spielberg. Não só emulando bem algumas das tomadas tracking marcas de Kubrick, casando com o jeitão mais classicão de Spielberg. E fazendo um trabalho de perspectiva de luz lindíssima.

Com o filme ainda tendo colaboradores de ambas às partes (de Kubrick e Spielberg) como o artista conceitual Chris Baker, na época contratado pessoalmente por Kubrick, e que continuou a trabalhar na elaboração dos ambientes futuristas, o viaduto futurista com túneis em formato de faces femininas que “engolem” os automóveis levando-os a “Rouge City” e também toda a arena do “Mercado de Peles” são esteticamente riquíssimos. Sem falar claro da produção vindo direta de Jan Harlam, produtor de todos os filmes de Kubrick desde Laranja Mecânica.

Até John Williams também deixa aqui a sua marca e talvez realize a sua mais subestimada composição de sua carreira. Fazendo pela primeira vez um uso de música eletrônica tecno com ares de cyber punk que se convergem com suas típicas composições operísticas, dando ao filme um tom de aventura quase trágico em seus acordes melancólicos.

Mas o fator técnico realmente mais impressionante do filme são os efeitos visuais quase extraordinários. Faz muito sentido Kubrick sempre ter ficado receoso em iniciar a produção de A.I. pois pensava que ainda não existia os efeitos perfeitos para dar vida à sua história. Mas quando Spielberg dirigiu Jurassic Park foi que Kubrick viu que, tudo o que ele imaginava, não era mais um sonho, e sim uma realidade. E Spielberg mais uma vez dá vida a esse sonho na melhor forma possível.

Na cena inicial mesmo, onde o rosto da atriz se abre revelando o chip interno do androide é feito com uma sutileza impressionante e não se sente nada artificial ali. E no final a cidade inundada de “Man-Hattan” é impressionante entregando uma escala surpreendentemente épica e imersiva para a história. Esse com certeza prometia ser outro épico na carreira de Kubrick, pelo menos consegue ser um de Spielberg.

O elenco é um espetáculo à parte, com o Gigolô Joe de Jude Law, que domina todas as cenas em que aparece com tanta energia e charme, parecendo um verdadeiro Fred Astaire robótico com suas constantes dancinhas e um ar de galã envolvente. Com uma maquiagem que lhe dá um traço de bonecão de borracha gigante e seu cabelo parecendo um lote de plástico. Frances O’ Connor também se mostra excelente, com talvez o papel mais complicado de fazer com sua Mônica, uma mãe dividida em sentimentos maternos que mostram a destruir por dentro.

Até William Hurt se mostra bem competente em suas breves cenas com o seu Professor Hobby, o criador de David e uma espécie de metáfora ao “Deus” criador dos Mecas, com Hurt fazendo a melhor imitação do tom de voz de Liam Neeson que já ouvi. Mas quem rouba mesmo todos os holofotes é inegavelmente Haley Joel Osment. Seus movimentos são duros, seu olhar é fixo e sem uma piscada de olhos, é bizarro e ao mesmo tempo impressionante como ele consegue convencer na personalidade robótica do personagem, e ainda preenche tudo com uma segurança e inocência nas suas expressões que instantaneamente emocionam. A alma do filme, e disparado o melhor ator de sua geração em sua melhor performance até hoje (Sexto Sentido que me perdoe).

E pensar que Kubrick tinha em mente utilizar um robô de verdade para o papel de David, mas Spielberg acertou em cheio ao usar Haley e seu carisma para dar vida ao filme. Creio que Kubrick ficaria feliz e com certeza fez a melhor escolha de diretor para contar uma de suas mais ambiciosas histórias.

Amigo estou aqui…

A.I.: Inteligência Artificial é várias coisas em uma, uma ficção científica que ousa explorar o que realmente nos torna nosso ser e existência humana realmente especiais em um mundo governado pela injustiça, ignorância e ódio; um retrato de auto destruição de nossa espécie pela nossa arrogância intelectual; ao mesmo tempo que é uma fantasia com caráter de epopeia épica sobre a busca de um ser pela razão de sua existência; e também, uma história de amor entre a mãe e um filho onde nem o fim do mundo os podia separar.

Assim como a morte não separou a amizade entre ambos geniais cineastas que criaram essa história, uma digna ode de amor e admiração ao cinema de Stanley Kubrick, e uma carta de despedida de um amigo para o outro. O último resquício que tivemos de Stanley Kubrick no cinema graças à Steven Spielberg!

A.I.: Inteligência Artificial (Artificial Intelligence: A.I. – EUA, 2001)

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg (baseado na curta história de Brian Aldiss “Supertoys Last All Summer Long”)
Elenco: Haley Joel Osment, Frances O’Connor, Jude Law, William Hurt, Sam Robards, Jake Thomas, Brendan Gleeson
Gênero: Aventura, Drama, Ficção Científica
Duração: 146 min.

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