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Bet you thought you’d seen the last of me.

American Horror Story nunca esteve com as expectativas tão lá em cima quanto com a chegada da oitava temporada. É claro que seu início não foi um dos melhores, mas o ritmo logo foi recuperado com o segundo capítulo – e enfim chegamos ao tão aguardado momento do retorno definitivo do clã de bruxas para deixar as coisas ainda mais interessantes. Entretanto, apesar da grandiosa aparição, ela só ocorre nos momentos finais do episódio, já dando o tom do que podemos aguardar nos próximos eventos – ou seja, magia, sangue, violência e tudo mais que a antologia de Ryan Murphy e Brad Falchuk pode nos entregar.

Forbidden Fruit marca o fim de uma era. O Posto 3, responsável por manter os últimos e sortudos sobreviventes do ataque nuclear, encontra suas trágicas ruínas, respaldadas por mentiras, traições e revelações de extrema importância para compreendermos o que vem por aí. Já ficou claro que a oitava iteração mergulha profundamente na dicotomia bíblica do bem e do mal, trazendo referências ao Jardim do Éden, a Adão e Eva, e até mesmo a outras histórias clássicas da mitologia católica – é possível até mesmo sentir algumas inclinações para Caim e Abel. Porém, esse embate milenar insurge, por enquanto, nas figuras de Michael Langdon (Cody Fern) e a Srta. Venable (Sarah Paulson), cuja ambição pelo poder cria condições muito férteis para a destruição de tudo que construíram.

O terceiro capítulo é, por enquanto, o mais fantasioso e explícito de todos. Apesar de uma morte prematura, porém muito bem-vinda em The Morning After, é aqui que as forças das trevas encontram seu espaço para mostrarem uma pequena parte do que são capazes. Michael mantém-se em uma compostura impecável enquanto continua interrogando todos os residentes do esconderijo, até descobrir que a jovem e aparentemente ingênua Mallory (Billie Lourd), ganhando um arco dramático que deveria ter existido em detrimento da canastrice constante. Pela primeira vez, a coadjuvante ganha momentos de glória afastando-se de sua subjugação a Coco (Leslie Grossman) e mostrando um derradeiro e perigoso potencial que assusta até mesmo o próprio Anticristo.

Por outro lado, Venable e Miriam (Kathy Bates), seu braço direito, arquitetam um plano para matar cada um dos residentes, incluindo Langdon, e partirem juntas para o Santuário. Para tanto, elas recebem misteriosamente uma caixa contendo maçãs em perfeito estado, e utilizam o presente para organizar uma festa de Halloween, induzindo cada um a comerem as frutas envenenadas com veneno ofídico e perecerem diante de seus olhos. Todavia, as coisas acabam dando errado, revelando a real natureza de Miriam e de sua programação robótica, obedecendo não às ordens de sua mestra, mas sim do próprio filho de Satã que a criou – e mais: o roteiro deixa várias questões em aberto, levando-nos a pensar se a máquina em questão na verdade é uma extensão da falecida Constance Langdon (Jessica Lange em Murder House), tutora de Michael após a morte de seus pais.

Loni Peristere, ficando a encargo da direção, traz sua carga dentro da antologia para o episódio e conduz com maestria uma explicitação cênica ao mesmo tempo bela e gore: tudo é extremamente gráfico, banhado com cortes bruscos e uma paleta de cores viva; tais técnicas são aliadas a uma fotografia ainda mais intimista que usa e abusa de uma luz difusa e ambígua, não deixando claro quem realmente possui boas intenções e quem já abraçou seu lado cruel e egocêntrico. Até mesmo a personagem de Paulson encontra um término brusco ao ser coercitivamente enganada – e aqui, a atriz demonstra mais uma vez toda sua versatilidade performática, entregando-se de corpo e alma. De qualquer forma, Peristere também aproveita o terreno preparado para fazer suas homenagens aos maneirismos do showrunner, incluindo os planos e ângulos distorcidos que reforçam o escopo sobrenatural.

O roteiro assinado por Manny Coto também explora um pouco a tóxica atmosfera do mundo pós-apocalíptico, apresentando poucas pessoas que sobreviveram à explosão e agora sofrem com as consequências radioativas – mutações gênicas, doenças incuráveis, câncer generalizado, entre outros. O capítulo representa a primeira interação física entre o externo e o interno, possivelmente dialogando com os terrores que estão por vir – afinal, de acordo com Langdon e Venable, uma hora de canibais domina as ruas das cidades. Mesmo assim, o humor mal construído ainda volta a manchar o drama e o terror – a morte de Coco já era aguardada, mas não causou nada além de risos abafados pela própria atuação forçada de ambos os atores em cena. Todo essa saturação cômica poderia ser reaproveitada com diálogos sarcásticos irônicos e ácidos.

Talvez isso reapareça muito em breve, levando em conta o retorno de uma das personagens mais memoráveis da franquia – Madison Montgomery (Emma Roberts), que ressurge dos mortos ao lado de Myrtle Snow (Francis Conroy) e da Suprema Cordelia Foxx (Paulson). Aliás, a primeira e única frase de Madison deixa mais dúvidas no ar, visto que ela se aproxima de Mallory e a cumprimenta como se já a conhecesse. Ora, a própria criada já havia dito momentos antes que alguém parecia viver dentro da sua mente – será que finalmente teremos a volta de Misty Day (Lily Rabe) em um jogo de possessão e exorcismo?

Apocalypse já acertou seu tom e busca se livrar de alguns obstáculos pelo caminho. Agora, tudo o que Murphy, Falchuk e o time criativo por trás da antologia deve fazer é explorar o infinito potencial do tão aguardado crossover e honrar a promessa de nos presentear com o que pode ser a melhor temporada de todas.

American Horror Story – 08×03: Forbidden Fruit (Idem, 2018 – EUA)

Criado por: Ryan Murphy, Brad Falchuk
Direção: Loni Peristere
Roteiro: Manny Coto
Elenco: Sarah Paulson, Kathy Bates, Evan Peters, Joan Collins, Billie Lourd, Adina Porter, Cheyenne Jackson, Billy Eichner, Leslie Grossman, Emma Roberts, Gabourey Sidibe, Lily Rabe, Frances Conroy, Taissa Farmiga
Emissora: FX
Gênero: Suspense, Terror
Duração: 45 minutos

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