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Depois de três filmes feitos colocando no centro de toda a trama a casa de Amityville, sendo que no último eles explodiram a casa, parece que a fórmula de colocar novos moradores na residência já estava saturada. Fazer um novo filme colocando novos moradores nela seria estranho e totalmente repetitivo, eles iriam morar lá e fatos sobrenaturais passariam a perturbá-los. Para não cair na mesmice dos outros três longas eles tiveram uma brilhante ideia. 

Em Amityville 4 A Fuga do Mal decidiram que o diabo iria migrar de lugar. Se antes ele vivia a espreita pela casa, tentando possuir seus moradores, agora ele foi parar em uma luminária. Isso ocorreu quando vários padres entraram pela porta da casa de Amityville e rapidamente começaram a ir cômodo por cômodo para benzer o lugar. Claro que a casa bate em todos e o mal se personifica na tal luminária.

O objeto endemoniado é vendido, já que a casa foi fechada devido a possessão feita pelos padres na casa. Isso foi uma tomada de decisão se não importante pelo menos interessante. Abandonaram a casa e tentaram mudar de cenário para ver se a história voltava a girar e para tentar acrescentar algo de novo em uma trama já bastante saturada.

Obviamente o objeto é vendido e levado a uma outra casa que não tem nada a ver com a de Amityville. Uma senhora se tornou dona da luminária e sua filha com seus filho se muda para viver com ela. Ideia praticamente igual ao dos outros filmes. Só que ao tirar a casa de Amityville de foco não precisaria mais chamar o filme com esse nome. Não seria nenhuma absurdo ter trocado título dele. O nome é totalmente enganador, não tem nada de Amityville, apenas uma luminária assassina que fica causando na casa. 

Mostrar a casa no início é algo extremamente desnecessário. Pra que a mostrar se não vai mais aparecer em cena? Ela só apareceu para nos dizer que ela é amaldiçoada e apresentar a tal da luminária. É um argumento muito fraco para colocar uma casa tão mítica em cena e depois abandoná-la.

Outro problema que incomoda é porque a escolha da luminária como objeto possuído? Não deviam ter feito isso, apesar do design dela ser bastante arrojado não põe medo nenhum. Até tentam colocar o rosto do diabo nela para parecer algo sério, mas não passa disso. Se comparar a luminária com a casa ela consegue trabalhar muito mais o suspense que a própria casa original de Amityville. Toda sua trajetória até chegar a casa nova é bem desenvolvida ao apresentar esse novo personagem e os desdobramentos dentro da casa, apesar de serem forçados são suficientes para causa um certo suspense. 

Comparado aos outros três filmes da franquia, esse conta com mais elementos de terror, pelo menos há um certo esforço em pregar sustos e a atmosfera de suspense é bem construída. Logo que a luminária entra na casa não sabemos direito o que vai acontecer, quais seus poderes e quais suas intenções. Com o tempo descobrimos que a ideia é possuir a filha mais nova da família. Alguns problemas elétricos e em outras partes da casa vão mostrando o poder desse ser encarnado.

E é ao mostrar o poder do demônio que descobrimos a principal referência usada por A Fuga do Mal. Eles criaram a parte de toda a tensão e dos acontecimentos sobrenaturais em cima do clássico Poltergeist (1982), que havia sido um sucesso naqueles anos 80, tanto que muitos outros filmes fizeram algo parecido com Poltergeist nos anos seguintes. Trituradores que se mexem sozinho, encanamento quebrado, serra elétrica que liga sozinha, tudo que é relacionado a casa começa a ter algum tipo de problema. Em Poltergeist o problema era justamente a casa que era possuída por um espírito de mesmo nome do filme. Até a garota do longa é parecida com a da produção de 82, uma criança loira que fica conversando com algo que não é desse mundo. Originalidade passou longe por aqui. 

Claro que do mesmo modo que ocorreu em todos os outros filmes de Amityville eles deram um jeito de criar outra origem para a casa. Nunca deram foco na origem do mal que reside ali, apenas menções do que poderia ser. Aqui o padre em uma conversa com outro padre da paróquia diz achar que o conceito de mal era apenas algo de sua cabeça, mas que a casa de Amityville fez com que o conceito virasse realidade. Cita o caso com os DeFeo que mataram todos na casa e fala que todos que tocaram aquele lugar por 300 anos sofreram algum incidente. O melhor desse diálogo é que ele não chega a lugar nenhum, são apenas palavras jogadas sem um objetivo claro. 

A cena final em que eles brigam contra a luminária é uma das cenas mais ridículas e engraçadas de um filme de terror já feito. O melhor é que a luminária bate neles de todos os jeitos possíveis, e o diabo encarnado no objeto era tão fraco que foi vencido facilmente.

Os personagens secundários são péssimos, aparecem apenas para se ferrar e ao sofrerem violência por parte da casa são esquecidos como se nada houvesse acontecido com eles. Se alguém morre ou se acidenta em sua casa o mínimo que você faz é ficar preocupado pela integridade da pessoa. Aqui não acontece isso e não há emoção nenhuma, nem uma expressão de desespero ao ver alguém se machucando. Esses elementos foram pessimamente trabalhados, fizeram os personagens secundários se machucar apenas para mostrar que a casa é maldosa. 

É um filme com boas intenções, isso dá para perceber no jeito que tentam construir a história. O problema mesmo é o roteiro que coloca uma luminária como objeto central, um erro que destruiu um filme que tinha tudo para ser divertido para os fãs do gênero. Depois desse filme vieram outras produções de pior apuro técnico, algo que acabou por enterrar a franquia.

Amityville 4: A Fuga do Mal (Amityville: The Evil Escapes, EUA – 1989)

Direção: Sandor Stern
Roteiro: Sandor Stern, John G. Jones

Elenco: Paty Duke, Alex Rebar, Aron Eisenberg, Brandy Gold, Fredric Lehne, Gloria Cromwell
Gênero: suspense, terror
Duração: 94 minutos.

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