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Após os eventos da última temporada, nos quais acompanhamos os esforços de Dana Scullly (Gillian Anderson) e Fox Mulder (David Duchovny) para impedir uma infestação de proporções globais, My Struggle III começa com a surpreendente revelação de que essa hora final não passara de uma premonição de Scully e o sujeito que a está fazendo ter essas visões é ninguém menos que William, o seu filho que há anos fora dado para uma família desconhecida e que agora decidiu oferecer um vislumbre da situação que se desenha no futuro e da qual ele parece ser a única cura ou solução possível.

Logo depois, se sucede uma série de intrigas e confrontos que geram a impressão de que as coisas se desdobrarão exatamente da maneira em que foram previstas e o capítulo é finalizado com duas revelações chocantes. Como é possível notar por essa breve descrição da sinopse, My Struggle III é um dos episódios de mitologia mais importantes da série. Como todas as grandes obras de suspense e mistério, Arquivo X sempre soube manter os seus segredos escondidos e revelá-los aos poucos, como se fossem doses homeopáticas capazes de salvar o paciente apenas em razão dos espaçamentos entre uma remediação e outra. Isso, aliás, foi motivo de inúmeras reclamações, principalmente em relação à última temporada, a qual prometera soluções e entregara muito pouco. 

No entanto, essa reclamação não pode ser feita acerca do novo episódio. Além de serem decisivas sob a ótica geral, as novas informações se encaixam perfeitamente dentro da lógica estabelecida pelos acontecimentos antecedentes e que foram dispostos ao longo de dez anos de televisão e duas obras cinematográficas. No que diz respeito às revelações biográficas de Scully e ao seu envolvimento com o Canceroso (William B. Davis), isso se torna ainda mais evidente, uma vez que os mistérios ao redor de sua abdução e gravidez não só permaneciam (e permanecem) orbitando a trama principal, como também adicionam uma importante camada interpretativa na qual sexo e poder se entrelaçam.

Todavia, My Struggle III não está livre de falhas. Aliás, do ponto de vista técnico, elas aparecem em uma quantidade alarmante. Chris Carter nunca foi um grande diretor ou até mesmo um exímio contador de histórias. Embora os personagens e a mitologia do seriado existam somente por sua causa, os episódios mais memoráveis quase sempre foram escritos e dirigidos por outras pessoas. Porém, ao menos por alguns exemplos oferecidos pela temporada anterior e em razão do capítulo que inaugura a décima primeira, ele parece ter regredido ou perdido parte da sua capacidade técnica paupérrima.

Em certos momentos, chega a ser risível a quantidade de recursos que ele emprega para dar à narrativa um sentimento de urgência. Há de tudo: movimentos de câmera insinuantes, montagem frenética e alternada, cortes abruptos e manipulação de frame rate. É verdade que uma parte do efeito desejado é obtido, mas isso se deve muito mais aos desdobramentos da história do que aos recursos técnicos empregados, os quais resultam numa confusão de imagens e sons (a trilha percussiva é onipresente) muito mais próximos de um caos pouco controlado que de uma destreza artística.

E isso é para se lamentar, já que o episódio começa com uma abertura inesquecível onde o maior vilão da série narra os seus maiores feitos, incluindo a participação ativa na morte do presidente John F. Kennedy (tema já abordado anteriormente) e na fabricação do pouso lunar. Começo melhor do que esse não é fácil de ser concebido. No entanto, como Carter passa a lançar mão de recursos equivocados ou injustificados (a narração em off de Mulder só terá propósito narrativo caso o seu uso seja legitimado por algum acontecimento futuro), a narrativa desanda rapidamente. Porém, torna-se necessário dizer que ainda é muito cedo para formar noções definitivas e que, diante de Arquivo X, se fechar para grandes reviravoltas – até mesmo qualitativas – é um grande erro. Essa impressão, inclusive, cresce ainda mais quando levamos em conta as revelações de My Struggle III e as diversas tentativas da série de se manter relevante nos dias de hoje (a maioria bem-sucedida).

Arquivo X – 11X01: My Struggle III (Idem, 2018, EUA)

Criado por: Chris Carter
Direção: Chris Carter
Roteiro:
 Chris Carter

Elenco: David Duchovny, Gillian Anderson, Mitch Pileggi, Barbara Hershey, Annabeth Gish, William B. Davis, Robbie Amell, Lauren Ambrose
Gênero: Suspense
Duração: 40 min.

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