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Nos últimos anos tem sido difícil encontrar um filme catástrofe que valha a pena ser assistido. Tempestade: Planeta em Fúria se perdeu em seu roteiro confuso, Terremoto: A Falha de San Andreas tinha bons efeitos, mas pecava pela falta de intensidade. Já Arranha-Céu: Coragem Sem Limite mescla boas cenas de ação com uma trama ajeitada e segura em sua principal estrela Dwayne Johnson (Jumanji: Bem-Vindo à Selva).

The Rock só falta fazer chover para salvar seus dois filhos e sua esposa de uma organização criminosa que tenta a todo o custo pegar algo que se encontra com o dono do prédio mais alto do mundo (Zhao Long Ji). Enquanto luta contra os terroristas e protege sua família precisa fugir do fogo que vai subindo andar por andar.

É uma produção que de início parecia ser mais uma história comum de um homem lutando pela sobrevivência, mas ganhou algo a mais quando o diretor Rawson Marshall Thurber (Família do Bagulho) decidiu criar um personagem mais realista e humano do que nos habituamos a ver em filmes de ação. Não o mostrando, a princípio, como apenas um homem forte que consegue bater em todos e sair das situações impostas sem muitos problemas. Ele é um homem comum, perdeu a perna em um incidente quando trabalhava nas forças de segurança e agora precisa lutar contra ameaças muito reais.   

Esse fato de o fazer deficiente é o que dá o tom “a mais” para a produção e a tira da mesmice. Seria muito simples e até mais fácil para o roteiro se ele estivesse com as duas pernas. Ter a perdido faz com que algo que pareça simples – se levar em conta o histórico dos personagens do ator no cinema – como pular de um prédio pegando fogo ou fugir dos criminosos uma tarefa bastante complicada, e algo inédito ocorre fazendo o protagonista apanhar bastante. A criação de um protagonista humano em tempos de filmes de super-heróis é um acerto em cheio e essas situações pelas quais passa são importantes para inserir o espectador em sua angústia de ter de sobreviver.

Como não deveria ser diferente de uma produção do tipo, há boas cenas de ação todas impostas ao personagem de The Rock. Ele salta para o prédio em chamas, foge do fogo, se pendura na janela e pula para outros andares. Tudo isso com doses de emoção que fariam qualquer um com vertigem se desesperar. Empolga na mesma perspectiva que a cena de Tom Cruise se pendurando do edifício em Missão: Impossível – Protocolo Fantasma. Já as cenas envolvendo o vilão poderiam ter sido melhor trabalhadas e não seguem um caminho do já conhecido tiroteio e pancadaria. Alguns de seus muitos pulos podem soar como forçados, mas isso faz parte de uma produção que precisa fazer algo para chamar a atenção do público e quebrar a monotonia que se encontra dentro do prédio.

Nas principais cenas em que há mais emoção é que está a principal falha de Arranha-Céu. O elenco não parece ter dado tudo de si em relação a passar sentimentos de pânico ou de medo com um prédio inteiro pegando fogo. Tanto Neve Campbell quanto as duas crianças que interpretam seus filhos estão fracos. Não passam a sensação de estarem em uma situação limite e isso atrapalha bastante na hora de fazer o telespectador se emocionar. Quem diria que o destaque quanto a este elemento é The Rock. O ator sempre foi criticado por suas atuações e aqui parece ter se motivado mais e é o que passa mais realidade na interpretação entre seus pares. Mesmo nas partes em que pula do prédio há um certo pavor em errar e cair, mas ele tem uma motivação que é a de salvar a família e isso que o faz passar por cima dos obstáculos que aparecem pelo caminho. 

Do elenco secundário poucos se salvam. The Rock leva toda a produção nas costas e Neve Campbell toda vez que aparece parece muito superficial em sua interpretação. Sua personagem não tem função alguma até o último ato, quando do nada aprende a lutar. As crianças estão bem, mas os personagens novamente não ajudam. O vilão tenta fugir do esterótipo do fortão que sai atirando impiedosamente. Há momentos que você nem percebe que ele está ali, nem que ele é um real perigo para os sobreviventes do prédio. Infelizmente é um vilão bastante esquecível e que foi pessimamente trabalhado pelo roteiro. Sua motivação, por exemplo, é ridícula e o motivo de invadir o prédio é pior ainda. O vilão e sua trupe estão lá claramente para fazer o filme durar mais, pois só o incêndio não iria segurar a trama sozinho.

Os efeitos especiais são um triunfo a parte para a produção, já que o prédio pegando fogo é o principal cenário e o centro da ação de toda a produção. O fogo é de impressionar pela dimensão e o prédio ajuda bastante nisso. Criaram um ambiente perfeito para a história, o prédio foi pensado de um jeito que seja fácil de entender como é por dentro e suas rotas de saída. 

O roteiro não é confuso e não tenta fazer algo de diferente para impressionar. Usa todos os elementos do cinema catástrofe, mas dando um toque mais real aos acontecimentos, algo que muitas produções tentam fazer, mas acabam por forçar a barra e tornar um filme simples em algo mais distante do pretendido. Arranha-Céu entrega o que o público quer ver: ação, luta pela sobrevivência e a união familiar como força central para sair de uma situação limite. Tudo isso tem o dedo do diretor Rawson Marshall que entre erros e acertos costura uma boa narrativa que em nenhum momento cai na monotonia e mesmo quando isso parece acontecer ele dá um gatilho que algo de novo aconteça e volte a movimentar o filme. 

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (Skyscraper, EUA – 2018)

Direção: Rawson Marshall Thurber
Roteiro: Rawson Marshall Thurber, Beau Flynn
Elenco: Dwayne Johnson, Neve Campbell, Pablo Schreiber, Chin Han, Noah Taylor
Gênero: Ação, Thriller
Duração: 103 min

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