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Desde 2001, Renée Zellweger e as desventuras amorosas de Bridget Jones vem conquistando os corações de solteironas do mundo inteiro. Inspirado nos livros de Helen Fielding, um dos triângulos amorosos mais engraçados do cinema britânico, não levou muito até aparecer em uma sequência em 2004 com Bridget Jones: No Limite da Razão. Deixando a franquia na geladeira por 12 anos, enfim Bridget retorna sua derradeira aventura amorosa definitiva.

Praticamente com quarenta anos e sem marido, namorado ou filhos, Bridget alcança o sucesso no jornalismo tornando-se diretora de um telejornal em Londres. Entre o vai e vem cotidiano, a âncora do programa, sua amiga, a convida para ir em um festival de música que ocorrerá no interior da Inglaterra. Lá ela conhece Jack, galã de meia idade com quem ela acaba indo para a cama. Porém, alguns dias depois, ela reencontra seu ex-marido e antigo amor, Mark Darcy. Depois de um papo e ligeiros coquetéis, também dorme com a paixão de outrora.

Após alguns meses, com todos os sinais de uma gravidez, Bridget se encontra novamente em um dilema tão digno do nome dela: descobrir quem é o pai de seu bebê. Até o nascimento da criança, ela terá que se decidir se reata vida amorosa conservadora e segura com Darcy ou parte para uma grande aventura imprevisível com o bonachão Jack.

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Com presença ativa da autora Helen Fielding no texto do longa, é possível afirmar que as características marcantes da franquia continuam presentes – mesmo que o roteiro tenha colaboração de mais outras duas pessoas. Assim como nos outros dois filmes, o conflito principal se desenlaça em mais um triângulo amoroso com Bridget sendo disputada por outros dois homens – Hugh Grant dando a vez para Patrick Dempsey.

As maiores novidades ficam por conta do salto temporal e das mudanças na vida de Bridget, agora uma ex-gordinha e bem-sucedida. Enquanto o filme diverte contando uma história agradável como as outras, é um roteiro bastante pautado por clichês e agora, agravados por conta da história de Um Senhor Estagiário, pois aqui também há aquela intenção discussão sobre o “rejuvenescimento” do mercado de trabalho, jogando profissionais mais adultos em escanteio.

Logo, Bridget é confrontada por uma nova chefe megera e antipática. Um núcleo conflituoso bastante forçado e que não agrega, removendo tempo de tela onde a história tinha que se concentrar mais: no novo personagem Jack interpretado por Patrick Dempsey e sua relação com Mark Dary vivido novamente por Colin Firth.

A inserção de núcleos secundários de conflitos distintos talvez seja o maior problema dessa comédia romântica. Até mesmo nesse drama de sucateamento de antigos profissionais, a amiga de Bridget acaba desaparecendo do filme por um tempo relevante. Também há o mais descartável que acompanha a mãe de Bridget movendo uma campanha eleitoral em busca de um cargo de deputada. Aqui há um jogo de conflitos de gerações a respeito de morais e bons costumes um tanto deslocado para uma obra do cunho Bridget Jones, entretanto serve para inserir certa complexidade em como a gravidez inesperada de Bridget poderia afetar a campanha da mãe.

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Então, ao mesmo tempo que a roteirista tenta mostrar que Bridget evoluiu, também cria situações que a jogo diretamente para as enrascadas do primeiro filme. Há quem goste, porém, em termos artísticos, trata-se de uma reciclagem levemente modernizada, adaptada para os tempos de hoje.

Jogando a relevância dos conflitos secundários para trás, o longa oferece o sempre divertido conflito da disputa masculina por Bridget. A novidade é que agora os conflitos são muito mais diretos já que Mark e Jack convivem com a protagonista durante boa parte da gravidez rendendo ótimos momentos – todas as cenas com a ginecologista são ótimas. Nisso, o longa é excelente, trazendo o humor típico da franquia com o trio de personagens interessantes.

Sharon Maguire retorna para dirigir o capítulo final da trilogia – ela é a responsável por O Diário de Bridget Jones. Mesmo estando ociosa por tanto tempo, Maguire consegue conferir o feeling e a atmosfera genuína do início dos anos 2000 para os enquadramentos desse novo filme. Se valendo de uma estrutura tecnológica e de produção maiores, o visual do longa ganha tons mais interessantes assim como a movimentação de câmera. Porém, tudo muito regrado para pertencer àquela unidade visual característica das comédias românticas dos anos 1990 e 2000.

Maguire até mesmo arrisca um plano sequência fácil durante o festival musical e arranha simbologias fortes se valendo de inspiração de O Império dos Sentidos durante o clímax do filme quando Darcy caminha em sentido contrário a uma manifestação denotando todo o cavalheirismo e conservadorismo do personagem. É algo bacana e corajoso de se ver em obras desse gênero. De resto, a diretor ainda continua muito feliz no uso inteligente da trilha musical e no uso correto da montagem em favor da comédia.

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Impossível não citar o trabalho divertido que Zellweger construiu ao longo de tantos anos. Aqui, há certa mudança substancial na psique da personagem e ela consegue transmitir isso com maturidade enquanto em diversos momentos repete os maneirismos e nervosismos atrapalhados que marcaram a personagem quando mais jovem. É um trabalho de resgate impressionante que deixará os fãs da franquia tranquilos em ver como Renée preservou bem as características de Bridget.

O Bebê de Bridget Jones tem os mesmos defeitinhos dos filmes anteriores – um tanto previsível e clichê, porém não acho que isso seja lá grande demérito de uma obra tão modesta e despretensiosa quanto é essa querida franquia. Este terceiro longa marca um retorno muito amistoso e divertido capaz de fazer o mais emburrado espectador sorrir em algum momento. As piadas continuam engraçadas, o slapstick ainda é eficiente e os diálogos são mais graciosos. Com certeza qualquer fã sairá satisfeito, pois é mais um Bridget Jones que transborda do carisma tão único desses filmes.

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