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Todos nós temos aquele amigo ou colega que todo mundo conhece e tem uma história curiosa sobre. No meio do showbiz da Nova York de Woody Allen, esse cara é o agente de talentos Danny Rose (Woody Allen). Dentre os talentos peculiares agenciados por Danny estão um xilofonista cego, um encantador de pássaros e uma moça que toca melodias em taças de cristal. Quando um de seus clientes, o simpático (porém cafona) cantor de lounge bar Lou Canova (Nick Apollo Forte), começa a ganhar notoriedade com uma onda de nostalgia dos anos 1950, Danny toma para si a missão pessoal de ressuscitar a moribunda carreira que Lou já teve. Com problemas com alcoolismo e com um casamento em frangalhos, Lou precisa de sua amante, a qual considera como um amuleto da sorte, para ter a confiança necessária para uma apresentação que pode mudar os rumos de sua carreira.  

Outra das célebres comédias de Woody Allen, Broadway Danny Rose é uma amostra perfeita das maiores qualidades do cinema do diretor. Com um filme leve e espirituoso, Allen nos ganha com um humor no tom preciso, completamente baseado na narrativa e construção dos personagens. O diálogo é ágil e inteligente, sem jamais ser expositivo e contém tiradas sensacionais, especialmente as frases do personagem titular. Contada através de flashbacks bem encaixados, a trama flui naturalmente pela sequencia de dificuldades que Danny enfrenta para reconciliar seu cliente Lou com sua amante Tina (Mia Farrow, impecável). Além disso, a opção pelo uso de flashbacks permite que o caráter do personagem de Allen seja construído pela perspectiva de outros (no caso, comediantes que o conhecem), o que o enriquece bastante.

A fotografia brilhante de Gordon Willis consegue mais uma vez trazer um dos trunfos de Woody Allen: a sua Nova York particular. Como já havia feito em outros filmes, (como o sensacional Manhattan), a cidade não é apenas um pano de filme para o longa, mas sim um personagem vivo na trama, desde as margens do Rio Hudson até a deli onde se passa a estória. A paciência na composição e duração dos quadros é primorosa, servindo de exemplo para as cada vez mais pobres cinematografia e edição do cinema mainstream atual. Tudo isso em um preto e branco glorioso.

O ponto alto do longa, a exemplo de outras obras do diretor, são os personagens. O titular protagonista vivido pelo próprio Allen é um dos mais amáveis e bem construídos da carreira do autor, e conquista o espectador com seus trejeitos ansiosos e sua boa índole. Além disso, a dinâmica entre Danny e Tina é muito bem construída, o que forma o cenário para as enrascadas que eles se metem (como por exemplo, a célebre cenas dos dois amarrados) e prepara o terreno para um final emocionante. Através de uma trama aparentemente simples, Allen consegue, por seus personagens, tocar em temas importantes como fidelidade, remorso e compaixão.

A trilha sonora, apesar de muitas vezes precisa, é um dos aspectos mais fracos do filme. Tirando as músicas interpretadas por Lou, as de mais são referências óbvias à cultura Italiana e recorrem aos estereótipos mais ralos. O conflito gerado com membros da máfia devido a um mal-entendido com um dos namorados de Tina não chega a diminuir o filme, mas fica a sensação de que Allen poderia ter pensado numa solução mais elegante para o segundo ato.

Broadway Danny Rose é, apesar de curto (84 minutos), um grande filme, com personagens magnéticos e uma trama genuinamente engraçada e divertida, além de ser uma grande homenagem aos artistas de todos os níveis. Coroado com atuações brilhantes de Allen e Farrow, o longa está sem dúvidas entre as obras mais importantes de Woody Allen. Vale muito a pena ser visto.

Broadway Danny Rose (Idem, EUA – 1984)

Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco:  Woody Allen, Mia Farrow, Nick Apollo Forte, Sandy Baron, Corbett Monica, Jackie Gayle
Gênero: Comédia
Duração: 84 minutos

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