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Steven Spielberg é um dos nomes mais populares do cinema. Depois de ficar um pouco afastado das telas (desde Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal), ele retorna em 2011 com dois promissores projetos: Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim. Quanto ao épico de guerra, o resultado é clichê e até apelativo, mas inegavelmente satisfatório.

A trama segue o potro Joey, que é vendido para uma fazenda e logo treinado pelo jovem Albert, com que cria um vínculo indestrutível. Quando o animal é forçado a servir de montaria na Primeira Guerra Mundial, os dois seguem caminhos diferentes, enquanto a coragem e resistência do cavalo vai ganhando atenção durante o combate.

Esse é daqueles filmes que, quando anunciado, a expectativa é a de um torturante melodrama feito com a clara intenção de arrancar lágrimas de seus espectadores. Por um lado até que é verdade – já que em diversos momentos do filme, nem Spielberg nem o mediano roteiro de Richard Curtis e Lee Hall recorrem situações ou (péssimos) diálogos dramalhões – todavia pelo outro, a história é contada de forma leve e suficientemente agradável, acertando nos momentos apropriados.

Sendo centrado constantemente no cavalo do título, é interessante como o longa “troca” de narradores ao longo de sua projeção, ao mostrar os diferentes donos que Joey coleciona durante sua estadia nas fazendas e campos de batalha. O roteiro da dupla citada no parágrafo anterior é artificial na criação de seus diálogos, mas bem-sucedido quando o objetivo é transitar os diferentes personagens no cenário, mostrando os horrores da guerra através de diferentes olhos (soldados ingleses, alemães e fazendeiros) e situações, mesmo que o próprio não apresente um desenvolvimento tão profundo nas mesmas – desse jeito, o longa seria mais comprido do que já é.

E Spielberg sabe como montar e executar o espetáculo. Experiente após longas de guerra como O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler, não é nenhuma surpresa vê-lo retratando com o mesmo talento os terríveis conflitos durante a Primeira Guerra, especialmente aqueles que tomaram lugar nas trincheiras; e mesmo que não sendo tão violento e explícito (quanto Ryan, por exemplo), o diretor consegue criar uma atmosfera tensa, graças a ajuda da habilidosa montagem de Michael Khan e da linda fotografia de Janusz Kaminski – esta última cria um dos planos mais memoráveis do ano, onde uma execução é mostrada através de um moinho de vento. Não posso esquecer também de John Williams que, mesmo não sendo tão inventivo como antes, acerta na emocionante trilha sonora.

Com um elenco com poucas performances que valham a pena mencionar (a melhor delas sendo a de Tom Hiddleston, o oficial inglês que compra Joey), Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.

Cavalo de Guerra (War Horse, EUA – 2011)

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Lee Hall, Richard Curtis
Elenco: Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis, Peter Mullan, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Toby Kebbell, Patrick Kennedy
Gênero: Drama, Guerra
Duração: 146 minutos.

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