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O nome de Matt Reeves está em alta nos últimos tempos. Não por menos. O realizador é responsável por duas continuações avassaladoras do reboot da franquia Planeta dos Macacos. Além disso, fez um competente remake do filme sueco Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson.

No entanto, voltando um pouco mais atrás, o diretor sai das sombras de seu amigo próximo J. J. Abrams rumo ao sucesso com Cloverfield: Monstro. Claro, a parceria com o produtor aqui é fundamental para a realização do projeto, porém serviu para revelar o grande talento de Reeves.

Na trama, somos apresentados ao protagonista Rob Hawkins (Michael Stahl-David). Um jovem que está de mudança para o Japão após aceitar uma promoção no trabalho. Nisso, seus amigos mais próximos organizam uma festa de despedida, a qual deveria ser uma surpresa. A ocasião que deveria ser uma feliz celebração para Rob acaba se tornando uma desilusão, já que Beth (Odette Annable), garota por quem está apaixonado, aparece acompanhada de um novo pretendente amoroso.

A situação toda é filmada por “Hud” (T.J. Miller), que é encarregado por Jason (Mike Vogel) ao ofício. Em um momento de solidão na festa, Rob é visitado por ambos, os quais o aconselham a desistir da ideia de ir pro Japão e investir no relacionamento com Beth. Enquanto a discussão prossegue, uma explosão ocorre na ilha de Manhattan, o prédio em que estão balança, rugidos são ouvidos e um apagão os deixa no escuro. O Monstro começa sua destruição.

O roteiro, escrito por Drew Goddard, é bem simples, e divide-se em três partes: a festa de Rob, o ataque do Monstro, e então a execução de um plano pelos personagens. A primeira parte surge apenas para apresentar-los, já que dada às circunstâncias, nenhum deles, com exceção de Rob, são bem desenvolvidos. Todos aparentam ter as mesmas utilidades em cena: morrer a fim de gerar impacto em cena e exprimir reações. Por vezes, os diálogos são limitados a gracejos tornando-se bastante incômodos.

O ataque do Monstro é o ponto alto de todo o longa. A surpresa tenebrosa é criativa ao se assemelhar com o ataque de 11 de setembro (aliás, todo o marketing da obra envolve certas comparações com o trágico acontecimento, incluindo o pôster que imita a icônica imagem da Estátua da Liberdade em frente as destruídas Torres Gêmeas). Os noticiários em alerta, a população correndo desnorteada em meio as cinzas, tudo ocorre de maneira muito orgânica é possível comprar a situação. No entanto, a terceira parte exige certa suspensão de descrença, devido a um plano absurdo. Os personagens são jogados no clichê “donzela em perigo”. E após arealizarem o objetivo, o texto de Goddard parece ligar o piloto automático, buscando encerrar com o filme de qualquer modo possível.

Se o roteiro é um tanto falho em alguns pontos, a força da obra se encontra nos valores mais técnicos. A direção de Matt Reeves é o ponto de destaque aqui. O cineasta talvez seja um caso raro de bom uso de shaky cam e do formato found footage como um todo. A câmera, que teoricamente está na mão de ‘Hud’, nunca perde o foco com o que está em cena. Ela é instável, sim, mas sempre está direcionada aos locais certos – vide o próprio momento pós primeiro ataque quando nos deparamos com cidadãos sujos e outros civis feridos. Os cenários são todos bem explorados, tornando a geografia crível.

No entanto, admito que a tremedeira chega a cansar em alguns momentos, mas casa bem com o modelo proposto. E, além do mais, vejo que o longa se beneficia muito com isso, tornando-se um bom filme sobre monstros gigantes, com inspirações óbvias em Godzilla, mas que se diferencia com uma metodologia particular de desenvolvimento. O Monstro aparece em momentos muito sutis, embora ainda tensos, e a relação burocrática do governo com a situação é quase inexistente aqui – apenas vemos alguns oficiais em combate, ou seja… é um filme sobre a perspectiva de pessoas comuns perante um desastre catastrófico. Não esqueçamos o já mencionado paralelo com 11 de Setembro que fiz acima.

Falando agora de outras áreas, o setor de efeitos especiais merece elogios. O CGI da criatura, mesmo dez anos após a estreia do filme, ainda é competente. Os únicos instantes que se demonstra deficiente, porém, é na construção dos parasitas do Monstro – estes que perseguem os personagens e aparecem durante outros instantes. O design de produção também merece menção pela construção de cenários catastróficos. A fotografia acerta ao conferir identidade forte ao longa (e a franquia) apostando em uma palidez esverdeada.

Por fim, Cloverfield: Monstro talvez não seja o melhor filme para ser revisitado. Apesar de certos elementos, os personagens não são muito bons e a história em si não envelheceu muito bem. No entanto, os elementos de terror e a boa execução com o formato fazem valer a obra.

Certamente um clássico de gênero que deverá ser lembrado pelos fãs de monstros gigantes por um bom tempo.

Cloverfield: Monstro (Cloverfield, EUA – 2008)

Direção: Matt Reeves
Roteiro: Drew Goddard
Elenco: Lizzy Caplan, Jessica Lucas, Odette Annable, Michael Stahl-David, Mike Vogel, T.J. Miller, Anjul Nigam, Margot Farley, Theo Rossi, Brian Klugman, Kelvin Yu
Gênero: Ação, Thriller, Sci-fi.
Duração: 85 min.

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