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Dia após dia um dos maiores problemas de Deus Salve o Rei tem se tornado cada vez mais constante: a falta de desenvolvimento em cada capítulo. Ainda que alguns acontecimentos de destaque tenham ocorrido, em trechos pontuais, a grande maioria da novela tem se resumido a pura e simples enrolação, com alguns eventos importantes surgindo na abertura ou desfecho dos episódios, basicamente como se a emissora nos dissesse para assistir somente tais trechos. Esse novo capítulo, infelizmente, não foi diferente e, para piorar, insistiram em trazer notáveis pontos negativos de capítulos anteriores.

Comecemos por Montemor. Após Afonso partir para Artena, Rodolfo decidiu passar a nova lei, que pune aqueles que traírem seu esposo/ esposa – como não poderia deixar de ser, se tratando do príncipe mais novo, o tiro sai pela culatra e a primeira pessoa a exigir a punição é o marido de alguém com quem Rodolfo tivera relações sexuais. Como sempre, o roteiro faz do personagem o típico alívio cômico, gastando muito de seu tempo em tela para realizar piadas, como se grande parte da sua participação na novela se resumisse a esquetes de humor.

O pior de tudo é que, ao término do episódio, percebemos que toda essa história da lei não faz a menor diferença para a trama geral, já que ela é revogada nos minutos finais da exibição. A pequena dose de esperança de vermos algo significativo ocorrendo nesse lado da história, portanto, se resume ao incidente na mina, que, ao fim, transforma-se, também, em puro alívio cômico, enquanto os dois conselheiros de Rodolfo tentam aumentar a popularidade do príncipe com o povo – aliás, toda essa subtrama envolvendo os dois não passa o mínimo de credibilidade.

Já em Artena, regredimos ao que vimos nos capítulos inicias da novela, com Afonso e Amália se amando incondicionalmente após resolverem o impasse envolvendo a identidade verdadeira do príncipe em questão de instantes. Claro que isso reflete a paixão existente entre os dois e a grande química entre Marina Ruy Barbosa e Rômulo Estrela mais do que nos ajuda a engolir essa mudança da água para o vinho, mas poderiam ter gastado mais tempo desenvolvendo os temores da mulher em relação a esse homem que diz ser ferreiro. A equipe de roteiristas, contudo, parece se preocupar mais com a construção do triângulo amoroso envolvendo Virgílio do que, de fato, tratar os personagens com mais seriedade – bom exemplo disso é a súbita transformação da personalidade de Diana, que, subitamente, trata a amiga como se fosse, na realidade, sua inimiga.

O único, mínimo, desenvolvimento que vemos de verdade é o da relação entre Afonso e o pai de Amália, que acaba melhorando da maneira mais previsível possível, enquanto os dois trabalham no telhado destruído da casa. Uma sequência que evoca o máximo de vergonha alheia possível, rivalizando apenas com a extremamente intrusiva música tocada durante os beijos de Amália e Afonso – aliás, a novela certamente não acerta quando opta por aumentar o volume da trilha, criando trechos que parecem ter saído de um filme pipoca dos anos 1980, digno de sessão da tarde – não falando mal de tais filmes, muitos dos quais são ótimos, mas tal recurso não combina em nada com a proposta de Deus Salve o Rei.

Eis que, após toda essa história, vemos Amália sendo levada ao desfiladeiro pelo seu cavalo descontrolado e, aqui, Ruy Barbosa claramente não se sente à vontade com a cena, tentando, mas não conseguindo passar a necessária credibilidade, seja com a expressão facial ou movimentos, que soam extremamente artificiais. Estrela, por outro lado, se sai bem, encarnando a figura típica do príncipe em seu cavalo branco, enquanto percorre aquela terra para resgatar a sua amada. O resultado é mais que previsível, mas, ao menos, a cena, parcialmente, funciona.

Já Catarina também permanece na mesmice durante praticamente todo o episódio – a doença do Marquês certamente vem como a esperança de que tal subtrama pode, enfim, caminhar, mas, ao menos aqui, é somente isso que vemos acontecendo. Além, é claro, da crescente inimizade entre a princesa e o conselheiro do Rei, que descobre das intenções de Catarina em não casar com o Marquês – não que fosse um grande mistério, já que ela já pediu a ele para intervir ao rei no seu lugar. Tudo piora quando levamos em conta o forçado tom de voz de Bruna Marquezine, que ainda não se encaixou idealmente no papel, produzindo uma voz estranha que quebra nossa imersão completamente, impedindo que consigamos acreditar em sua personagem plenamente.

No fim, esse nono capítulo da novela não nos traz muitos acontecimentos de destaque, repetindo os mesmos erros observados nos episódios anteriores, enquanto a falta de desenvolvimento incomoda cada vez mais. Resta torcer para que, nos próximos capítulos, vejamos o tempo sendo mais bem utilizado, caso contrário, seremos ainda mais convencidos de que, para entender a obra, basta assistir seus minutos iniciais e finais.

Deus Salve o Rei – Capítulo 09 (idem – Brasil, 18 de janeiro de 2018)

Direção: Fabrício Mamberti
Roteiro: Sérgio Marques, Angélica Lopes, Dino Cantelli, Cláudia Gomes, Péricles Barros
Elenco: Marina Ruy Barbosa, Rômulo Estrela, Bruna Marquezine, Johnny Massaro, Ricardo Pereira, José Fidalgo, Tatá Werneck, Vinicius Calderoni, Marco Nanini, Caio Blat, Vinícius Redd, Fernanda Nobre, Débora Olivieri, Giulio Lopes, Marina Moschen, João Vithor Oliveira
Emissora: Globo
Duração: 43 min.

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