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Doentes de Amor – em mais um caso de terrível tradução brasileira, do diretor Michael Showater (Doris, Redescobrindo o Amor), ao passo que possui uma premissa batida de comédia romântica/biografia, tenta injetar novo gás ao já desgastado gênero. Para isso, ele ambiciona ao tentar utilizar alguns artifícios como uma distinção visível entre os 3 atos, fluidez narrativa através de diálogos e montagem, humor e a presença – tanto no roteiro quanto no papel principal – do comediante Kumail Nanjiani, o próprio alvo da biografia da vez.

Não sendo bem sucedido no processo, ao tentar demais e se apoiar em bases clichês, o longa não encontra sua identidade e é vítima de um grave desequilíbrio de ideias.

O primeiro ato é reservado para a apresentação e aproximação do casal, bem como uma subtrama envolvendo o clube de stand up comedy de Kumail. De cara, alguns defeitos já começam a dar as caras. O humor não é bem costurado, na maioria das vezes soando forçado ou bobo e a subtrama dos comediantes não é construída de forma satisfatória.

Não fossem as atuações competentes de Kumail – inicialmente limitado – e Zoe Kazan, perderia facilmente o interesse pela obra. Logo, ao chegar o segundo ato após a virada dramática, vemos o foco mudar totalmente e o humor operando por outra estratégia, onde Kumail conhece os pais de Kazan. Aumentando a dramaticidade e não omitindo o humor, a obra perde o equilíbrio e a tão almejada fluidez narrativa cai por terra.

Novamente, o que deixa as coisas mais interessantes são as atuações, dessa vez, com Kumail mais carregado e com a dinâmica do casal formado Ray Romano e Holly Hunter – o melhor ponto do filme – segurando a base. No terceiro ato, temos a confirmação da má utilização e inserção não somente da subtramas dos comediantes mas também de uma envolvendo a família de Kumail – que poderia ter rendido uma discussão e conflitos relevantes se mais aprofundados.

Justiça seja feita, Showater, na medida do possível, sabe filmar diálogos. Não só se utilizando do plano e contra-plano mas alternando entre planos abertos, médios e fechados, o diretor diversifica a linguagem e não deixa o falatório se tornar cansativo, por mais que haja desequilíbrio no tom.

No fim, Doentes de Amor tenta dar passos largos com pernas curtas em uma estrutura diversa mas de texto, cinematografia e identidade sonora clichês com um grave problema de desencontro entre ser uma comédia romântica com momentos dramáticos ou, efetivamente, um drama. Entretém pelo carisma dos atores, seus diálogos e interações e o modo como são filmadas mas peca por não dar a devida atenção a subtramas que tomam mais tempo do que o necessário de forma rasa e pelo desequilíbrio narrativo.

Doentes de Amor (The Big Sick, EUA – 2017)

Direção: Michael Showater
Roteiro: Kumail Nanjiani e Emily V. Gordon
Elenco: 
Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano

Gênero: Comédia, Drama
Duração: 120 min

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