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Após ter derrotado Piccolo Daimao e, depois, seu filho em um apertado torneio de artes marciais, a história de Goku dá um pulo temporal de cinco, trazendo consigo diversas mudanças que definirão o tom da obra a partir daqui. No arco anterior já era óbvio que Goku e Piccolo eram os guerreiros mais fortes da Terra – a trama, então, se abre para outros planetas.

Logo nas primeiras páginas já vemos a queda de uma nave alienígena na Terra, testemunhando este fato, um fazendeiro vai até ela e se depara nada menos que um homem, um homem com cauda. O alienígena, sem hesitar, mata o fazendeiro e, através de uma máquina que detecta o poder das pessoas vai em busca do ki mais alto da proximidade. Não é preciso avançar muito para notar que Dragon Ball continuou a progressão de seu tom, de cômico para cada vez mais sério. Tal mudança já era nítida desde a segunda metade do arco Red Ribbon, mas somente agora atingiu um ponto que a morte é tida com maior banalidade. As lutas não mais são meros torneios.

Essa, porém, não foi a única mudança. A talvez mais óbvia tenha sido o envelhecimento de Goku, que agora é um adulto e tem seu próprio filho, Gohan, surpreendendo a todos à sua volta. Isso acaba constituindo uma importante qualidade para o mangá: sua capacidade de renovação, que não só traz inimigos novos, como uma verdadeira progressão de seus personagens principais – ainda mais agora que descobrimos a verdadeira origem do protagonista. O abandono de alguns personagens secundários é, sim, evidente, mas o arco dos Saiyajins acaba minimizando esse defeito, incluindo diversos personagens nas principais lutas e garantindo a importância das suas ações. No fim temos um esforço conjunto no combate aos saiyajins.

A maior qualidade desta trama, contudo, é justamente a forma como expande sua própria mitologia. Através de um choque para todos os fãs que acompanharam o jovem Goku, somos levados ao mini-planeta do Sr. Kaioh, onde vemos um treinamento que só não é superado em humor pelo de Mestre Kame no primeiro arco. Aqui também fica nítido que o protagonista envelheceu e, embora tenha amadurecido, manteve suas principais características de criança: ingenuidade e entusiasmo. Mas eu não poderia falar da expansão do universo de Dragon Ball sem, ao menos mencionar um dos melhores personagens de toda a sua história: Vegeta.

O incrivelmente orgulhoso e maldoso (posteriormente, no arco dos Androides, veremos do que seu coração é feito) saiyajin ocupa seu merecido lugar como um dos melhores vilões de Dragon Ball. Na maioria do arco ele permanece como eminencia parda ao lado do exageradamente musculoso Nappa. Aos poucos, através de diálogos e algumas reações de ambos passamos a enxergar a ameaça que ele representa, apesar de ser consideravelmente mais baixo que a maioria dos personagens.

O arco dos Saiyajins é de grande importância para Dragon Ball como um todo e define como a história irá progredir a partir daqui. Os tempos de Goku criança e seus torneios de artes marciais acabaram e, mesmo que estes retornem em alguns arcos, são mais marcados pela violência. Este é um arco que trabalha em cima da criação de expectativa e consegue entregar um resultado mais do que desejado, através de uma constante tensão e uma das melhores lutas de todo o mangá.

Dragon Ball – Arco 04: Os Saiyajins
Roteiro: Akira Toriyama
Arte: Akira Toriyama
Lançamento oficial: Japão, 1984
Lançamento no Brasil: 2012 (Edição da Panini)
Editora: Panini
Capítulos: 195-241

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