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Goku se tornou um super saiyajin e, em uma Namekusei prestes a explodir, derrotou o ser mais poderoso do universo, Freeza. Os momentos finais do quinto arco de Dragon Ball nos deixaram no maior suspense até então empregado na obra, de forma que ficamos sem saber o destino do já querido protagonista. Não demora muito, porém, para algo totalmente inesperado ocorrer: Freeza está de volta e junto de seu pai. A expectativa do leitor é, então, completamente estilhaçada quando um guerreiro misterioso aparece e, em instantes, derrota o terrível inimigo – para nos deixar ainda mais confusos: o desconhecido é também um super saiyajin.

Assim inicia um dos arcos mais inovadores do mangá, que introduz a viagem no tempo, realidades alternativas e o retorno da Red Ribbon, lembra deles da segunda história de Goku criança? Apesar de certamente conter um enredo criativo e, definitivamente mais sombrio que os antecessores, a trama dos Andróides/ Cell conta com diversos pequenos problemas que acabam tirando a força de sua narrativa. O primeiro desses se exibe logo em seu princípio: a aparição de Freeza é completamente desnecessária, tirando o propósito da vitória de Goku em Namekusei. O outro defeito mais marcante é a reciclagem de parte dos eventos ocorridos na história anterior: novamente o protagonista passa por uma recuperação e os outros guerreiros são forçados a lutar sem ele.

Felizmente essa falta de originalidade em certos pontos se extingue com a aparição do verdadeiro vilão do arco: Cell. Aqui devo tecer elogios ao seu design e seu próprio conceito – sua aparência inspirada em insetos (na cigarra, mais especificamente) garante um tom de metamorfose para a criatura, além de servir para aumentar o suspense que gira em volta do ser desde sua primeira menção. O fato dele contar com os poderes de cada um dos heróis e vilões passados também contribuem para a dose de inesperado em cada embate. Um ponto interessante que ressalto é justamente os traços da personalidade de cada um dos outros personagens inseridos na criatura – desde a sede pelo combate dos saiyajins até a crueldade de Freeza. Nesse aspecto, Toriyama somente peca na super utilização da regeneração herdada de Piccolo – chega a ser cansativo ver o vilão escapar da morte tantas vezes da mesma maneira.

Em termos de mitologia da franquia, este arco introduz um local de suma importância que será utilizado também na próxima história: a Sala do Tempo. Basicamente consiste em um aposento maior por dentro do que por fora (tecnologia time-lord, sem dúvidas) na qual cada ano dentro da sala consiste em um dia no mundo de fora. O porquê de Goku ou Kami-Sama nunca terem mencionado tal sala antes foge ao sentido, mas sua adição é definitivamente bem-vinda, ao passo que abre novas possibilidades dentro do mangá. Além desse acréscimo, os novos personagens, como Trunks, dão uma nova vida à narrativa, ao passo que garantem interações até então inéditas – Vegeta pai! Aqui fica fácil perceber uma qualidade desta história: Toriyama consegue encontrar um bom balanceamento, dando ações relevantes mesmo para os mais fracos que claramente não acompanham os saiyajins e Piccolo em poder.

Apesar de conter diversos pequenos problemas no roteiro, o sexto e penúltimo arco de Dragon Ball não deixa a desejar no quesito da inovação. É uma das histórias mais sombrias até então e apresenta um criativo vilão que garante uma das melhores lutas até então mostradas. A retomada de elementos antigos da franquia, como a Red Ribbon e o Torneio de Artes Marciais, apela fortemente para a nostalgia dos fãs e se encaixa perfeitamente dentro da narrativa do arco. Além disso, seu encerramento já define a caminhada para o fim do mangá e definitivamente não decepciona, prendendo o leitor em uma constante tensão.

Dragon Ball – Arco 06: Andróides/ Cell
Roteiro: Akira Toriyama
Arte: Akira Toriyama
Lançamento oficial: Japão, 1984
Lançamento no Brasil: 2014 (Edição da Panini)
Editora: Panini
Capítulos: 330-420

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