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*Este filme foi visto na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Esplendor busca refletir sobre a essência das imagens. O que define a natureza imagética? Os desenhos que se pintam na nossa memória são suficientes para determiná-la ou há necessidade de um dispositivo registral – como uma câmera ou máquina fotográfica – para que possamos tomar esses desenhos por imagens? Com a exceção das fotografias, quanto há de subjetividade e objetividade em uma representação pictórica? Um quadro ou filme se encerram em si mesmos ou contém espaço para que o espectador os reconfigure a partir do próprio referencial? São essas e outras perguntas que estão em jogo neste novo longa da diretora Naomi Kawase

No entanto, ao focar em uma protagonista que trabalha com audiodescrição e dedicar boa parte da narrativa à sua profissão, ela traz essa metalinguagem para o primeiro plano, em vez de deixar que ela formasse uma camada extra de apreciação estética e reflexão filosófica. Até mesmo na relação que a personagem principal mantém com um homem mais velho e o trauma pretérito envolvendo o seu pai não transmitem a sensação de viverem independentemente das perguntas que suscitam. Pelo contrário. A todo momento passam a impressão de que existem em função desse caráter filosófico.

Além disso, o filme toma partido sobre alguns questionamentos – como defesas pendendo muito mais para as imagens formadas na imaginação e na capacidade do sujeito receptivo de preencher lacunas imagéticas -, mas, paradoxalmente, entrega uma narrativa onde tudo é óbvio e apresentado diretamente. É verdade que os quadros fechados e os inúmeros close-ups foram compostos justamente para restringir o espaço cênico e permitir que o espectador imagine os arredores. Todavia, além de ser o único recurso condizente com as parcialidades da obra, essa opção estilística sempre é, do ponto de vista cinematográfico, repetitiva e visualmente paupérrima.

Dessa maneira, o longa atual da diretora japonesa comete o pecado de subestimar o seu público, tanto ao expor excessivamente o seu conteúdo quanto por forçar, através da trilha sonora e de momentos que nunca atingem o nível de lirismo imaginado pela realizadora, os seus dramas, conflitos e mensagens. Uma produção tão assertiva sobre as capacidades intelectivas do homem não pode ser demasiadamente óbvia.

Esplendor (Hikari, Japão – 2017)

Direção: Naomi Kawase
Roteiro: Naomi Kawase
Elenco: Tatsuya Fuji, Mantarô Koichi, Ayame Misaki, Masatoshi Nagase, Noémie Nakai, Saori
Gênero: Drama
Duração: 101 minutos

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