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Danilo Gentili e seus amigos do programa The Noite no SBT, Léo Lins e Murilo Couto, são alguns dos mais populares humoristas da nova geração e em Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro (Fabrício Bittar) mostram porque ainda têm muito para reinar por bastante tempo, não apenas na televisão e na internet, mas nos cinemas também. 

A ideia era a de criar um longa de terror com toques de humor, fazendo uma homenagem aos filmes que passavam no antigo cine trash e acertaram em cheio. Com uma trama de simples entendimento, humor afiado e com alguns elementos bem trabalhados do terror fazem aquilo que os fãs do gênero tanto buscam ao assistir a uma produção desse estilo, que é se divertir e ao mesmo tempo se surpreender.

Mesmo não assustando nem dando medo, Exterminadores do Além consegue criar uma atmosfera de suspense que prende o telespectador e o envolve acerca do mistério sobre a loira do banheiro e dos possíveis assassinatos na escola. Tudo em relação ao terror é feito de forma absurda, exagerada justamente porque esse é o conceito que o diretor queria transmitir, quanto mais exagerado e bizarro mais trash era e assim mais burlesco as cenas se tornavam. 

Alguns elementos presentes em filmes de terror são bem construídos no filme e outros nem tanto. Uma das situações que deram certo foi a violência empregada. Há sangue jorrando por todos os lados, situações grotescas e mortes bem trabalhadas. Por outro lado os jump scares não funcionaram do jeito que deveriam. Efeitos de jump scares são colocados em filmes de terror justamente para dar susto no telespectador. De início até chega a funcionar – mesmo sendo feito de forma exagerada e com o som jogado nas alturas – por outro lado esse efeito, depois de apresentado duas vezes, se torna repetitivo e desnecessário. Duas vezes já estava de bom tamanho, a partir daí ele começa a se tornar algo que já sabemos que irá acontecer tornando assim os sustos cansativos e óbvios. 

O trash presente nas cenas lembra bastante outras produções do gênero que se tornaram clássicas por usar esse tipo de estilo como fez The Evil Dead (Sam Raimi) com o excesso de sangue e  com as mortes bizarras e com a cena do bebê no laboratório que lembra, pela bizarrice, Fome Animal (Peter Jackson). E para construir as cenas, tanto de trash quanto de humor, o diretor usou algumas referências cinematográficas muito conhecidas pelos cinéfilos. Entre as produções reverenciadas por Fabrício Bittar estão Alien, o próprio Evil Dead, American Pie entre outras produções. Essas referências não atrapalham, pelo contrário, ajudam a compor os personagens, o ambiente pelo qual a trama se passa. Em alguns momentos essas referências parecem atrapalhar o andamento da história, mas isso não é verdade, elas ajudam bastante a construir situações que tiram o riso do público.

Por ser uma produção com quatro dos humoristas de maior destaque do cenário atual é de se imaginar que o humor fosse o ponto forte do filme, mas não é bem isso que se encontra. Possivelmente, para não tirar o foco do terror, deram uma diminuída no tom usado a partir do final do segundo ato para o terceiro ato em que começa o confronto contra a loira do banheiro. Até então havia um humor até que bem inserido, com frases prontas jogadas pelos personagens e situações absurdas feitas para fazer rir. Essas situações em alguns momentos parecem forçadas, feitas não de um jeito que parecesse ser instantâneo, algo que a produção Tucker & Dale Contra o Mal fez de forma fantástica, as situações nas quais os protagonistas se envolvem são tão simples e engraçadas que é algo que Fabrício Bittar poderia ter pensado em fazer em Exterminadores do Além. Quis levar muito a sério algumas questões e acabou deixando o humor instantâneo e simples de lado.

Léo Lins e Danilo Gentili são reconhecidamente os dois humoristas de maior destaque da trama. Léo Lins é o líder do grupo que caça fantasmas e interpreta um rapaz canastrão, enquanto Gentili faz um homem grosso e chato. O destaque provavelmente iria para um dos dois, mas acontece o contrário, é Murilo Couto que rouba o filme. O ator está ótimo e é uma pena que seu personagem esteja tão encostado durante a história, tendo apenas algumas cenas de destaque, e mesmo assim ele se sai bem, diferente de Gentili e Léo Lins, que parecem não estar tão soltos quanto estão no palco do The Noite, parecia que eles realmente estavam querendo ser algo que não eram e aí perderam o brilho, não foram eles mesmos, os grandes humoristas que todos conhecem. Fora o fato de quando os três estão em cena não há uma química, parecia que o trio de atores nunca haviam trabalhado junto.

Para tirar um pouco do peso em cima do trio protagonista colocaram personagens secundários que até se saem bem, mas são totalmente mal desenvolvidos e por ter pouco tempo de cena se tornam irrelevantes para a história, estão ali apenas para serem mortos e não fazem nada que acrescente algo a mais para a trama. Um desses personagens de segundo escalão (mesmo sendo uma humorista de primeira) é Dani Calabresa. Sua personagem de início pareceria que seria uma protagonista e o filme ia caminhando bem com ela, mas do nada decidem a abandonar, deixando em todos a pergunta porque deram tanto destaque para ela se iriam fazer aquilo com sua personagem. Se Dani Calabresa continuasse no filme iria dar o equilíbrio que faltou e não foi visto com o trio principal. Antonio Tabet (O kibeloco) também é um ótimo humorista e que não tem destaque nenhum, e o roteiro tenta dar um jeito ironizando a situação na qual seu personagem se encontra.

A loira do banheiro, que dá nome ao longa, é muito mal inserida na trama, sempre aparecendo como uma força oculta até que toma forma perto do final. Essa demora em fazer ela aparecer e o excesso de mistério sobre quem é acaba matando a vontade de ver a vilã. Chega um momento que nem se lembra que há uma loira do banheiro atrás deles pelo fato do espírito maligno não estar tão presente quanto deveria estar. Quando chega no confronto principal há uma necessidade de querer mostrar ela como um monstro, mas isso também já não fazia sentido pelo que propuseram durante o longa. Outro erro foi ter demorado tanto para mostrar a origem da lenda, essa origem poderia ter sido encontrada no segundo ato e que ajudaria a empurrar toda a história para o seu fina. Deixaram tudo para o último ato e acabou ficando um amontoado de informações sem relevância.

Fabrício Bittar é um diretor novo no cenário nacional e que só trabalhou em produções em que Danilo Gentili foi o protagonista. Ainda falta experiência em suas tomadas de decisão como o fato de não saber se faria um filme de assombração sobre possessão e falta ainda um tratamento melhor quanto a criação dos personagens, em Exterminadores do Além eles são vazios, não há um trabalho dramático feito em cima deles. É um diretor esforçado, gosta de filmar suas cenas várias vezes até que consiga tirar o melhor delas e que sabe contar bem uma história. Só lhe falta um pouco mais de agilidade e ousar mais nos planos feitos. 

O roteiro, mesmo sendo óbvio e em alguns momentos repetitivo, se sobressai em relação aos filmes de humor nacionais em que todas as comédias parecem dramalhões teatrais. Já em relação aos filmes de terror há muitas boas ideias só que sempre esbarram na falta de dinheiro para colocar em prática e Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro pode ser uma quebra nesse paradigma, com efeitos especiais eficientes possivelmente fará com que o público tenha um maior interesse por produções de terror feitas no Brasil. 

Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro (idem – Brasil, 2018)

Direção: Fabrício Bittar
Roteiro: Fabrício Bittar, Danilo Gentili
Elenco: Danilo Gentili, Léo Lins, Murilo Couto, Dani Calabresa, Matheus Ueta, Jean Paulo Campos, Ratinho, Dirgão Ribeiro, Antonio Tabet, Sikêra Júnior
Gênero: Comédia, Terror
Duração: 89 min.

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