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Se os fãs achavam que Game of Thrones havia dado tudo de si com o gancho horrendo e trágico do Casamento Vermelho na terceira temporada, eles não sabiam o que estava por vir com a quarta temporada; com exceção dos leitores dos livros, sorrindo de ponta a ponta pelo conhecimento do rumo dos eventos. Dada a complexidade e volume de A Tormenta das Espadas, o quarto ano da série adaptaria a segunda metade desse livro e, por virtude, D.B. Weiss e David Benioff acabariam deixando alguns dos arcos mais saborosos da obra de George R.R. Martin para esse ano.

E foi assim que nós tivemos a melhor temporada da série da HBO até agora, de longe.

A série começa com os Lannister aproveitando a esmagadora vitória contra os Stark durante o Casamento Vermelho, com Jamie Lannister (Nikolaj Coaster-Waldau) enfim retornando para sua família em Porto Real e lutando para recuperar sua habilidade como espadachim e Lorde Comandante da Guarda Real, ainda adaptando-se à sua mão dourada. Mesmo decepcionado com o estado de seu filho, Tywin Lannister (Charles Dance) segue mantendo a ordem e organizando os preparativos para o grandioso casamento real entre o Rei Joffrey (Jack Gleeson) e Margaery Tyrell (Natalie Dorner), enquanto Cersei (Lena Headey) resiste às ordens de seu pai e Tyrion (Peter Dinklage) segue com seu romance proibido com Shae (Sibel Kekilli) enquanto sofre cada vez mais pressão, dessa vez com as ameaças do recém-chegado Príncipe Oberyn Martell (Pedro Pascal), um jurado inimigo dos Lannister que planeja uma vingança.

Já Jon Snow (Kit Harington) mal sobrevive após abandonar os Selvagens e deixar uma furiosa Ygritte (Rose Leslie) para trás, tendo agora que lidar com a burocracia da Patrulha da Noite e tentar convencê-los do iminente ataque de Mance Rayder (Ciáran Hinds) e sua legião. Isso fica um pouco mais possível quando ele ganha o inesperado cargo de Senhor Comandante, o mais alto cargo dos Patrulheiros. Do outro lado, o arco de Arya Stark (Maisie Williams) fica mais interessante quando a jovem Stark é obrigada a viajar ao lado de Sandor Clegane, o Cão (Rory McCann), que fogem de saqueadores e caçadores de recompensa que estão atrás dos dois – e também Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) e seu escudeiro Podrick Payne (Daniel Portman), enviada por Jaime para encontrar Arya e levá-la em segurança. Já o debilitado Bran (Isaac Hempstead-Wright) segue com Hodor (Kristian Nairn), Jojen (Thomas Brodie-Sangster) e Meera Reed (Ellie Kendrick) para encontrar respostas sobre sua nova habilidade como warg, buscando pelo mítico Corvo de Três Olhos.

Finalmente, longe de tudo e todos, temos o arco de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke). Com uma massa gigantesca de escravos libertos e um exército poderoso de Imaculados, além do auxílio do grupo dos Segundos Filhos liderados por Daario Naharis (agora Michiel Huisman) e seus três dragões gigantescos, a jovem rainha agora avança para Meereen, uma das maiores cidades escravagistas de Essos, na intenção de libertá-la e continuar expandindo sua influência como grande conquistadora.

O Povo contra Tyrion Lannister

Que temporada mais fantástica. Você sabe que está diante de algo especial quando o episódio de abertura consegue atingir um nível excepcional, pois o retorno de GoT sempre foi considerado algo morno – especialmente nas duas temporadas seguintes. Porém, com uma direção requintada de D.B. Weiss e um roteiro primoroso do mesmo e David Benioff, Two Swords faz um trabalho memorável ao oferecer uma passagem de tempo discreta e que eficientemente nos apresenta a esta nova fase da série, começando com algo muito raro na série: uma cena pré-créditos, que aqui situa a posição avantajada dos Lannister ao trazer Tywin derretendo a imponente espada Ice de Ned Stark (Sean Bean) para dar origem a duas novas lâminas de aço valiriano; uma ação altamente simbólica e que perfeitamente situa o contexto do quarto ano.

Tal construção segue-se com perfeita maestria, e logo no segundo episódio, The Lion and the Rose, temos mais um grande choque que torna-se o mote da temporada: o assassinato do impiedoso Joffrey em seu casamento, envenenado misteriosamente pelo líquido em sua bebida. É um evento que surge como uma justiça poética para o espectador, que enfim sente-se vingado ao acompanhar o merecido fim de um dos piores e mais cruéis vilões da televisão americana, e todo o clima de mistério a lá Agatha Christie após sua morte é algo executado com maestria por Alex Graves, que seria responsável pela grande maioria dos episódios dessa temporada. E se na segunda temporada tínhamos uma cantoria heróica do The National para “The Rains of Castamere”, este episódio inteligentemente traz uma versão melancólica e fúnebre da mesma canção, agora pelo grupo Sigur Rós – que também tem uma pequena participação na cena do casamento.

A partir daí, temos a definição concreta do arco de Porto Real na quarta temporada. Sansa Stark (Sophie Turner) foge da cidade com Mindinho (Aidan Gillen), revelado como o conspirador para o assassinato do rei, levando a jovem Stark a fim de protegê-la e evitar qualquer suspeita. Isso deixa Tyrion como o grande acusado pelo crime, sendo trancafiado nas masmorras por Cersei e obrigado a esperar por um longo processo que levará o restante da temporada inteira para resolver-se. Mas não enganem-se ao pensar que isso é um grande filler, já que o nível do trabalho de roteiro de todos os envolvidos é primoroso. A começar pelos ótimos diálogos entre Tyrion e Jaime, onde finalmente vemos o segundo abraçar ainda mais a persona nobre e admirável que vinha adquirindo na temporada anterior, rendendo momentos intimistas onde os dois comentam memórias da infância e estabelecem um forte elo, onde Jaime verdadeiramente preza pela vida de seu irmão.

A narrativa caminha então a um dos mais bem escritos e executados momentos da série, que toma grande parte do episódio The Laws of God and Men. Nele, Tyrion é julgado por suas acusações diante de praticamente todo o reino, enfrentando seu pai como réu e a rainha Cersei como principal acusadora, enquanto Jaime luta para selar um acordo nos bastidores a fim de poupar sua vida. Tudo dá errado quando Shae é chamada para testemunhar contra ele, e o texto de Bryan Cogman aqui é excepcional ao trazer toda a raiva que Tyrion vinha guardando diante das injustiças de toda a sua vida e finalmente explodi-las ali mesmo, gritando como “não matou Joffrey, mas como adoraria o ter feito”. Talvez seja o ápice absoluto do impecável trabalho de Peter Dinklage em toda série, que merecia ter levado todos os Emmys só por essa cena incrível, onde o anão mé capaz de manter uma cordialidade inacreditável mesmo quando – literalmente – manda todos à merda e exige um julgamento por combate, na maior forma de desafio à seu pai.

E antes de continuarmos a análise dos eventos em Porto Real, é preciso uma pausa para falarmos de Oberyn Martell. Um dos personagens coadjuvantes mais adorados e populares da série, Pedro Pascal oferece ao Víbora Vermelha um aspecto exótico e sensual que acaba tornando todas as suas cenas um atrativo à parte, começando por sua bárbara introdução quando conhecemos seu lado psicopata ao ameaçar dois soldados Lannister em um bordel. Logo depois descobrimos o passado e a motivação de seu personagem, na cidade para vingar a morte de sua irmã pelas mãos dos Lannister, em um diálogo ameaçador e que nos apresenta a um discreto e memorável tema musical de Ramin Djawadi, que brinca com cordas orientais e guitarras para criar algo tão exótico e digno do personagem. Mas o Príncipe é essencial para o arco de Tyrion quando ele se oferece para ser seu representante no julgamento por combate, em uma bela cena onde novamente vemos uma poderosa nuance de Dinklage ao mal acreditar na proposta de Martell.

Isso nos leva à melhor cena da temporada e também um dos melhores momentos de ação de toda a série: a luta central que batiza The Mountain and the Viper, quando Martell enfrenta o bruto Montanha (o gigantesco Hafþór Júlíus Björnsson) no julgamento pela vida de Tyrion. É simplesmente uma aula de como se enquadrar e montar uma luta, com Alex Graves oscilando entre planos médios que nos deixam próximos do combate e planos aéreos que valorizam a riqueza do design de produção, que apresenta uma arena típica dos gladiadores romanos, e também pela diferença de coreografia dos dois lutadores; sendo o Montanha uma força colossal e desajeitada, enquanto Oberyn traz agilidade e movimento em seus diversos saltos e cambalhotas; exacerbados pela montagem precisa e intensa – mas graças aos planos fixos de Graves, a ação nunca torna-se incompreensível pelos cortes rápidos, mas sim mais intensa. E claro, nem precisamos nos lembrar do trágico desfecho da luta, que rende um dos momentos mais imperdoáveis e violentos da série, quando Oberyn é derrotado por seu próprio orgulho; em uma conclusão que definitivamente explodiu nossas cabeças.

A condenação de Tyrion acaba levando a temporada para um de seus eventos mais chocantes, como visto no season finale The Children – um excelente título, diga-se de passagem. Nele, Jaime quebra todas as regras e ajuda seu irmão a fugir de sua morte declarada, conspirando com Varys para libertá-lo das masmorras e guiá-lo para uma passagem secreta que o tirará de Porto Real. Porém, Tyrion acaba encontrando no caminho labiríntico das instalações o quarto de seu pai, onde Shae está em sua cama… Isso entristece o jovem Lannister, que violentamente sufoca sua ex-amante e acaba enfrentando Tywin em uma cena poderosa, onde o filho aponta um mortal arco e flecha para o pai, completamente desarmado enquanto está sentado na privada. Uma conclusão inebriante para um arco tão forte e intenso, que nos despede com Tyrion fugindo de Porto Real escondido em caixas de um navio.

Quem vigia os vigilantes?

Só por todos esses inacreditáveis eventos em Porto Real, a quarta temporada de Game of Thrones facilmente assumiria o posto de melhor ano da série até então. Porém, nossa alegria só aumenta ao perceber que esse mesmo cuidado e precisão também está presente nos outros arcos, que apresentam uma melhora considerável de suas ações anteriores.

A começar por Jon Snow, um personagem que cada vez mais ganha mais camadas, tanto de personalidade quanto de roupas, já que o posto de Comandante da Patrulha da Noite lhe garante ainda mais uma longa capa preta. A dinâmica de Jon tentando convencer os teimosos chefes militares da organização é interessante, ainda mais quando o jovem acaba obtendo uma posição de poder maior, estabelecendo um conflito forte com Alliser Thorne, um dos personagens que mais deu dor de cabeça para Snow durante a primeira temporada, e que servirá como um elemento decisivo para a temporada seguinte.

Quando a inevitável batalha entre os Patrulheiros e os Selvagens finalmente chega em The Watchers on the Wall, temos o retorno de Neil Marshall (que havia comandado o outro episódio inteiramente centrado em batalha, Blackwater) para registrar um dos maiores e mais espetaculares episódios da série até então. Com todos os 50 minutos voltados para o núcleo da Muralha, vemos a vasta legião de seguidores de Mance Rayder iniciar um ataque violento, trazendo até mesmo alguns gigantes para garantir a entrada no recinto – sendo a cena do túnel, onde um dos gigantes vai quebrando o portão de ferro enquanto três patrulheiros apavorados recitam o juramento à Patrulha da Noite um dos pontos altos de todo episódio. Marshall até consegue trazer um belo plano sequência que acompanha diferentes lutas e embates dentro do pátio da Muralha, que ganha um belo visual graças às cores azuladas da noite contrastadas com o amarelo das tochas e fontes de luz.

É aí também que atingimos um dos clímaces mais dramáticos para os personagens, quando o reencontro entre Jon e Ygritte dá-se em plena batalha. A jovem Selvagem é morta por um jovem patrulheiro, partindo o coração de Jon e rendendo um belíssimo plano onde ele segura seu corpo em meio a toda a violência e morte que contempla o fundo. A morte de Ygritte torna-se ainda mais impactante por, em um dos primeiros episódios da temporada, a jovem ter assassinado os pais desse garoto durante um ataque a uma vila, forçando-o a seguir sozinho e acabar juntando-se à Patrulha da Noite. É uma grande ironia e, de certa forma, uma justiça poética, do tipo que só George R.R. Martin é capaz de entregar dessa forma.

As Crianças

Outros arcos com menos tempo também foram capazes de entregar ótimos momentos. Quando voltamos à fuga de Sansa Stark, vemos que Mindinho planeja levá-la para sua tia Lysa Arryn (Kate Dickie) a fim de formar uma aliança e casar Sansa com o mimado Robin (Lino Facioli). É também quando aprendemos todas as reais intenções de Baelish, que está obcecado em conquistar o Trono de Ferro e também perigosamente atraído por Sansa. No episódio Mockingbird, temos uma reviravolta memorável quando o lorde assassina Lyra ao empurrá-la de um profundo poço para os céus, imediatamente nos remetendo ao duelo que salvou Tyrion durante a primeira temporada.

Já a durona Arya garante momentos divertidíssimos graças à sua ótima dinâmica com Clegane. Lidando com o fato de que o antigo Cão de Caça de Joffrey fora um de seus alvos em sua lista imaginária de morte, é uma inimizade crescente e que vai rendendo momentos onde os dois são forçados a trabalhar juntos para sobreviver, como na hilária sequência do frango no bar ou quando a dupla é atacada por canibais. É bom também ver o amadurecimento de Maisie Williams como atriz, que rende ainda o inesperado momento onde os dois chegam no Ninho da Águia para encontrar Lysa, que naquele ponto já havia sido assassinada. A reação de Arya? Uma explosão de risada. Uma gargalhada imensa de uma pessoa que parece não acreditar na quantidade de desgraça e má sorte que a vem seguindo por todos esses anos, e Williams merece aplausos por essa reação incrível e completamente fora do padrão.

Mas um dos grandes destaques desse arco é quando a linha narrativa de Arya e Clegane surpreendentemente cruza-se com a de Brienne e Pod em The Children. Temos aí um conflito de interesse e questões de confiança, já que Clegane tem certeza de que a cavaleira está ali para levá-la de volta aos Lannister onde será executada, sem saber a realidade de que Brienne planeja levá-la para segurança. A negociação acaba falhando e temos aí mais um exemplar de pancadaria incrível, com as forças brutas de Clegane e Brienne enfrentando-se em uma das brigas mais realistas e violentas da série, que rendem um duelo de espadas, orelhas sendo arrancadas na mordida e uma Gwendoline Christie absolutamente surtada quando inicia uma sucessão de socos e jabs para derrotar o Cão de Caça. Que luta, meus amigos.

Já o pequeno Bran e seus amigos seguem para a misteriosa jornada em direção ao Corvo de Três Olhos. Tudo culmina na sequência verdadeiramente apavorante do season finale, quando o grupo é atacado por criaturas conhecidas como Wights, parte do exército de mortos vivos do Caminhantes Brancos. Formados principalmente por esqueletos sinistros com fiapos de roupas e tripas ao redor de seus ossos, é uma cena que nos remete muito ao fantástico trabalho de stop motion do veterano Ray Harryhausen, e Alex Graves novamente é capaz de criar suspense e terror através de sua mise en scène criativa, além de nos trazer o nobre sacrifício de um dos personagens.

Destruidora de Correntes

Finalmente, chegamos ao arco cada vez mais próximo de Westeros de Daenerys Targaryen. Tendo libertado escravos e conquistado um valioso exército de Imaculados, a Rainha dos Dragões agora planeja um ataque à cidade de Meereen, onde visa libertar todos os escravos e assumir sua primeira posição de poder político. É o primeiro teste da jovem como uma líder, já que logo após sua conquista, o sistema econômico da cidade começa a decair fortemente, e diversos comerciantes e até escravos vão até a pirâmide da rainha para pedir o retorno da escravidão.

O roteiro explora diversas questões pertinentes onde o reinado de Daenerys é falho, especialmente no crescente descontrole de um de seus dragões, Drogon. Quando um destes inesperadamente queima os filhos de um fazendeiro, a personagem é posta diante de um imenso dilema, e é forçada a trancafiar seus queridos filhos em um calabouço. É um sacrifício, e vemos ali um dos melhores momentos de Emilia Clarke no papel, quando Daenerys luta para conter as lágrimas enquanto a gigantesca porta de pedra fecha-se sobre as criaturas digitais gritando.

Além disso, o círculo pessoal de Daenerys sofre mudanças interessantes. A relação com Daario Naharis torna-se mais íntima, com o mercenário tornando-se seu amante, para total desesperto e angústia de Jorah Mormont (Ian Glein), que nunca de fato teve sua paixão pela jovem rainha declarada, mas sempre foi evidente. E a situação não melhora para o nosso querido Cavaleiro da Friendzone, já que chega ao conhecimento de Daenerys um fato muito específico da primeira temporada, que o cavaleiro exilado tinha sido enviado em uma missão para espionar os primeiros passos de Targaryen e reportá-los para Robert Baratheon, uma função que ele abandonara a muito tempo. Mas não foi o bastante para Daenerys, que exila o cavaleiro, seu grande aliado desde o início. Definitivamente foi um ano de testes para Daenerys, mas conseguimos ver como essas ações crescem seu desenvolvimento e amadurecimento.

A quarta temporada de Game of Thrones é um grande deleite. Traz alguns dos melhores momentos de toda a série, sempre testando os limites de seus personagens e forçando-os a tomar decisões difíceis, ao mesmo tempo em que aumenta a escala do espetáculo e ajuda a tornar a produção da HBO um acontecimento lendário. A melhor temporada da série, e uma das melhores da História da Televisão.

Game of Thrones – 4ª Temporada (Idem, EUA – 2014)

Criado por: David Benioff, D.B. Weiss
Direção:  Alex Graves, D.B. Weiss, Alik Sakharov, Michelle MacLaren, Neil Marshall
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss, George R.R. Martin, Bryan Cogman, Vanessa Taylor
Elenco: Peter Dinklage, Emilia Clarke, Kit Harington, Sophie Turner, Nikolaj Coster-Waldau, Maisie Williams, Charles Dance, Stephan Dillane, Carice van Houten, Lena Headey, Finn Jones, Gwendoline Christie, Natalie Dormer, Rose Leslie, Nathalie Emmanuel, Kristofer Hivju, Pedro Pascal, Diana Rigg, Liam Cunningham, Alfie Allen, Isaac Hempstead-Wright, Kristian Nairn, Alfie Allen, Jacob Anderson, Iwan Rheon, Ciáran Hinds, Michiel Huisman, Thomas Brodie-Sangster, Ellie Kendrick, Daniel Portman, Kate Dickie, Lino Facioli,
Emissora: HBO
Gênero: Ação, Fantasia, Drama
Duração: 60 min

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