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Game of Thrones, a partir do momento em que começou a se expandir após a primeira temporada, teve alguns pequenos problemas de ritmo e progressão narrativa na hora de administrar seus vários núcleos, atingindo o perfeito equilíbrio somente na irretocável quarta temporada. O que vemos aqui, entretanto, é uma completa involução do que veio antes, com uma quantidade absurda de fillers e tramas que não levam a lugar nenhum. A temporada poderia ser resumida, sem exagero, em 5 ou 6 episódios. O choque e o espetáculo, antes tão organicamente inseridos, agora estão presentes somente por seu efeito de ação em uma decadência formidável de elaboração. Vejamos.

Tomemos o núcleo de Arya (Maisie Williams). Após a chegada da menina em Bravos para a busca do Homem Sem-Face, segue-se o treinamento para se tornar mestra assassina como “Ninguém”. Porém, apenas no último episódio, a Stark realiza algo relevante durante uma vingança pessoal. Demorou 9 episódios. Jon Snow (Kit Harington) enfrenta problemas na Muralha na hora de lidar com os Selvagens e sua Patrulha da Noite por 8 episódios até acontecer, em Hardhome, uma surpreendente e sensacional batalha contra os Caminhantes Brancos. Primorosa mas ainda espetáculo sem grande peso para uma mudança de personalidade dos envolvidos. Com o núcleo culminando em sua morte no episódio 10. Apesar de bem conduzida, faltou a essa morte melhor construção de antecipação e momentum que caracterizaram tão bem, por exemplo, as mortes de Ned, Joffrey, Oberyn e os eventos do Casamento Vermelho e The Children.

Cersei possui certamente o melhor arco da temporada, com a matriarca de King’s Landing tendo de lidar com a ameaça da Fé Militante e com o excepcional personagem de Jonathan Pryce, o Alto Pardal, findando na Caminhada da Vergonha com uma arrasadora interpretação de Lena Headey, merecedora de todas as premiações possíveis. Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) com Bronn (Jerome Flynn) em sua viagem para recuperar Myrcella igualmente teve seu núcleo arrastado. Com um final previsível e anticlimático, o arco poderia ter ocupado metade dos episódios que ocupou. Se ao menos as Serpentes de Areia não fossem tão subaproveitadas, talvez poderia ter puxado mais subtramas, o que não foi o caso.

O personagem de Peter Dinklage, Tyrion, que teve seu ápice dramático na temporada passada, passeia com Varys e depois com Jorah até parar em Meeren quase ao final da temporada. A amizade crescente entre o anão e Jorah, apesar de divertida de se ver em diálogos, carece de uma jornada mais interessante que sustente tantos episódios. Daenarys (Emilia Clarke) enfrenta uma crise política e econômica e tem de lidar com a ira dos Filhos da Harpia contra ela e os Imaculados. Seu núcleo melhora consideravelmente com a chegada de Tyrion, em uma das melhores interações entre atores da série mas seu arco termina com um cliffhanger totalmente brochante, depois de mais um exemplo de espetáculo sem sal onde um de seus dragões a tira da arena e voa para um local distante com Dothrakis.

Stannis (Stephen Dillane) protagoniza o núcleo mais bizarro da temporada. É incrível como a série se provou incapaz de lidar corretamente com o personagem ao longo das temporadas, nunca o aprofundando com um grande arco de desenvolvimento. Aqui a situação piora quando os roteiristas decidem que Stannis deve optar por matar sua filha, a queimando, para que seu plano dê certo. Acontece que a morte de uma criança numa fogueira é algo extremamente grave e necessita de uma construção e momentum que justifique o choque. Elementos totalmente ausentes, já que a relação da filha só fora bem estabelecida mesmo com Davos e o acontecimento não recebe grande enfoque dramático no episódio ou no seguinte, soando mais como uma forma cafajeste dos showrunners de manter a audiência fiel com choques vazios.

Ramsay (Iam Rheon) e Sansa (Sophie Turner) participam de um dos momentos mais polêmicos da temporada durante o estupro de Sansa por Ramsay enquanto Theon (Alfie Allen) observa apavorado. Apesar de ser bem conduzido e o foco na reação de Theon ser a jogada ideal da direção, o estupro pouco contribui para a elevação de Sansa como personagem. Mas claro, desde que as redes sociais estejam comentando e a audiência retornando para os episódios seguintes, está valendo, não é verdade? A conclusão do arco é previsível e morna e só denota mais a falta que o personagem de Aidan Gillen, Petyr Baelish, fez na hora de contracenar com Sansa e maquinar seus esquemas. Ah, e Brienne e Podrick aparecem de vez em quando por algum motivo. Obviamente, só mudando de verdade seus status no episódio final com outro cliffhanger.

Quanto aos aspectos técnicos, só resguardo elogios. O departamento de efeitos visuais continua demonstrando sua extrema eficácia na recriação dos dragões, das batalhas e cenários e o o trabalho de figurino mantém a consistência de outrora. O trabalho de direção de Miguel Sapochnik em Hardhome também deve ser elogiado pela condução de uma das melhores batalhas da série, sem medo de planos mais longos e um eficiente sustento de urgência. David Nutter, por Mother’s Mercy é outro que conduziu de forma crua, fria e memorável dois momentos fundamentais do episódio final, a Caminhada da Vergonha de Cersei e a Morte de Jon Snow.

A quinta tempora de Game of Thrones é, sem dúvidas, a pior da série, provando que David Benioff e D.B. Weiss se perderam no meio da caminho do planejamento. Se a anterior deu uma aula de como se fazer uma temporada com diversos fios narrativos com a total consciência de progressão e importância, esta dá uma aula de como não prosseguir com uma temporada. Apesar de medíocre em sua maior parte, a presença de 2 episódios bons – algo que viria a se repetir na temporada seguinte, as costumeiras excelentes atuações e todo o sensacional aspecto técnico elevam o material para acima do ruim, o que não apaga o fato de ser uma temporada filler e, contando que foram 10 horas gastas aproximadamente, isso conta bastante como fator crítico, tornando a série quase uma paródia de si mesma. Infelizmente, a situação ainda estava longe de melhorar significativamente no próximo ano. 

Game of Thrones – 5ª Temporada (Idem, EUA – 2014)

Criado por: David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Michael Slovis, Mike Mylod, Jeremy Podeswa, Miguel Sapochnik, David Nutter
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss, George R.R. Martin, Bryan Cogman, Vanessa Taylor
Elenco: Peter Dinklage, Emilia Clarke, Kit Harington, Sophie Turner, Nikolaj Coster-Waldau, Maisie Williams, Stephan Dillane, Carice van Houten, Lena Headey, Finn Jones, Gwendoline Christie, Natalie Dormer, Rose Leslie, Nathalie Emmanuel, Kristofer Hivju, Diana Rigg, Liam Cunningham, Alfie Allen, Isaac Hempstead-Wright, Kristian Nairn, Alfie Allen, Jacob Anderson, Iwan Rheon, Ciáran Hinds, Michiel Huisman, Thomas Brodie-Sangster, Ellie Kendrick, Daniel Portman, Kate Dickie, Lino Facioli,
Emissora: HBO
Gênero: Ação, Fantasia, Drama
Duração: 60 min

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