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Quem diria que após 2004, o Godzilla fosse voltar a fazer sucesso na grande tela. Em 2014 tivemos um reboot americano comandado por Gareth Edwards, em 2016 tivemos um novo filme do monstro feito no Japão, Godzilla Resurgence, e agora iremos ter uma trilogia de filmes animados do clássico rei dos monstros. A primeira parte da trilogia estreou em novembro nos cinema do Japão e agora mundialmente via Netflix

Produzido pelo estúdio Polygon Pictures e dirigido por Kobun Shizuno e Hiroyuki Seshita, a trama começa em 2048, com toda a raça humana sendo forçada a deixar o planeta Terra, após décadas de destruição causada pelo Godzilla e por outros monstros gigantes. Passados 20 anos, eles decidem retornar ao planeta Terra, e descobrem que o planeta envelheceu aproximadamente 20 mil anos após terem partido. Eles encontram o planeta com um ecossistema diferente e mais hostil, comandando pelo Rei dos Monstros.

A primeira coisa a se pontuar é que neste filme existem dois Godzillas, isso se não existirem mais espalhados pelo planeta. Acontece que durante estes 20 mil anos, o monstro se multiplicou e deu origem a “clones” dele, que possuem a mesma aparência do original de quando os humanos partiram da terra. Enquanto isso, o Godzilla original cresceu bastante neste tempo e se tornou ainda mais poderoso. O visual tanto do clone quanto do original são ótimos e diria bem aterrorizantes também, o CG também não deixa nada a desejar, uma ótima notícia para aqueles que estavam preocupados com isso.

Toda a parte visual do filme está excelente, os designers são muito eficazes e com bastantes detalhes, incluindo os trajes dos personagens, que estão todos sujos e cheios de arranhões e marcas, decorrentes dos anos que passaram no espaço. Ainda sobre a experiência deles durante a viagem no espaço, os tripulantes sofrem com escassez de suprimentos, incluindo água e comida, e alguns até se suicidaram por não aguentarem mais a vida no espaço. Felizmente, mostraram com clareza essa realidade sombria ao invés e optarem por mostrar uma realidade feliz, onde todos estariam melhor lá do que na Terra com os monstros.

O protagonista do filme, Haruo Sakaki, é quem monta o plano de ataque para destruir o Godzilla, com a ajuda do humanoide alienígena Metphies. Haruo apresenta motivações sólidas e convincentes que justificam por completo todas as suas ações aqui. Contudo, ele e o alienígena são os únicos personagens que realmente são interessantes, tanto que quando algum deles acaba morrendo em batalha, não há sentimento algum pela morte deles.

O filme é a primeira parte de uma trilogia, porém, pela duração da história deste primeiro longa, talvez não fosse necessário fazer esta divisão em três partes. Ficou claro aqui, principalmente pelo final (que lembra bastante o de Hobbit: A Desolação de Smaug), que poderiam ter colocado mais história aqui, pois não há um fechamento satisfatório.

As cenas de ação do filme são bastante sólidas, empolgantes e diversas vezes bastantes tensas, além dos enquadramentos durante elas que são muito bem feitos. As introduções de novos veículos militares futuristas, como uma moto voadora com poder de fogo foram grandes acertos, com isso também fica evidente a paixão dos envolvidos pela tecnologia futurista aqui.

Mesmo com alguns erros em sua execução, Godzilla: Planeta dos Monstros acerta ao entregar uma história bem diferenciada na franquia e por introduzir novas habilidades do monstro que dá título ao longa. A obra ainda deixa ganchos bastante adequados e intrigantes  para a sequência, como o Mechagodzilla, por exemplo. É um filme empolgante, um bom entretenimento. Com certeza quem gosta do Godzilla e de animes, vai se divertir assistindo.

Obs.: existe uma cena ao final dos créditos bastante essencial, não deixem de conferir.

Godzilla: Planeta dos Monstros (Godzilla: Monster Planet, Japão – 2017)

Direção: Kōbun Shizuno e Hiroyuki Seshita
Roteiro: Gen Urobuchi

Elenco: Mamoru Miyano, Takahiro Sakurai, Kana Hanazawa, Yūki Kaji, Tomokazu Sugita, Junichi Suwabe
Gênero: Aventura, Ficção Cientifica

Duração: 88 min

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