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Quando Michael Myers matou pela primeira vez em Halloween: A Noite do Terror, John Carpenter talvez ainda não compreendesse por completo o que estava criando, exatamente. O gênero slasher ganhava sua fórmula principal ali, estabelecendo as regras do assassino perseguidor, a final girl e todos os diversos clichês que acompanhariam o gênero até hoje. Mas, especialmente, Carpenter havia aberto a caixa de Pandora para uma continuação, motivada pelo imenso sucesso do primeiro filme nas bilheterias. Dessa forma, Halloween II: O Pesadelo Continua! é uma continuação eficiente no quesito suspense, mas que faz feio ao tentar aprofundar sua mitologia.

Começando imediatamente após os eventos do anterior, o longa dá sequência à noite do Dia das Bruxas ao nos mostrar o Dr. Loomis (Donald Pleasence) desesperadamente tentando encontrar o assassino Michael Myers (aqui, vivido por Dick Warlock), que desapareceu após matar três adolescentes e sobreviver a nada menos do que seis tiros no peito. Única sobrevivente do massacre, a jovem Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) é enviada para um hospital local para se recuperar, e é justamente para lá que Myers segue, em busca de algum tipo de acerto de contas com Strode.

Casos de família

O primeiro Halloween é algo que funciona perfeitamente de maneira isolada. Um slasher exemplar, movido pela arte do suspense e do simples. Aqui, Carpenter e Debra Hill retornam para dar continuidade à história, que já perde pontos pela complexidade forçada ao longo de sua narrativa. Claro, estou me referindo à bombástica revelação de que Laurie e Michael são irmãos, uma ideia que divide os fãs da franquia e que inclusive será descartada pelo vindouro filme de David Gordon Green. Esse elemento por si só já nos elimina aquele fator aleatório e simplista do original, tornando a matança de Michael uma missão pessoal. Porém, é de se admirar que a dupla tenha optado por uma continuação imediata, e que se desenrola – ainda – durante o restante da noite de Halloween.

Situar grande parte da trama dentro de um hospital garante um certo frescor, especialmente por não ser o tipo de ambiente que estamos acostumados a ver em filmes de terror. Se a dupla tira bom proveito disso para as cenas mais gráficas, como ao trazer Michael usando bisturis e até piscinas de hidromassagem como arma, peca pela artificialidade de se ter personagens médicos com um verdadeiro espírito adolescente, descambando para um sexo escapista clichê e completamente mal escrito. Uma sina dos filmes de terror, sim, mas que realmente não ajuda aqui, e o elenco coadjuvante pouco pode fazer para conquistar nosso interesse – incluindo Donald Pleasence, cujo personagem foi transformado no terapeuta mais impulsivo e alucinado que já vi.

Felizmente, Jamie Lee Curtis está de volta. Ainda que passe boa parte do longa deitada em uma cama de hospital e não tenha muitas falas, a atriz domina cada cena com sua impressionante expressividade. Quando o terror começa e Laurie se vê na necessidade de novamente fugir do assassino mascarado, o pavor de Curtis vai de seu rosto até cada centímetro de seu corpo, e testemunhamos o esforço de uma atriz para um projeto que não necessariamente é digno de seus dons, mas que definitivamente fica melhor graças a eles.

Atmosfera Hospitalar

Por fim, ainda que não seja um John Carpenter, o então estreante Rick Rosenthal é bem eficiente ao recriar a atmosfera e a técnica do primeiro filme. Temos algumas sequências do POV de Michael, o velho truque de longos planos onde vemos o assassino se aproximando por trás (sem que os personagens tenham conhecimento de sua presença) e um jogo de luz e sombras funcional, especialmente durante o momento em que a protagonista precisa se esconder em um estacionamento. Rosenthal aposta até mesmo em planos de duração extensa onde nada de fato apareça em cena, como quando Laurie se arrasta pelo chão do hospital, esperando por um ataque de Myers que nunca de fato vem; algo que também possibilita um bom trabalho da atriz. E, claro, o icônico tema composto por Carpenter (aqui, em contribuição com Alan Howarth) pontua com perfeição as seções mais agitadas da perseguição.

Não é revolucionário ou memorável quanto o clássico que o inspirou, mas Halloween II não é um fracasso completo. Oferece mais sequências de suspense e atmosfera bem construídas, assim como uma performance excepcional de Jamie Lee Curtis, assim como mais momentos de Michael Myers se firmando como um dos slashers definitivos. Só é uma pena que os produtores tenham apostado em uma nova e forçada mitologia, cementando o caminho para uma franquia onde a forçação de barra seria uma marca registrada.

Halloween II: O Pesadelo Continua! (Halloween II, EUA – 1981)

Direção: Rick Rosenthal
Roteiro: John Carpenter e Debra Hill
Elenco: Jamie Lee Curtis, Donald Pleasence, Charles Cyphers, Dick Warlock, Lance Guest, Pamela Susan Shoop, Tawny Moyer
Gênero: Terror
Duração: 92 min

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