» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter e fique por dentro de todas as notícias! «

Se há um filme da franquia Amityville que os fãs amam, é essa versão com Ryan Reynolds (Deadpool). Em Horror em Amityville, ele faz o papel de um padrasto que se muda com sua mulher e os filhos dela para a famosa casa. A partir do momento que põe os pés ali, vai mudando a personalidade e passa a se tornar uma pessoa psicótica a ponto de querer matar seus familiares. Aqui eles dão mais ação para o personagem principal e tiram aquela monotonia apresentado no original. 

Amityville é uma franquia que já teve inúmeras produções, mais por causa da fama da casa que propriamente a qualidade dela. A grande maioria dos filmes é de um gosto, no mínimo, duvidoso, alguns se sobressaem como é o caso deste que teve a estreia na direção de Andrew Douglas. 

O original de 1979 tratou sobre a chegada dos Lutz na residência e como certos acontecimentos fizeram com que a família saísse de lá desesperada ao ponto de escreverem o livro que daria origem ao mito. No segundo filme, eles trataram da ida dos DeFeo à casa, foi o filho mais velho da família o responsável por promover a matança de toda a família. Ele dizia ouvir vozes pedindo para ele matar a todos. Se a casa é a assombrada ou não é outra história.

Andrew Douglas teve uma sacada inteligente. Resolveu misturar a história dos dois primeiros filmes e conseguiu fazer se não diferente dos anteriores, pelo menos algo mais original e menos óbvio. Ele colocou os Lutz lá e fez com que ele tentasse matar todos da família, algo que ocorreu com os DeFeo. Claro que predomina a história do primeiro filme, desde os takes parecidos, passando por figurinos e caracterização de ambiente idêntico ate o jeito de Ryan interpretar George Lutz. 

Horror em Amityville é um remake à altura do original e vai além. O que a versão de 1979 não conseguiu fazer que era a de criar um ambiente hostil, que desse medo e proporcionasse tensão em quem assistisse, aqui ele conseguiu tudo isso. Criou certo suspense da família chegando e dos acontecimentos ocorrendo com o tempo, tudo sem forçar a barra ou sem parecer tosco e o melhor: sem ter pressa em querer impressionar. Foi criando a trama pouco a pouco até que o caos chega ao seu ápice com a loucura do personagem central. 

Além do bom trabalho feito em criar um suspense, foi importante o incremento dentro da casa do mal materializado em uma garotinha. Diferente do que ocorreu em outros filmes que objetos ou até a casa eram os agentes causadores, aqui o mal aparece fisicamente no corpo da tal garota que faz toda a história girar. 

A tal garotinha aparece para a filha mais nova e conversa com ela. No início acham que ela conversa com uma amiga imaginária, mas depois se percebe que é um espírito que representa todo o mal da casa. O filme não dá muitas pistas de quem seria ela, não sabemos se ela é o diabo ou um demônio. Dão a entender que seja o espírito da menina morta na casa antes deles irem morar lá, no caso da família DeFeo. O filme podia ter trabalhado melhor isso, quem seria essa garota e o que ela quer na casa. Outro ponto é fato dela ser bem tosquinha, não apenas a aparência, mas no seu jeito de aparecer e agir. Dão uma forçada para que ela assuste o telespectador. 

Antes de trabalhar como protagonista em Horror em Amityville, Ryan Reynolds tinha trabalhado em muitas comédias românticas. O mais perto de uma produção de terror que trabalhou foi no fraco Blade: Trinity. Aqui há  uma tentativa de mudar o estilo e mostrar para os diretores que podia sim atuar em um produção do gênero. Ele está bem caracterizado como George Lutz. Fizeram ele ser possuído, mesmo com o personagem principal não ter chegado a sofrer uma possessão.

A possessão de George começa a ser mostrada aos poucos. Passa a tratar mal a esposa, os filhos dela, até chegar ao clímax em que corre atrás deles com um machado (obviamente que a referência foi O Iluminado de Kubrick). Ele atua bem no filme, sempre quando exigido mostra que suas atuações estavam realmente uma crescente na carreira. Talvez por ser um estreante na direção Andrew possa ter errado quanto ao modo que o personagem devia agir, não é culpa de Ryan que em alguns momentos ele pareça um bobo ou que tenha que ficar fazendo caras e bocas para mostrar que está ficando malvado. 

O diretor fez uma clara referência ao filme de 1979. Algumas cenas se  percebe que ele praticamente refez os mesmos enquadramentos e cenas do original. Talvez possa ser uma homenagem, mas é um pouco desnecessário. Poderia ter feito algo próprio, ter criado algo original sem precisar se prender ao antigo. 

Esse filme é a redenção para a série de filmes produzida não apenas com atuações melhores, roteiro melhor trabalhado e direção mais decente que os anteriores. As questões técnicas também são bem trabalhadas no remake. Em todos os longas feitos até agora sobre a casa a fotografia foi tão mal trabalhada que ajudou a matar a franquia. Aqui ela é empregada de forma competente e ajuda a dar o ar de tensão que a história pede.

A realidade é que Horror em Amityville podia muito bem ser um renascimento para a saga Amityville, é um bom filme de terror e poderiam ter aproveitado o clima criado nele. Era só esquecer os longas anteriores e começar a partir do momento em que os Lutz deixam a casa. O problema é que ficou preso a fórmula do primeiro e tanto esse filme como o atual Awakens tentam prestar uma homenagem ao clássico de 1979. Só conseguirão fazer uma franquia de sucesso no dia que esquecerem os antigos e começarem a criar o próprio universo de Amityville. 

Horror em Amityville (The Amityville Horror, EUA – 2005)

Direção: Andrew Douglas
Roteiro: Scott Kosar
Elenco: Ryan Reynolds, Annabel Armour, Brendan Donaldson, Chloë Grace Moretz, Jesse James
Gênero: Drama, Mistério, Terror
Duração: 90 min

 

Comente!