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Agora sim: How to Get Away with Murder voltou com toda a força!

Após um morno e um tanto quanto linear começo, o segundo capítulo da quarta temporada emerge como uma surpresa muito agradável que conseguiu resgatar os elementos de suspense e de mistério próprios da série e adicionar algumas pinceladas de choque e angústia. Aqui, as tramas principais se desenvolvem acerca de cada um dos personagens, incluindo uma decepcionada Bonnie (Liza Weil) e um “desaparecido” Frank (Charlie Weber), que desde o ano anterior estavam mantidos às escondidas, mas provavelmente recuperaram seu protagonismo ao endossar suas relações com os outros personagens.

Como sempre, o fator que rouba todo o brilho reside sobre o incrível trabalho de Viola Davis como Annalise Keating, cuja performance perscrutada de nuances chega a assustar mais de uma vez. Em I’m Not Her, vemos um constante conflito que a advogada internaliza ao tentar se reestabelece após perder seu protegido, Wes (Alfred Enoch), sua casa e sua reputação – principalmente se levarmos em consideração que ela foi presa injustamente, acusada de ter matado seu aluno. É claro que todos os segredos por trás da morte do personagem em questão não foram revelados, e parece que Peter Nowalk – agora assumindo a direção criativa após a migração de Shonda Rhimes para a Netflix – decidiu manter a dura atmosfera de perda para aprofundar a personalidade de seus personagens.

Annalise agora mantém uma tênue relação de confiança com o tribunal local, visto que pediu uma segunda chance para cuidar de seu problema com o álcool em ordem de resgatar ao menos uma parte boa de sua antiga vida – seu trabalho. No capítulo anterior, a professora escreveu cartas de recomendação para seus pupilos e os “deixou ir embora”, dizendo para si mesma e para eles que não poderia mantê-los presos em uma rede de constante assassinato e corrupção. Uma atitude um tanto quanto altruísta, se me permitem dizer – mas sabemos que, com ela, nada é o que parece ser. De qualquer forma, a trama desta iteração gira em torno de uma reunião aparentemente interminável com o psiquiatra Isaac (Jimmy Smits), que utiliza-se de todas as cartas na manga para permitir uma abordagem pacífica em relação à conturbada mulher.

Já de princípio, é bem perceptível que Annalise não gosta de falar sobre si mesma. “Você passou vinte minutos falando sobre seu caso”, Isaac comenta, enquanto junta alguns relatórios em sua mesa. Ora, se estivéssemos na pele dela, faríamos a mesma coisa; em meio a tantos segredos, baixar a guarda para que um estranho nos analise e nos diga o que há de errado pode ser perigoso e pode se configurar como um caminho sem volta. E isso transpassa com grande sucesso para o público com a dura expressão da personagem, cujo semblante não admite qualquer emoção circunstancial que revele o que quer que seja. E, aliado às investidas de Isaac, temos uma das backstories mais emocionantes da série e que definitivamente traz toda a identidade varrida para debaixo do tapete os últimos episódios.

Sabemos que o tempo que a advogada passou na prisão não foi um dos melhores – afinal, ela chegou a sofrer agressões físicas por parte de uma das detentas. Entretanto, sua constante queda no abismo da depressão foi amparada pela figura de Jasmine (L. Scott Caldwell), a qual estava presa por prostituição e desacato às autoridades e que emergiu como a figura materna e protetora que Annalise precisava para seguir em frente. Nada mais justo e ético que, quando recuperasse sua licença jurídica, retornasse para salvá-la de uma vida perpétua atrás das grades – mas conseguir sua liberdade, como já era de se esperar, não seria algo fácil. Acontece que a ficha criminal da ré já continha inúmeros antecedentes, os quais tornavam praticamente impossível que o juiz lhe concedesse um retorno digno para a sociedade, bem como um prospecto positivo. Entretanto, conhecendo os podres que se escondem no âmbito judicial, era óbvio que a protagonista – mesmo trabalhando sozinha – conseguisse desenterrar um momento da história de Jasmine crucial para a vida de altos e baixos na qual fora jogada.

Todo o pano de fundo no tribunal, além de mostrar Annalise em seu melhor, serve para termos mais uma camada de sua complexidade revelada: por mais que negasse e por mais que retificasse sua ajuda perante a colega de cela, ela se espelhou nela e canalizou suas frustrações para alguém que poderia sim ser salva de circunstância cruéis do destino. Em outras palavras, a advogada, dotada de uma resiliência invejável, já aceitou sua ruína, mas não permitirá que a mesma coisa aconteça a outras pessoas – e, a partir de uma autoanálise, ela resgata os traumas que carregava desde seu casamento com o falecido Sam (Tom Verica).

Não podemos nos esquecer também dos Keating 4, que agora seguem cada qual um caminho através das inúmeras agências de advocacia. Todos parecem recuperar o brilho no olhar que tinham na primeira temporada, principalmente no tocante à diversificação de personalidades. Michaela (Aja Naomi King) voltou a ter um sucesso tremendo com sua inteligência e persistência, agora perscrutada por um amor incondicional por seu parceiro – o escape cômico da trama – Asher (Matt McGorry) e pela recusa de se deixar ser diminuída pelo ego dos outros. A química dos dois em cena é algo a ser mencionado aqui, visto que eles não se restringem apenas ao círculo romântico, mas espalham as relações que construíram para o âmbito profissional.

Connor (Jack Falahee) também retorna para seu momento de reclusão total ao perder-se durante as entrevistas de emprego e não conseguir nenhuma vaga para as agências. Mais uma vez, sua personalidade contraditória ainda carrega a culpa de não ter conseguido salvar Wes – muito pelo contrário, de ter contribuído para sua morte, ainda que não propositalmente – e se abre com Laurel (Karla Souza) sobre todos essas fantasmas que continuam a assombrá-lo. Entretanto, essa personagem está preocupada com uma coisa muito maior: ela descobriu que seu pai foi o responsável pela morte do ex-namorado e pai de seu filho ainda não nascido – e pior: ela faz parte de um epílogo que mais uma vez envolve Annalise e o aparente roubo de sua criança.

How to Get Away with Murder mais uma vez aumentou suas expectativas com um ótimo episódio. Agora, resta saber se a série continuará em seu frenético ritmo – ou se isso foi apenas passageiro.

How to Get Away with Murder – 04×02: I’m Not Her (Idem, 2017 – EUA)

Criado por: Shonda Rhimes, Peter Nowalk
Direção: Paris Barclay
Roteiro: Peter Nowalk
Elenco: Viola Davis, Billy Brown, Jack Falahee, Aja Naomi King, Matt McGorry, Conrad Ricamora, Karla Souza, Alfred Enoch, Liza Weil, Charlie Weber
Emissora: ABC
Gênero: Drama criminal
Duração: 45 minutos

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