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Passados sete anos desde o lançamento de Jogos Mortais – O Final e com a já conhecida morte do vilão Jigsaw no quinto filme, é lançado nos cinemas brasileiros (com um mês de atraso) o oitavo capítulo da franquia, Jogos Mortais: Jigsaw

Na trama, dez anos se passaram desde a morte do icônico assassino John Kramer (Tobin Bell) e um novo jogo é feito com cinco vítimas que são encarceradas e devem fugir das armadilhas que lhe são impostas. Todos tem algum tipo de crime que estão escondendo e estão lá para pagar um tipo de penitência, um castigo pela maldade que empregaram a terceiros. Há o que parece ser um imitador tentando realizar os feitos de Kramer e manter seu legado. 

Se em Jogos Mortais – O Final a franquia praticamente foi encerrada com uma trama absurda que focou praticamente em mortes e deixou a narrativa de lado. No oitavo episódio a história volta a ser melhor trabalhada com uma abordagem diferente do que nos habituamos a ver em todos os longas anteriores.

O principal diferencial desta nova versão é o tom mais policial e investigativo colocado acertadamente pelos irmãos Michael Spierig e Peter Spierig (O Predestinado). Se nas sequências passadas o foco era no drama das vítimas presas, em jogo de interesses dos assassinos, nas armadilhas e nas mortes cruéis, aqui o foco é o trabalho da polícia em tentar desvendar como uma pessoa morta pode ter voltado a matar depois de tanto tempo e, em paralelo a essa investigação, são mostrados os jogos com as cinco novas vítimas.

Uma das marcas que fez Jogos Mortais se tornar tão conhecido foi o terror empregado com armadilhas cada vez mais engenhosas e com mortes mais cruéis. Parece que sempre quando uma produção estreava, tentava ser mais sangrenta que a versão anterior, como se isso fosse deixar o filme melhor. Neste oitavo capítulo os diretores quebraram esse vício que se tornou associar Jogos Mortais a terror trash.

As mortes ainda estão presentes, mas ficaram em segundo plano, sendo tirado os elementos de gore e deixado apenas o suspense entre quem é o assassino e como os policiais irão pegá-lo. As armadilhas não são engenhosas e nem tão diabólicas como se imaginava que seriam. Há um propósito para que isso seja desse jeito, que é explicado somente no final. 

Se antes assistíamos aos jogos imponentes, agora temos a oportunidade de ver como a polícia está trabalhando para chegar até o assassino, algo que aconteceu nos outros filmes, mas sem um aprofundamento e sem análise mais apurada dos fatos.  Foi uma escolha acertada trabalhar o lado policial, pois assim conseguiram esconder quem era o vilão, mesmo que seja por um breve momento. 

Os roteiristas tentam a todo instante enganar o público com reviravoltas fracas e sem profundidade. Continuam nessa pegada mesmo quando toda a resposta já está praticamente na cara. Em todos os Jogos Mortais há essa tentativa de enganar o telespectador, em alguns casos deu errado e em outros deu certo. Este oitavo capítulo foi um dos que melhor trabalhou a virada de jogo, mas como dito é muito óbvia a maneira como ele é construído.

Os irmãos Michael Spierig e Peter Spierig dão maior rapidez à abordagem policial, com diálogos e cortes mais ágeis, algo que facilita na hora de dar velocidade para a trama. A narrativa não se perde mesmo com esse rápido trabalho de desenvolvimento e ainda consegue fazer com que você se insira dentro da trama. 

Não há um personagem principal que se destaque de imediato. Com o desenrolar da trama, o policial e a dupla de legistas se tornam mais importantes para o andamento, até por estarem envolvidos na caçada ao novo Jigsaw. Eles não são desenvolvidos até para manter o suspense quanto a quem realmente são. Com o passar do tempo é que vamos conhecendo melhor a história de cada um deles, mas sempre tendo uma reviravolta que muda tudo o que anteriormente havia sido discutido.

Os personagens secundários tem o único propósito de serem mortos e alguns outros personagens que aparecem rapidamente sem ter uma função clara. Jigsaw, mesmo não sendo o principal, tem um certo destaque. Sem ele Jogos Mortais não existe e os diretores deram um jeito de inserí-lo na trama, mesmo que pelo motivo mais banal que seja. 

Quanto à direção de Michael Spierig e Peter Spierig, a dupla tenta fugir do comum que se tornou a franquia mudando a fotografia escura para algo mais claro, tirando os personagens de lugares fechados e sujos para lugares mais amplos e limpos. Colocam elementos que dão sobrevida para uma franquia que se arrastava nos últimos filmes e que, possivelmente, terá novos capítulos.

Outro acerto foi a tentativa de criar um novo vilão, mesmo que sem carisma, que mantém as mortes por um ideal, uma causa “justa”. Jigsaw era um assassino que matava por um motivo, para punir as pessoas de crimes feitos ou para que elas se acusassem e isto foi abandonado ao longo da franquia. Aqui há um retorno a este propósito. 

Jogos Mortais: Jigsaw é entretenimento vazio que serve para ser visto sem preocupação e consegue o que os anteriores não conseguiram: agrupar uma nova audiência com suspense misturado a terror psicológico, que irá agradar a todos os tipos de público, tanto os que não curtem algo extremista como os que gostam de um bom mistério. 

Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw, EUA, Canadá – 2017)

Direção: Michael Spierig, Peter Spierig
Roteiro: Josh Stolberg, Pete Goldfinger
Elenco: Callum Keith Rennie, Laura Vandervoort, Paul Braunstein, Tobin Bell, Brittany Allen, Clé Bennett, Hannah Anderson, James Gomez, Josiah Black
Gênero: Terror, Thriller
Duração: 91 min

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