Foi em 1933 quando um gorila gigante subiu no Empire State e derrubou biplanos. Aquilo foi o ponto de partida do que viria a ser um dos maiores gêneros da história do cinema, nos filmes de monstros. King Kong, assim como Godzilla, abriram portas para muitos filmes do gênero que viriam no futuro, hora passando por novas versões, hora num hiato por curto período de tempo. E algumas versões posteriores não honravam o legado deixado pelos monstros.

Depois de ser responsável por uma das franquias mais importantes e mais lucrativas da história do cinema (O Senhor dos Anéis), Peter Jackson surge pra reviver a figura de Kong mais uma vez. Depois do sucesso estrondoso da Trilogia do Anel, a expectativa era imensa, e Jackson cumpre essa expectativa trazendo uma obra digna do monstro, e mais uma vez com efeitos de encher os olhos.

A história é ambientada durante a Grande Depressão, período este em que o primeiro filme foi lançado. Acompanhamos Ann Darrow (Naomi Watts), uma atriz que perde seu emprego e como muitos outros da época luta para conseguir seu sustento. Com fome, ela rouba uma maçã, e é nesse momento em que conhece Carl Denham( Jack Black), que oferece à Ann uma chance de atuar em seu novo filme. Ela embarca com o resto do elenco e a equipe de produção indo em direção a Ilha da Caveira, local que abriga uma imensa diversidade de criaturas, e claro, Kong.

O filme possui uma pequena falha em sua narrativa, que é o seu primeiro ato. Ele é muito bem executado para apresentar os personagens, mas acaba se tornando arrastado e em alguns momentos, maçante. Jackson repete algo que foi feito em Senhor dos Anéis, sendo que existe uma enorme diferença no conteúdo entre as duas obras.

O núcleo humano funciona, Jack Black entrega um personagem diferente do que está acostumado a fazer e Naomi Watts carrega o filme nas costas. Sua interação com Kong é um dos pontos altos do filme, a empatia é real, e as cenas em que os dois estão juntos passa muito mais do que apenas computação gráfica em tela.

Entrando no quesito computação gráfica, Peter Jackson faz de forma magistral aqui. Hoje algumas cenas podem parecer datadas, como a perseguição envolvendo dinossauros( há dinossauros no filme), porém, o próprio Kong se mantém vivo e realista mais de 10 anos depois que o filme chegou aos cinemas, e todas as outras criaturas são feitas no mesmo nível. Toda a sequência de Kong enfrentando dois tiranossauros é de deixar orgulhoso qualquer fã do gênero.

Outro grande acerto é o cenário, a Ilha da Caveira e seu ambiente exótico provocam total imersão, passando a sensação de ser um ambiente hostil, real, tenso, e até mesmo depressivo.

No final, o filme de Peter Jackson é o que mais se aproxima do clássico de 1933, não só pela nostalgia e ambientação, mas por sua qualidade. O filme acaba por ser não só uma das grandes interpretações de Kong, como um dos melhores filmes do gênero referente a monstros gigantes.

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