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Quando se fala em filme sobre espionagem o que se vem a cabeça logo de cara é o personagem James Bond e sua numerosa franquia. O humor sempre esteve muito presente nos longas de 007 e esse humor esquecido pelos filmes protagonizados por Daniel Craig quase nunca deixam de fazer parte do gênero da comédia, como o encontrado em Austin Powers e depois com produções menores sobre espionagem sem muito destaque. O traço desse tipo de longa é o de criar espiões que esbarraram sem querer na missão de serem heróis por acaso. Meu Ex é Um Espião apresenta duas protagonistas fazendo humor com esse tema, e escárnio funciona para fugir de situações confusas e em outras cenas ele se mostra forçado. 

Puxado pela dupla de protagonistas Mila Kunis (Perfeita é a Mãe) e Kate McKinnon (A Noite é Delas) que são duas amigas que acabam indo parar no meio de uma disputa de um pen drive e precisam fugir para salvar suas vidas. Desde o início em que aparecem juntas a diretora (Susanna Fogel) já nos deixa claro o tipo de humor que irá abordar, como será o tipo das piadas e quem são as protagonistas. Há sempre uma situação nova sendo criada para se fazer rir, ou alguma piada ou diálogos engraçados que logo se esgotam, ou por ser algo dito fora de hora ou pela piada simplesmente não ter se encaixado bem naquela cena. 

Mas são poucos os momentos em que não se ri. Em geral é daquelas produções que se vai assistir e se divertir sem precisar se preocupar com o que é apresentado. O humor é feito de uma maneira simples com diálogos fáceis de serem compreendidos e uma trama que se entende de início, além de tiradas rápidas. O principal problema dele é o que quase todas produções do gênero tem em comum que é a falta de uma mensagem, algo que o torna um filme vazio sem nada para ser dito, apenas apresentado de maneira superficial que entre na sua cabeça e depois se esqueça do que assistiu. 

As cenas mais engraçadas acontecem quando as duas estão sendo perseguidas, mas não é aquela risada espontânea. Em alguns momentos se força para se fazer rir, um elemento que funciona já que as duas protagonistas têm carisma e a forçação não fica boba. As duas em cena estão ótimas, o problema é quanto aparece o antagonista, aí se perde o humor e fica mais forçado ainda. A falta de um vilão forte é o que empobrece a trama, se por um lado temos duas boas personagens do outro temos um vilão fraco, sem força para segurar suas cenas, algo que não acontece na comédia A Espiã que Sabia de Menos com Melissa McCarthy e Jason Statham. O vilão é nada mais nada menos que Jude Law, e isso faz a história ficar mais balanceada com atuações boas por ambas as partes que participam. 

Tanto Mila Kunis quanto Kate McKinnon estão bem em suas personagens, mas aqui há também uma falta de compasso entre as duas, enquanto Milla Kunis é uma mulher mais centrada e o humor dela acontece quase que espontâneo McKinnon vê a necessidade quase sempre de forçar em suas piadas, isso é explicado por sua protagonista ser meio maluquinha. Esse vício em sempre forçar no jeito de fazer humor é algo que vem dos seus trabalhos de McKinnon no programa de humor Saturday Night Live, para a personagem pode funcionar em alguns momentos, mas fica cansativo de tão repetitivo e exagerado.

Por ser um filme de espionagem é necessário que tenha cenas de ação, elas estão bastante presentes, desde as cenas em que estão em fuga desenfreada, mas elas não são bem trabalhadas. Colocam explosões, tiroteios e lutas quase que a todo instante, como um fator para esconder os buracos da narrativa, sempre que o filme se torna chato colocam alguma cena de ação sem sentido apenas por colocar e quase sempre tentando fazer um certo humor nas cenas de ação, algo que não funciona também pelo simples fato de não saberem colocar as protagonistas em uma real situação de perigo, pois sempre que aparecem com algum criminoso ele some quase que rapidamente sem ao menos ter feito algo que dê mais tensão para o que está acontecendo com elas.

Os personagens secundários são interessantes e intrigantes, mas não tão bem utilizados. O destaque do segundo escalão é o ator Sam Heughan (Outlander) que cai de paraquedas na trama e se sai muito bem, seu personagem é bem escrito e não nos dão pista para quais dos dois lados ele está jogando, um elemento interessante sendo que é uma produção sobre espionagem e faltava saber se seu personagem era o bonzinho ou o malvado da história. Esse artifício de enganar o público deixando só para o final saber se ele é do bem ou do mal poderia ter sido usado mais vezes como feito em o O Agente da U.N.C.L.E. em que sabemos quem são os dois espiões, mas não sabemos quais dos dois protagonistas é o mais confiável

Algo bastante elogiável é a trilha sonora. Bem trabalhada e escolhida a dedo, vai desde Scorpions e Elvis Presley á Crash Test Dummies com a famosa música Mmm Mmm Mmm Mmm. Há outros nomes desconhecidos, mas igualmente interessantes que podem ser encontrados comprando a trilha sonora, Há um trabalho minucioso de se encaixar cada som em cada cena específica e isso é bem feito, dando maior badalação para uma cena que as vezes não é tão empolgante quanto aparenta ser. 

Susanna Fogel foi um acerto para dirigir a produção. Apesar de ter poucas produções como diretora no currículo consegue fazer uma comédia suave, sem apelar demais para o humor desnecessário ou escatológico em que muitas comédias americanas acabam por fazer. Sua direção foge do que estamos acostumados a ver no humor, mas que ainda precisa de mais atenção quanto ao roteiro em que há altos e baixos e piadas que as vezes não funcionam. Meu Ex é Um Espião é competente em fazer rir sem dificuldades e deve atrair um grande público aos cinemas.

Meu Ex é Um Espião (The Spy Who Dumped Me, EUA – 2018)

Direção: Susanna Fogel
Roteiro: Susanna Fogel, David Iserson
Elenco: Mila Kunis, Kate Mckinnon, San Haughan, Justin Theroux, Gillian Anderson
Gênero: Ação, Comédia
Duração: 117 min.

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