» Siga o Bastidores no Facebook , Instagram e no Twitter para saber todas as notícias sobre cinema «

Após dois episódios bastante agitados, este terceiro episódio acertadamente decide voltar no tempo e finalmente revelar os acontecimentos que se seguiram durante e após o incidente do “fivenine”, sob a perspectiva de Tyrell (Martin Wallström). Esse episódio também serviu para esclarecer algumas das motivações de determinados personagens secundários, além de registrar a primeira interação de Irving (Bobby Cannavale, magnífico) com Elliot e Tyrell, além de sua ligação com o Dark Army.

Uma das vantagens em realizar tal retorno e preencher o vácuo narrativo que existia na diegése da série é a possibilidade de construir críticas sociais que encontram eco com a atual realidade e nada mais acertado que se utilizar do personagem mais ciente de todos os fatos e acontecimentos dentro da narrativa para tal. Em determinado momento do episódio, Whiterose (BD Wong) está em sua ilha privada e recebe a visita de um jornalista independente aos moldes do que vemos hoje em veículos como Infowars e outros do gênero. No caso do Infowars, existem suspeitas de que seus jornalistas sejam financiados por autoridades russas. Essa cena visa trazer a tona esse tipo de conluio e suas implicações, que se estendem cada vez mais na medida em que a sociedade acredita cada vez menos na chamada “Grande Mídia”, e mais na suposta “Mídia Independente”. É como se o criador Sam Esmail estivesse nos dizendo que não existe isenção midiática quando o assunto envolve dinheiro e poder.  Ao pedir para o repórter promover uma reconstrução da imagem de Tyrell em seu programa e ao afirmar que Trump será seu candidato a presidência – tal cena se passa quando o atual presidente sequer havia anunciado sua candidatura – Whiterose demonstra que mantém até mesmo esferas do aparato estatal sob seu domínio e que enxerga a democracia como uma farsa – algo muito comum no imaginário popular chinês.

Com a maior parte do episódio focado em Tyrell, finalmente nos é revelado o que aconteceu com ele após o hack. Vemos a obsessão de Tyrell com Elliot (ou seria com seu alter-ego Mr. Robot?) mais uma vez presente e é impossível não indagar se tal atração não se deve ao fato de Elliot ser o detentor de grande poder e saber como usá-lo. Não é recente a postura do executivo em sua busca por poder, quase como uma mariposa atraída pela chama que mais brilha. Outra particularidade deste episódio é que vemos um cenário mais bucólico em comparação ao opressor cenário de selva de pedra que é comum a série.

A opção por preencher o quebra-cabeças narrativo com algumas peças que faltavam se mostra acertada, trazendo mais organicidade a entrada de Irving no universo dos outros personagens, além de amarrar pontas soltas e dar profundidade para Tyrell. O momento de seu interrogatório por um membro do Dark Army revela total devoção a Elliot e seu desprezo pela ordem vigente. Resta saber agora como a descoberta da condição mental de Elliot, no final do episódio, terá implicações sobre a fase dois do projeto de derrubada da E-Corp. Acaba que esse passo para trás da série é necessário para que a série possa seguir em frente.

Mr. Robot – 3ª Temporada, Episódio 1 (Mr. Robot: Season 3, Episode 3, Eua – 2017)

Showrunner: Sam Esmail
Principais diretores: Sam Esmail, Niels Arden Oplev, Jim McKay, Nisha Ganatra, Christoph Schrewe, Deborah Crow, Tricia Brock
Elenco: Rami Malek, Christian Slater, Portia Doubleday, Carly Chaikin, Martin Wallström, Frankie Shaw, Bruce Altman, Ben Rappaport, BD Wong.
Duração: 49 min (cada episódio)

Comente!