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Após um episódio que realiza um preenchimento das lacunas narrativas da série, este episódio de Mr. Robot volta a se passar no tempo presente. A série utiliza-se do que fora mostrado no episódio anterior para avançar, fazendo com que as motivações dos personagens não pareçam incoerentes com o que já conhecemos deles.

Esse quarto episódio começa onde o segundo episódio terminou, com Elliot (Rami Malek) invadindo o apartamento de Darlene (Carly Chaikin). É louvável a decisão da série de não sabotar as expectativas dos fãs, adotando a postura corajosa e resolvendo a situação tal como ela seria resolvida no mundo real. Ao ser confrontada pelo irmão sobre o porquê de estar sendo hackeado, Darlene não se utiliza de subterfúgios e joga as cartas na mesa. Tal situação é tão bem construída e desenvolvida, que o acordo firmado entre os dois em seguida não causa estranhamento.

Ao fugir da morosidade, a série também apresenta uma característica louvável. Não existe uma dilatação da narrativa ou um núcleo de tampão nesta temporada. Cada cena tem auxiliado no avanço da trama, mesmo que tome momentos para arroubos estéticos ou para diálogos afetados. Tal aspecto da narrativa aliado à cinematografia que se utiliza magistralmente do uso de sombras, cores chamativas em momentos distintos e a escolha por ângulos diferenciados que acarretam em maior dramaticidade para o que está sendo contado, fazem de Mr. Robot um produto único e consequência direta do seu tempo.

Não fosse a recapitulação feita pelo episódio anterior, alguns dos confrontos que ocorrem neste episódio não seriam tão recompensadores. Se antes Tyrell (Martin Wallström) estava apaixonado pela figura de poder que Elliot representava no cenário da revolução, agora, sabendo que existe uma disputa por controle entre Elliot e Mr. Robot (Christian Slater) e que o “estágio dois” do plano foi seriamente comprometido pelo primeiro, existe um desprezo latente e um questionamento da real necessidade do envolvimento de Elliot para o andamento da revolução, o que acarreta em um confronto entre eles.

O trabalho de desenvolvimento de personagens aqui também é importante. A evolução da agente DiPierro (Grace Gummer) é a que mais chama atenção aqui. Em um importante momento, a personagem pergunta sobre Whiterose (BD Wong) em um interrogatório e ficamos sabendo que existe uma mitologia sobre a existência do tal líder do Dark Army. Essa cena é importante por nos demonstrar que a agente está seguindo uma linha de investigação que encontra bastante ceticismo no FBI, que possui agentes infiltrados fiéis a Fsociety. Importante também é a evolução de Darlene, que se envolve em um plano para ajudar Elliot a impedir explosão do prédio da E-Corp, e acaba descobrindo o envolvimento de Ângela com Mr. Robot, além de terminar o episódio indo embora, talvez para encontrar uma solução para o dilema do irmão (que pode estar relacionada com o destino de dois outros personagens).

O episódio termina deixando grandes expectativas para os proximos capítulos. Com Tyrell planejando agir independentemente e Angela conseguindo a demissão de Elliot da E-Corp, é provável que essa temporada seja a mais agitada que as duas anteriores. E o próximo episódio, como adianta a prévia exibida ao término do episódio, promete ser acachapante.

Mr. Robot – 03×04: eps3.3_m3tadata.par2 (EUA, 2017)

Showrunner: Sam Esmail
Direção: Sam Esmail
Roteiro: Kyle Bradstreet
Elenco: Rami Malek, Christian Slater, Portia Doubleday, Carly Chaikin, Martin Wallström, Frankie Shaw, Bruce Altman, Ben Rappaport, BD Wong
Gênero: Drama, Suspense
Emissora: USA

Duração: 49 min

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