Pablo Escobar (Wagner Moura) morreu e Steve Murphy (Boyd Holbrook) completou a sua missão e voltou para os EUA. Mas como ficou a situação após a queda do traficante? Essa pergunta foi o que deixou muitos fãs com medo da terceira de temporada de Narcos, mas podem ficar tranquilos. Pois mesmo sem a presença marcante de Wagner Moura, eles fizeram a melhor temporada da série.

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Após a queda do cartel de Medellín, o cartel de Cali começa a crescer demais. Ele é liderado pelos irmãos Gilberto (Damián Alcazar) e Miguel Rodríguez (Francisco Denis), “Pacho” Herrera (Alberto Allman) e Chepe Santacrúz (Pêpê Rapazote) que se mostram muito diferentes que Escobar, mas tão cruéis quanto o antigo traficante. Javier Peña (Pedro Pascal) é escolhido para investigar o cartel, com “apoio” da CIA e do Governo norte-americano. Enquanto isso, Jorge Salcedo (Matias Varela), o chefe da segurança do quartel está decidindo se vai continuar com eles, mas sabe o preço dessa escolha.

O primeiro ponto a se destacar é como o ritmo dessa temporada se mostra de longe o mais bem feito. A série pode ser dividida em duas partes: na primeira temos as apresentações dos personagens e da situação, enquanto na segunda vemos todas as consequências. Sei que essa descrição é óbvia para qualquer série, mas nessa terceira essa transição é feita de maneira muito eficiente. Mesmo focando na política e da explicação do cenário, os cincos primeiros são muito intrigantes por mostrar como os novos antagonistas são muito diferentes de Escobar, tendo uma visão em maior escala do negócio e agindo escondido, enquanto o primeiro fazia questão de assinar seus atentados. Além de mostrar toda a burocracia que Peña e sua equipe terão que enfrentar para prender os Cavaleiros de Cali e a situação tensa que Salcedo enfrenta a cada episódio. Já na segunda parte, ela entrega tudo o que ela promete e a maioria dos seus desfechos são dignos e honestos com o público, mesmos alguns sendo forçados.

Os personagens dessa temporada são muito ricos. Destaque para Miguel, que vai mostrando que pode ser muito mais perigosos do que aparenta, e especialmente para Jorge Salcedo. É o personagem o qual o espectador cria mais empatia, porque percebe que não faz parte daquele mundo de violência e ele se mostra uma boa pessoa. É difícil não torcer pelo personagem durante os episódios. Já Peña acaba ficando mais fraco, mesmo o seu arco sendo bem claro: assim como Murphy virou um capacho do governo e se vê cada vez com as mãos mais atadas por conta da burocracia e principalmente por conta da corrupção no sistema.

As atuações também se mostram excelentes. Todos os atores estão ótimos. Além do sempre competente Pedro Pascal, Damián Alcázar se mostra como o ator mais disciplinado por conta do seu personagem. Gilberto é um homem de aparência calma e carismática que se mostra em certos momentos muito explosivo e violento e para isso é necessário um ator que tenha um grande controle emocional. O mesmo pode ser dito de Francisco Denis, que por mais que Miguel aparenta ser o mais calmo dos irmãos e do cartel, vai se mostrando que é o mais volátil e perigoso. Isso se deve a uma evolução muito bem feita de Denis em seu papel. Como Jorge Salcedo é o melhor personagem da temporada, Matias Varela compõe um personagem que nunca expõe os seus reais sentimentos, apenas com a voz. Seu personagem sempre está com a aparência tranquila e calma e isso se mostra muito eficiente na composição de Varela para o personagem. Vale destacar a participação do ótimo Javier Cámara – que já foi fez filmes de Pedro Almodóvar – como o excêntrico contador do cartel que sempre parece que tem uma carta na manga. Já o excelente Pedro Pascal mostra a sua eficiência, mesmo que o arco do personagem não dê muito para o ator trabalhar.

A direção da terceira temporada é a mais coesa. Volta Andi Baiz, que sempre dirige quatro episódios em cada temporada, e se mostra cada vez melhor, principalmente nos últimos dois episódios. Mas o destaque vai para direção do brasileiro Fernando Coimbra nos episódios 7 e 8. O sétimo é um dos melhores episódios da série, facilmente o mais tenso, mostrando que o diretor tem um grande controle de cena e utiliza muito bem montagem paralela. O oitavo também se mostra muito bem dirigido e tenso, com uma boa sequência de tiroteio. E os diretores superaram o estilo documental feito por José Padilha nos primeiros episódios da série.

Enfim, não há muito o que reclamar da terceira temporada de Narcos. É disparada a mais bem executada e trabalhada e é incrível quando uma série tem uma melhora tão gritante a cada temporada. Que fique ainda melhor na quarta.

Narcos – 3ª Temporada (Idem – Season 3, EUA/Colômbia – 2017)  

Showrunner: Chris Brancato, Carlo Bernard e Doug Miro
Direção: Fernando Coimbra, Andi Baiz, Joseph Wladyka e Gabriel Ripstein
Roteiro: Chris Brancato, Carlo Bernard, Doug Miro, Dave Mathews, Andy Black, Eric Newman, Clayton Trussell, Santa Sierra, Jason George
Elenco: Pedro Pascal, Damián Alcazar, Alberto Allman, Francisco Denis, Matias Varela, Javier Cámara, Pêpê Rapazote, Andrea Londo, Eric Lange, Arturo Castro e Kerry Bishé

Emissora: Netflix
Episódios: 10
Gênero: Drama, Policial
Duração: 50 min

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