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Não restam dúvidas de que Edgar Allan Poe é um dos maiores autores da Literatura Fantástica. Suas obras, sempre repletas de mistério, mexem com a sensibilidade do leitor ao apresentar histórias carregadas de violência, perversidade e insanidade, como é o caso de O Gato Preto.

O conto, narrado em primeira pessoa, é como um relato do personagem principal, o que traz a impressão de veracidade para o leitor. 

Poe nos apresenta a vida de um homem, que vai de um extremo a outro não só pelo seu vício em álcool, mas também pela deterioração de sua alma causada em decorrência dos seus atos vis. 

A construção narrativa é extremamente intimista, no entanto não faz o leitor sentir empatia pelo personagem – ao longo da história, ver o desespero do personagem se torna cativante para o leitor, que torce a cada vez mais pelas desgraças a medida que as atitudes e crimes vão se revelando. A ansiedade domina a ponto de quase deixarmos passar despercebido o fato de que o destino do personagem fora revelado sutilmente no começo. 

O conto é basicamente um efeito de causas e consequências que acompanham os infortúnios sofridos por um gato nas mãos desse homem que se torna o seu algoz na mesma medida em que a loucura o mantém refém dentro de sua própria mente desajustada.

Escrito em 1843, O Gato Preto é alvo de análise textuais até os dias de hoje. Por ser lotado de simbolismos, o conto é um convite para que os seus entusiastas façam suas apostas acerca da intenção do autor com determinados pontos e características que ele trabalha – como exemplo temos o gato, nomeado de Plutão, uma figura misteriosa que transita entre as cenas exercendo importantes mudanças no humor do protagonista que vai de uma figura descrita como apaixonada por animais até o ápice de se tornar um maltratador.

Nunca ficou comprovado que este foi o pensamento do autor no momento da criação, já que Poe jamais revelou a que se propunha com a caracterização dos seus personagens, no entanto, estudos dão conta de que durante muito tempo o gato foi uma figura associada ao ocultismo, mais precisamente as bruxas, e por isso o autor teria escolhido esse animal para protagonizar essa história haja vista que não são poucas as cenas em que Plutão surge e desaparece em circunstâncias misteriosas. O fato dele ter recebido um nome tão pouco convencional também teria um significado, dessa vez, relativo a mitologia romana onde faria uma referência ao deus do submundo que nos mitos gregos é chamado de Hades – isso mostra que a natureza do bichano talvez seja mais sombria do que a se supõe de início.

O fato é que independente das suposições que leitores ao redor do mundo façam a respeito da história, é indiscutível que mesmo para aqueles que não gostam desse tipo de leitura irá se render aos mistérios contidos no enredo. Ainda mais quando Poe vai até o espaço limítrofe da consciência humana para cobrar dele um posicionamento quanto a questão de ser um homem racional ou supersticioso. Mais do que isso, ele também cobra do seu leitor uma análise dos seus sentimentos diante das atrocidades descritas em suas páginas. É tão forte esse ponto, que é impossível não se estarrecer diante do modo magistral que ele transformou uma relação comum – entre bicho de estimação e dono – em algo chocante. 

Em decorrência disso e por ser carregado de cenas macabras, é provável que os mais sensíveis se sintam incomodados do início até o final da leitura, visto que Poe não é suave nos momentos em que descreve cenas brutais de violência – tanto doméstica, quanto animal. E por mais que seja indigesto em determinados pontos, O Gato Preto se torna leitura fundamental para aqueles que desejam observar um desnudar da alma de um ser humano enlouquecido pela culpa.

O Gato Preto em Quadrinhos (The Black Cat)
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Martin Claret
Páginas: 72

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