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Difícil encontrar uma pessoa que não goste de celebrar o natal, época de se encontrar com familiares e amigos e de trocar presentes. Mas há aqueles que encontram o lado negativo na data festiva, e em O Grinch (Scott Mosier e Yarrow Cheney) nos é apresentado um dos personagens mais intolerantes ao período. A animação, produzida pelo estúdio Illumination (Minions), acerta no teor leve dado a história e o jeito em que trabalha o protagonista, além de trazer uma mensagem interessante de amor e união.

O Grinch é inspirado no livro de Dr. Seuss (Lorax, Horton) e é uma obra bastante fiel ao trabalho do autor. Produções inspiradas em livros com histórias clássicas geralmente mudam bastante o teor do que é mostrado na obra original e O Grinch consegue ser fielmente reproduzido do jeito que é apresentado no livro, algo que não ocorreu com a versão de 2000 com Jim Carrey e de mesmo nome, que além de ser um longa horroroso foi também mal adaptado. 

Na trama, O Grinch é Um Quem e vive isolado próximo à Whoville, não tem amigos nem companhia para o dia a dia, apenas um pequeno cão que tenta de todas as formas se divertir e alegrar o ambiente em que está, mas sempre é repreendido pelo ser verde. Grinch é anti-social, não curte felicidade e com a proximidade do natal tudo fica ainda pior. Eis que cria o mirabolante plano de roubar o natal de todos, se tornando assim um papai noel às avessas.  

A ideia central do longa pode parecer batida, pois muitas produções já retrataram que há sim indivíduos que não curtem tanto o natal, como o monstro em Krampus: O Terror do Natal e Jack de O Estranho Mundo de Jack, seres que assim como Grinch fazem do natal um período de caos e terror. O discurso do filme é bem construído quanto a isso e a mensagem também é bem desenvolvida.

É uma mensagem óbvia, mas de fácil assimilação para quem assiste, ainda mais que o foco da produção é o público infantil, dessa forma uma mensagem em que o ódio é vencido pelo amor e pela amizade faz com que esse público se espelhe no que é passado. Os diretores desenvolvem bem os diálogos quanto a isso, fazendo com que as emoções dos personagens passem de felicidade para tristeza e depois de tristeza para felicidade, causando uma comoção no telespectador.

Essa desconstrução do natal é algo que se for trabalhado de forma errada pode fazer com que uma boa ideia saia totalmente pela culatra. Pelo motivo do natal ser um período de alegria é bastante importante que ele não termine de forma negativa e essa desconstrução do natal serve não apenas para contar a história, mas também para moldar o caráter do protagonista. Esse fato apresentado empurra o filme para a frente, dando já um belo pretexto para o seguir assistindo.

O Grinch por essência é desse jeito azedo e nos dois primeiros atos do longa há a construção de seu personagem, mostrando ter sim um lado humano sob aquele aspecto malvado e ainda nos é mostrado a  origem de tanta negatividade. Há um trauma infantil que passou quando criança e que o transformou nesse ser horrendo, mas ele é trabalhado de forma rápida, sem dar maiores detalhes e mesmo sendo assim tão ágil em mostrar suas origens consegue emocionar e tirar lágrimas.

Essa escolha em contar a origem do mal é importante e dá maior força ao personagem e o ajuda a construir sua imagem. É natural que por ter sofrido um trauma tão forte  o leve a ser um adulto do jeito que é: sem se importar com os outros e a se manter isolado do convívio social. Os diretores utilizam uma garota (Uma Quem) para despertar o lado alegre em Grinch e a mostrar que o natal pode sim ser um período de diversão.

Não há novidade no jeito que o longa cria a história nem na forma de criar seu protagonista. Segue a mesma fórmula de sucesso consagrada pela própria Illumination e apresentada em Meu Malvado Favorito e Minions. O formato segue o mesmo estilo destas produções em criar um vilão ou antagonista mal-humorado ou com ambições de criar o caos por onde passa e que se redime de seus atos após entender que o ódio não leva a nada.

O dono do filme sem dúvidas é o Grinch, e infelizmente há personagens secundários subutilizados, como é o caso de Cindy Lou Who e Bricklebaum. Cindy Lou Who é a garota que sonha em pedir para o papai noel um presente diferente, que envolve a sua mãe, enquanto Bricklebaum aparece em menor escala e com bem menos destaque, mas não tão importante, sempre fazendo graça e tirando certas situações do marasmo e até mesmo fazendo boas cenas de humor. O cachorrinho é fofo e também pouco utilizado, mas isso faz sentido, já que se os diretores fossem criar uma trama secundária para esses personagens iria tirar o foco central e possivelmente ofuscaria o Grinch.

Um destaque certamente é a ótima qualidade visual da animação, belamente criada pela Illumination e acima da média em relação ao que foi lançado pelo estúdio em produções anteriores. A riqueza de detalhes da animação ajuda a dar maior dinamismo para situações apresentadas e a tornar mais grandiosas cenas que não tem importância para a trama, mas que ficam belas pela qualidade do desenho. As cores são também bem trabalhadas no filme, deixando tudo com bastante vida, mesmo o lugar onde Grinch vive é um lugar com cores quentes e fortes e ajuda a criar um ambiente favorável para o protagonista.

A dublagem também é um acerto, em especial a feita para o protagonista Grinch que é feita por Lázaro Ramos (Cidade Baixa). Foi um desafio para o ator dublar um personagem que tem a voz original do astro Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho) e Lázaro não deixa nada a desejar, dá vida ao protagonista sem precisar forçar. Lázaro Ramos foi a escolha certa para dublar o Grinch, consegue passar os sentimentos necessários para manter o foco de todos nele.

O Grinch (The Grinch, China, EUA – 2018)

Direção: Yarrow Cheney, Scott Mosier
Roteiro: Michael LeSieur, Dr. Seuss (livro), Tommy Swerdlow
Elenco: Benedict Cumberbatch (Voz Grinch), Cameron Seely, Kenan Thompson, Pharrell Williams, Rashida Jones, Angela Lansbury
Gênero: Animação, Comédia, Família
Duração: 90 min

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