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O fenômeno da marca deixada por Jurassic Park no cinema já é hoje reconhecida apenas pelo soar de seu nome. Afinal poucos foram ou são os blockbusters que, além de terem revolucionado os limites de criação visual técnica com as infinitas possibilidades do CGI, conseguiu ter em si uma narrativa tão bem construída e um leque de personagens interessantes e carismáticos, rodeados por todo um senso de aventura mesclado com brilhantes toques de terror e suspense que foram as causas de terem conseguido atrair um sucesso tão exorbitante e lendário até hoje. Um sucesso que todo diretor e autor gostariam de poder vir a revisitar um dia, eis que nasceu O Mundo Perdido: Jurassic Park, uma continuação que ninguém pediu para existir, mas que veio a vida graças ao amor do seu diretor por esse universo de criaturas e monstros nascido da biologia humana, e pelas montanhas de dinheiro que angariou.

Mas se hoje existe o receio de que as continuações de filmes de grande sucesso caiam em certas “tendências” que o levam a ser um filme inferior e aquém de seu original, O Mundo Perdido: Jurassic Park se tornou um dos grandes e lamentáveis exemplares dessas tristes tendências. Claro que não é justo classificá-lo como um completo desastre de ruindade como foram seus infames sucessores (sim, até você Jurassic World), já que ainda podemos encontrar aqui boas marcas do competente diretor que é Steven Spielberg, mas infelizmente trata-se de um filme que deixa muito a desejar em relação ao seu grande antecessor.

Depois do grande “fracasso” do parque dos dinossauros na Isla Nublar que ocasionou várias mortes, o criador do projeto John Hammond (Richard Attenborough), descobre que no “sítio B”, uma outra ilha local onde os dinossauros foram criados, ainda restavam alguns espécimes vivos convivendo em um ambiente. Ele resolve então enviar uma equipe liderada por Ian Malcolm (Jeff Goldblum) e sua namorada Sarah Harding (Julianne Moore) para verificar o convívio dos animais e provar legalmente através de uma documentação fotográfica, a preservação do ambiente dos dinossauros. Mas quando o grupo de expedição chega à ilha, encontram outro grupo de caçadores liderados por Peter Ludlow (Arliss Howard), o ganancioso sobrinho de Hammond, que pretende capturar os dinossauros para criarem outro parque. E o pesadelo recomeça quando os animais ficam perturbados com a presença humana em seu habitat natural.

Maior a ambição, maior a queda

Creio que só pela descrição da sinopse já dá para notar um dos maiores erros que O Mundo Perdido já prometia vir a cometer ao longo de seu desenvolvimento: sua mirabolância. O intuito de criar idéias inusitadas e por vezes inacreditáveis para se construir a história do seu filme e permitir uma continuação da história original. E como é que você continua uma história sobre um parque de diversões turístico localizado em uma ilha onde humanos reviveram dinossauros e que acabavam se soltando e matando muita gente? Ora, você cria uma outra ilha “completamente” diferente onde também habitam dinossauros revividos por humanos e onde muita gente vai morrer. Simples!

Uma das ideias narrativas mais preguiçosas que já tive o prazer de ouvir e ver sendo descrita em um filme. Claro que o argumento pode ser dado de que Spielberg e seu roteirista David Koepp estavam apenas adaptando o fiapo cerne de trama do livro The Lost World de Michael Crichton, continuação do também seu Jurassic Park. Mas levando em conta o fato de que o mesmo livro só fora escrito após o estrondoso sucesso do filme original, e que, à pedidos, Crichton desenvolveu a continuação de seu livro para inspirar uma adaptação e criação do segundo filme. Seja como for, é uma ideia completamente atirada de forma preguiçosa e sem inspiração. Se o próprio autor já estava desgastado com essa história então imagine o resultado da mesma sendo adaptada para um filme.

Mas se enquanto o livro de Crichton até levava a história dos dinossauros de Hammond e o inusitado retorno de Ian Malcolm (leia os livros para verem o quão inusitado) por um caminho mais fundo, sombrio e intrigante, o filme de Spielberg parece seguir pouco disso só em tom, pois enquanto na essência…, bem, mais sobre isso depois. 

Pode até soar estranho vir parecer exigir tanto de um roteiro vindo de um blockbuster ‘pipocão’, ainda mais de um clássico dos bons tempos da sessão da tarde, mas a verdade é que o primeiro Jurassic Park conseguia ter para si um brilho narrativo tão raro para os filmes de simples proposta escapista. Antes do massacre dos humanos no parque começarem, o roteiro de Koepp (previamente co-escrito por Crichton) indagava questionamentos complexos, até difíceis, sobre a moral do criacionismo, os limites da criação científica, a arrogância mordaz empresarial, etc.; tudo através de personagens divertidos e bem delineados, cada um com sua característica individual interessantes em um elenco em perfeita química. Tudo isso que parece faltar aqui.

Não que a trama em si não consiga ser interessante, crédito seja dado essa realmente é uma continuação que procura se diferenciar completamente do seu antecessor e tenta expandir o seu universo e os temas do filme original por novos caminhos. Se o primeiro filme lidava com os homens brincando de deuses, sua continuação explora um percurso mais direto e convencional com os homens interferindo arrogantemente na natureza que não os pertence e que promete contra-atacar brutalmente.

O problema é que nada disso é devidamente explorado no filme, nem mesmo em suas entrelinhas. Deixando de lado possíveis questionamentos interessantes para dar maior lugar à novos personagens desinteressantes e sequências de ação e suspense que tentam se igualar ao do filme anterior, e até nisso Spielberg mostra estar atrapalhado.

A falta do traço de Crichton no roteiro é sentida, e Koepp parece não conseguir construir uma linha certa de raciocínio suscetível entre a história e os personagens. O que deriva em diálogos contraditórios e forçados nas horas que tenta impor uma seriedade dramática, e fracos e desengonçados quando tenta criar relações entre os personagens através de uma linha falha de humor.

O fato dos personagens serem completamente desinteressantes também não ajuda, e só piora o fato quando temos uma abundância de personagens em cena. Se tivessem focado apenas no pequeno grupo de Malcolm, até que a narrativa teria chances de funcionar, mas quando ambos os grupos de arqueólogos e caçadores se juntam em certa altura do filme, todo pequeno resquício de desenvolvimento de personagem é descartado e todos se tornam apenas peso morto para serem mortos e devorados pelos dinossauros.

Felizmente existem algumas raras exceções para se gostar aqui. Vince Vaugh surpreende em não estar no seu modus operandis de comédia machão bobo e mostra em seu personagem Nick um petulante e arrogante, de boas intenções, mas não muito mais que isso. Julianne Moore é sempre encantadora quando em cena, mas pena que sua personagem seja um tanto inconvenientemente chata e só faz decisões burras (uma arqueóloga especializada em estudar instintos animais em seu habitat, e consequentemente também dinossauros, e decide levar o bebê T-Rex para dentro do trailer-refúgio do grupo, sabendo da possibilidade dos papais virem o buscar. Tá de parabéns!).

Mas meu favorito pessoal é sem dúvidas Roland de Pete Postlethwaite, o caçador britânico que esbanja carisma e charme em todas as cenas em que aparece e impõe sua forte presença de líder “badass” e completamente focado em sua missão de capturar os dinossauros até o fim, mas que surpreendentemente mostra ter boa índole em pequenos momentos quando se preocupa com os membros do grupo e ainda salva a equipe de Malcolm do ataque de um certo casal furioso. Mas também, assim como os outros coadjuvantes, não consegue ser algo além disso. Pouco aparecendo no filme e também servindo como sendo a óbvia alusão do capitão Ahab da vez com seu fascínio vicioso para capturar um T-Rex, o rei dos dinossauros.

Para verem como a situação está tão difícil para o protagonismo, onde os próprios coadjuvantes, por mais unidimensionais que sejam, conseguem ser mais interessantes do que a liderança de Ian Malcolm na frente do filme. Ainda recorrendo no início à breves cameos nostálgicas do doce ambicioso de Hammond de Richard Attenborough e dos irmãos Tim e Lex (Joseph Mazzello e Ariana Richards). O “mais do mesmo” com certeza era algo que Spielberg queria evitar aqui, mas me pergunto porquê não abrir uma exceção nesse caso?

Me pergunto também se a situação estava tão complicada assim para não terem trazido de volta o Dr. Grant de Sam Neil, ou se foi mesmo uma decisão de ambos Spielberg e Crichton em colocar o protagonismo da vez nos ombros do Ian Malcolm de Goldblum e poder talvez explorá-lo melhor aqui. Mas não, Malcolm simplesmente não se encaixa mesmo como o herói de ação de caráter intelectual (alguém disse Indiana Jones?!). O sarcástico cético, mas inegavelmente charmoso e legal do primeiro filme parece que não existe mais aqui.

Seu ceticismo e sarcasmo continuam aqui, mas o ator ainda tenta equilibrar uma atitude de herói responsável, um namorado preocupado, o expositor verbalizado de todos os perigos que os Dinossauros estão prestes a fazer, e um pai cuidadoso. Pai? Pois é pai, o roteiro ainda vem inventar uma filha para Malcolm do nada (mas ele não tinha dito que tinha três filhos no primeiro filme? Esqueceram de tapar esse furo pelo visto) só para satisfazer o anseio de Spielberg em ter uma criança carismática e atuando bem no seu filme. Mas adivinha quem é tão unidimensional quanto o resto do elenco?! Pois é.

Resquícios de qualidade

Porém, tirando seus personagens mal escritos e um roteiro preguiçoso, ainda é possível encontrar bons traços de qualidade no filme, que remetem claro à sempre ótima direção que Spielberg demonstra ter em todos os seus filmes, mesmo que a essência do material seja por vezes capenga.

A franquia Jurassic Park, assim como Indiana Jones, sempre foram, literalmente, o parque de diversões para Spielberg. Onde o diretor podia realmente criar as aventuras mais loucas e escapistas que sua mente poderia conjurar, e ainda criar algumas excelentes cenas de ação grandiloquentes na medida certa, que para ele relembravam o melhor do cinema de ação e aventura matinê das antigas. Impossível não se degustar disso.

O problema aqui em O Mundo Perdido é que Spielberg tropeça em suas próprias ambições, erro que tantos diretores cometeriam até hoje em continuações ou revisitações de universos, casos já tão familiares hoje. Mas, infelizmente, esse é o retrato de um diretor cheio de boas intenções, não sabendo bem controlar o seu poder megalomaníaco aqui. É inegavelmente impressionante e excitante ver vários dinossauros dominando a tela, mas faz tanta falta a simplicidade do filme anterior. O poder de criar a ação e o suspense com os seus dinossauros e personagens humanos com naturalidade e coerência dentro da história, sem recorrer à inventar mirabolâncias exageradas. Uma triste megalomania ambulante, lição essa que nem Jurassic World aprendeu.

Mas, tem que se admitir que tais mirabolâncias e megalomanias aqui são muito bem construídas, embora também problemáticas em certos pontos. A cena de “ouro” do filme é o perfeito exemplo disso, o ataque do trailer pelo casal de T-Rex, a cena que obviamente tenta se igualar à primeira aparição do T-Rex no primeiro filme, coincidentemente ambas se passam à noite durante uma chuva e são um show de tensão.

E tirando apenas o pequeno furo de continuidade (o trailer vai de cabeça pra baixo e depois é empurrado com as rodas para baixo, e volta a estar de cabeça pra baixo em seguida enquanto fica pendurado no precipício), a sequência em si é ótima e com uma boa dose de suspense sendo construída e com o sentimento de tensão bem palpável. Mostrando a habilidade de Spielberg em saber mesclar entre cortes bem orquestrados e transitar para um sutil plano sequência de segundos, dando uma boa visibilidade situacional do espaço onde a ação decorre, resultando nos nervos subindo a flor da pele. Sabendo ainda em brincar com o sentimento de antecipação e expectativas quebradas de forma bem Hitchcockiana, como quando Sarah parece claramente estar caindo para a morte certa quando aterrissa em uma janela de vidro, aos poucos se rachando.

Mas mesma proeza essa que não vejo sendo repetida em outras das cenas mais memoráveis do filme, como a morte de Dieter, de Peter Stormare, ou a perseguição dos raptors. Enquanto a primeira tem alguns elementos até bem legais, com a câmera às vezes se colocando na visão dos animais o perseguindo como se fosse um slasher na selva estrelando dinossauros. E é bem agoniante ver vários dinossauros pequeninos o mastigando aos poucos como se fossem uma praga, que até lembra Os Pássaros de Hitchcock em certos aspectos com o uso prático dos bonecos das criaturas e os colocando ferindo o ator bem em frente da câmera de forma bem gráfica.

O problema é que ela se alonga demais, com o personagem caindo e sendo mastigado por eles depois fugindo, isso duas vezes seguidas, para depois morrer “off screen” de forma bem anticlimática. Nem o sangue escorrendo na água revelando sua morte se torna impactante, só faz lembrar como a cena “clever girl” do filme original, que traça elementos semelhantes a esta, era tão mais curta, simples e impactante.

Enquanto a outra se desenrola como um número de circo acrobático, com os raptors nem parecendo animais agindo por instintos e sim criaturas completamente idiotas perseguindo humanos idiotas. Ao invés de atacar Sarah eles mordem na mochila dela sem querer; Malcolm os atrai batendo graveto; entram e saem sucessivamente de um veículo e de um prédio como se fosse um pega-pega, e claro o clássico golpe acrobático da jovem Kelly derrubando um velociraptor, três vezes o tamanho dela, com um chute. Ótima idéia não é?! Aquela cena claustrofóbica arrepiante na cozinha do primeiro filme nem se compara.

E o que de há de semelhante que estraga esses bons momentos? Os outros dois tropeços graves do filme: seu ritmo e sua trilha. Em vários momentos o filme se estica por tempo demais. Não compreendo como Spielberg se deixou levar por um ritmo que se arrasta em inúmeros momentos desnecessários, quase passando a sensação de desgaste. E o mais decepcionante do filme é a trilha de John Williams, passando longe das melodias invocadoras de aventura e encantamento do primeiro filme, e recorrendo aqui à repercussões tribais para se criar um ritmo de tensão e adrenalina, ambas bem falhas.

A Era Mesozóica Contra-Ataca

Tudo isso talvez se deva ao fato de Spielberg querer fazer uma continuação de caráter mais “soturno”, profundo e sério do que seu primeiro filme. Seu constante impulso de criar momentos pontuais de perseguição e tensão revelam a fragilidade dos personagens invadido esse território, e o ritmo vagaroso tenta impor talvez um tom mais dramático à história, mas questionável se funciona ou não.

Até através da estética ele tenta revelar isso, se utilizando da fotografia de Janusz Kaminski, que assume um tom bem soturno, melhor revelado nas sequências noturnas onde o brilho lunar é usado quase para realçar um tom de filme noir, mas que acaba só sendo um atributo visual bonito. Onde o trabalho de câmera realmente brilha é quando Spielberg mostra sua ambição em querer ir um pouco além com a tecnologia que deu a vida aos seus dinossauros, evoluindo ao ponto de conseguir capturar dois ou mais dinossauros enormes em grande enquadramento revelando um ótimo trabalho de criação de escala.

Onde vemos dinossauros e humanos dividindo o mesmo enquadramento constantemente, ao ponto de sentir os toques e o calor dos bichos nas cenas de adrenalina, com direito à vermos uma câmera seguindo uma moto passando por debaixo das pernas de um dos dinossauros, tudo em uma bela tomada sem cortes e os efeitos incrivelmente críveis.

Pode se discutir que o CGI é um pouco datado em certas cenas, mas para a sua época em meados dos anos 90 a coisa aqui já estava muito a frente do seu tempo, e equiparável aos filmes de hoje. Conseguindo também fazer uma ótima mistura com os dinossauros animatronics quando em cenas mais fechadas e o ótimo CGI nos ângulos abertos. A presença dos animais nunca fora sentida de forma tão palpável como aqui.

Até a edição Spielberg usa em prol do seu tom mais violento aqui, revelando uma montagem com um humor bem sádico em diversos momentos bem gratificantes. Como o corte de cena que vai do grito da mãe vendo a filha sendo comida viva pelos dinossauros, diretamente para Malcolm bocejando no metrô e o som do grito casando com o barulho dos trilhos de forma hilária. Ou no clímax quando Malcolm e Sarah estão procurando o T-Rex na cidade e Malcolm diz: ‘siga os gritos’, e corta para uma mulher gritando em meio do caos sendo causado pelo T-Rex.

Por falar no clímax, que meia hora final bem danadinha de inconveniente e mirabolante. O filme parece terminar em um ponto com o grupo finalmente conseguindo escapar da ilha, e daí começa esse curta de Godzilla se mistura com King Kong versão Mesozoica onde vemos o T-Rex impondo caos e morte em Los Angeles. Um terço do filme que parece completamente adicionado de última hora para se criar um final de filme de monstros gigantes.

Uma sequência realmente necessária? Não, mas é inegavelmente divertida de se assistir desenrolar. Não só o T-Rex interage com o mundo moderno de forma bem crível e palpável, tomando água da piscina, comendo um sinal de trânsito e civis, lutando contra um ônibus, tudo sendo muito bem conduzido na ação e os efeitos impressionantes de realistas. Com Spielberg ainda aproveitando para homenagear o clássico filme de monstros, coincidentemente ou não, de mesmo nome, The Lost World / O Mundo Perdido de 1925 onde dinossauros andavam soltos pelas metrópoles humanas instalando o caos.

Mas também, infelizmente não é só de ótimas influências e boas intenções que se faz um filme coeso. Mesmo conseguindo acertar na criação de momentos pontuais e memoráveis de ação que são inegavelmente divertidos, e o sentimento de encanto do poder vislumbrar tantos dinossauros em cena ainda estar presente, embora pouco, esse não é um filme com a mesma mágica ou coração de seu antecessor. 

Mesmo que tendo todos os recursos e idéias interessantes para dar certo, é sucumbido ao brilho do primeiro filme e às ambições de seu diretor apaixonado por esse universo. Bom, pelo menos acho que todos podem concordar que esse é a única decente continuação que Jurassic Park já teve, mesmo que isso não queira dizer tanto.

O Mundo Perdido de Jurassic Park (The Lost World: Jurassic Park – EUA, 1997)

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp (baseado no livro de Michael Crichton)
Elenco: Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite, Arliss Howard, Vince Vaugh, Richard Attenborough, Vanessa Chester, Peter Stormare, Richard Schiff, Thomas F. Duffy, Harvey Jason, Ariana Richards, Joseph Mazzello
Gênero: Ação, Aventura, Ficção científica
Duração: 129 min.

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