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No começo dos anos 50, Marilyn Monroe começava a se consolidar e criar uma imagem em Hollywood. Seu inicio de carreira foi tendo papéis pequenos e sem muito destaque em produções não tão consagradas como O que pode um beijo. Porém, ao fazer pequenas aparições em dois filmes consagrados, O Segredo das Joias de John Houston e A Malvada de Joseph L Mankiewicz, Monroe começou a atrair a atenção da mídia, que começava a não vê-la mais como uma modelo ( sua profissão antes de começar a atuar) e sim como uma atriz séria. A aparição nessas duas obras aclamadas garantiu que Monroe conseguisse um contrato com a 20th Century Fox e ganhou papéis coadjuvantes em comédias ( gênero que marcaria sua carreira) como Sempre Jovem e O Inventor da Mocidade. Apesar de se mostrar que se dava bem na comédia, mostrava-se versátil e foi elogiada em suas participações nos dramas Só a Mulher Peca e Almas desesperadas.

Em 1953, Marilyn Monroe alcançou definitivamente o sucesso, pois foi nesse ano em que a atriz participou de 3 filmes, que a fizeram se tornar uma das personalidades mais rentáveis de Hollywood. Seu primeiro longa de sucesso foi o noir Tormentas da Paixão, o primeiro gravado em Technicolor, onde interpretava uma mulher fala que deseja matar o marido. Foi graças a esse filme que Monroe começou a ser vista como um sex symbol dentro do cinema.  Os outros filmes lançados nesse ano com a participação da atriz foram nas comédias Os Homens Preferem as Loiras e Como Agarrar um Milionário. Foi a partir desses dois filmes que Monroe começou a ser estereotipada como ” loira burra”, devido as personagens desses filmes serem ao mesmo tempos sensuais, mas ao mesmo tempo bastante ignorantes. Esses filmes se tornaram sucesso de bilheteria e Marilyn se tornou a menina dos olhos da Fox.

Porém, em 1954, a atriz começou a passar por uma pequena crise em sua carreira. Seu contrato com a Fox não era renovado, mesmo com o sucesso que estava tendo. Ou seja, ela ainda ganhava abaixo de outras atrizes e não poderia escolher os seus projetos e seus colegas de trabalho. E também estava cansada de ser vista apenas como a ” loira burra”, e por isso acabou recusando participar de uma comédia onde iria contracenar com Frank Sinatrao que fez com a Fox a colocasse na geladeira. Mas o sucesso que Monroe fazia era tão grande, sendo eleita como a atriz mais popular da época, fez o estúdio voltar a atrás e garantiu um novo contrato para atriz, como também o papel principal no filme Pecado Mora Ao Lado. Esse filme iria consolidar de vez a imagem da atriz, tanto como sucesso comercial, tanto como símbolo sexual.


Na trama temos Richard Sherman (Tom Ewell) um executivo de meia idade que decide mandar a esposan Helen ( Evelyn Keyes) e o filho Ricky para passar as férias no Maine. Ao voltar para casa, Sherman conhece uma jovem e bela modelo e atriz, interpretada por Marilyn Monroeque está tomando conta do apartamento de cima para os donos que viajaram. Richard naquele mesmo dia começa a ler um livro de um psiquiatra famoso, e que afirma que homens casados a 7 anos começam a ter desejos de infidelidade – coincidentemente esse é o mesmo tempo que aquele encontra-se em matrimônio- e isso faz com que ele convide a modelo para tomar um drink e os dois acabam por se tornar amigos. Porém, ao mesmo tempo que começa a ter desejos de sedução em relação a jovem loira, Sherman começa a ter delírios, devido ao medo que têm de sua mulher descobrir que ele esta com outra mulher no apartamento. Ao mesmo tempo, o executivo também começa a pensar que sua mulher possa estar tendo um caso com um amigo do casal, e isso vai começar a perturbar sua cabeça mais ainda.

O filme foi dirigido e roteirizado por Billy Wilder, que na época já era um diretor consagrado por ter dirigido clássicos como Pacto de Sangue, Farrapo Humano e Crepusculo dos Deuses, filmes que levaram Wilder a ser conhecido por um dos diretores mais selvagens da época, devido ao fato que a loucura e a amoralidade eram questões centrais em suas tramas. O Pecado Mora Ao Lado não foi o primeiro filme comédia de diretor, que lançou em 1948 A Mundanaprotagonizado por Jean Arthur e Marlene Dietrich, que foi criticado por sua acidez ao tratar sobre alguns temas, como por exemplo o suicídio e o mercado negro pós segunda guerra, mas que também foi elogiado por ser um filme provocativo e que tinha uma grande dose de realismo. Nessa obra protagonizada por Monroe e Tom Ewell, Wilder leva as coisas de uma maneira mais leve, mas sempre perder a chance de ser crítico.

A maneira com que Wilder conduz a sua trama lembra muito a uma crônica jornalistica, pois faz um relato do dia-a-dia de uma americano comum dos anos 50, mas com pinceladas de humor e com críticas a algumas partes da sociedade. Sherman é um homem cujo as aparências são muito importantes, ele é muito preocupado em se portar bem para não atrair comentários dos vizinhos. Porém, a aparência cai por terra quando vemos que o personagem possui um grande desejo de ser infiel a esposa, e tenta com suas artimanhas conquistar a jovem loira, a maioria delas bastante constrangedoras e hilariantes. Wilder nos mostra aqui a hipocrisia da sociedade conservadora da época, que não aparenta ser tão apegada aos valores como prega. Existe também uma crítica a sociedade da época no inicio do filme, onde são mostrados os homens mandando as suas mulheres e os filhos para viagens no interior, para que tivessem a oportunidade de serem solteiros de novo. Mostrando como as mulheres eram vistas na época, apenas como um objeto.


O casamento também um foco no filme de Wilder. Ao mesmo tempo que Sherman possui desejos pela jovem modelo loira, ele sente culpa e medo que sua esposa descubra e queira se vingar dele por causa do caso extra conjulgal. Em paralelo a isso temos também o pensamento do personagem de que talvez a esposa pudesse estar traindo ele com um homem de melhor aparência que ele. Os delírios e alucinações do personagem com a possível traição da esposa, ou com a culpa que ele sente por desejar traí-la não são tratados de uma maneira muito séria, até porque não é a intenção da obra, pelo contrário, são momentos extremamente cômicos e divertidos para quem assiste. Esses ” surtos” do personagem também servem para passar uma importante mensagem sobre o matrimônio, mostrando que o ato é uma coisa séria, e é preciso bastante certeza, responsabilidade e confiança na hora de realiza-lo, não devendo ser tratado como uma simples aventura.

O filme é uma adaptação de uma peça de teatro da Broadway escrita por George Axerold,que inclusive ajudou no roteiro do filme. A passagem da obra do teatro para o cinema é feita de uma maneira muito eficiente por aquele e por Wilder, mas a obra sofreu um pouco devido ao código Hays, um conjunto de regras que dizia o que o cinema podia e não podia mostrar, para que a moral e os bons costumes não fossem feridos. Devido a isso não pode ir para as telas a cena onde Sherman e a jovem loira tem uma noite de amor. Mas Wilder não se tornou conhecido como um diretor selvagem atoa. Em sua trama ele diversas vezes passa por cima do código Hays, por exemplo mostrando o personagem tendo sonhos com outras mulheres, algo que pode parecer bobo hoje, nas época era algo bem ultrajante. Na trama, temos uma Nova York numa época de muito calor, o que abriu espaço para que a personagem de Monroe esbanjar sua sensualidade ao tentar se refrescar nos equipamentos de ar condicionado da casa de Sherman, algo bastante provocativo e típico do diretor.

Foi em Pecado Mora Ao Lado que tivemos a famosa cena do vestido branco, que marcaria para sempre a carreira de Marilyn Monroe. Após sua personagem e o personagem de Ewell saírem do cinema, eles passam por cima de um metrô, e o jato deste levanta o vestido da atriz. Essa cena foi usada de maneira bastante efetiva pelo marketing do filme, aparecendo em vários cartazes e propagandas sobre o filme. Porém, para a decepção de muitos, a cena do filme apenas mostra as pernas da atriz, e não seu corpo inteiro. A cena foi inicialmente filmada numa avenida de Manhattan, mas Wilder não gostou do resultado e resolveu filma-la em estúdio. Mas isso não impediu o momento de entrar para a história da cultura pop.

A atuação dos protagonistas é um ponto alto na trama. Tom Ewell faz um ótimo trabalho como o pirado Richard Sherman. O personagem é bastante carismático e tem um ótimo timing para comédia, e boa parte do humor do filme é graças a ele. Marilyn Monroe dispensa comentários, a atriz mostra que era muito mais do que apenas um sex symbol. Sua interpretação da ingênua modelo, que não faz idéia de como encanta os homens com sua beleza, é bastante cativante e fica difícil com que o público não se apaixone pela personagem. Wilder não deu nome um nome para a personagem de Monroe, o que nos faz pensar que a jovem loira da trama fosse uma sátira a situação da atriz em Hollywood na época. Ewell e Marilyn tem ótimas cenas juntos e tem uma excelente química.

Apesar do filme não ser um dos melhores trabalhos de Wilder, é uma amostra de como diretor era capaz de trabalhar com os mais variados estilos. Pecado Mora Ao Lado é um filme bem dirigido, bem roteirizado e com ótimas atuações dos protagonistas. É uma comédia bastante crítica, mas ao mesmo tempo bastante agradável de ser assistida.


O Pecado Mora Ao Lado (The Seven Year Itch)
 – EUA, 1955.

Direção: Billy Wilder
Roteiro: George Axerold e Billy Wilder
Elenco: Marilyn Monroe, Tom Ewell, Evelyn Keyes, Sonny Tufts, Robert Strauss, Oscar Homolka
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 105 min.

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